Crianças de escola do Rio representam Brasil em ação por refugiados
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Crianças de escola do Rio representam Brasil em ação por refugiados

Alunos do Colégio Municipal Friedenreich coloriram bonecas de pano que serão enviadas a crianças sírias abrigadas na Jordânia

Carina Bacelar

24 de junho de 2015 | 10h09

Daniel Lopes Alves, de 10 anos, ouvia falar dos refugiados dos conflitos na Síria só na TV. A realidade distante, entretanto, ficou mais próxima quando, na última sexta-feira, ele foi avisado pelas “tias” da Escola Municipal Friedenreich, onde cursa o 5º ano fundamental, que a atividade do dia seria colorir uma boneca de pano. Mas não era um brinquedo qualquer e sim, nas palavras dele, “uma mensagem de paz” para crianças sírias refugiadas.

A atividade faz parte da campanha global do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos. “A Volta ao Mundo em uma Mochila” faz com quem crianças depositem em uma grande mochila brinquedos destinados a outras crianças, todas sírias abrigadas na Jordânia por causa dos conflitos no país árabe. A Escola Friedenreich foi a única escolhida para representar o Brasil na campanha, que abrange países das Américas. Seus alunos preencheram com cores e carinho 400 bonecas de pano que serão enviadas ao Oriente Médio.

Menina deposita bonequinha de pano em mochilão, que será enviado para a Jordânia (Divulgação/Cáritas-RJ)

Menina deposita bonequinha de pano em mochilão, que será enviado para a Jordânia (Divulgação/Cáritas-RJ)

“Fiquei feliz, porque vou ajudar crianças de lá que poderiam ser nós. Se estivesse lá, ia querer receber uma (boneca) daquelas. Criança tem que brincar e estudar. A única coisa que eles podem fazer lá é ficar sentadas”, disse Daniel, que desenhou em sua boneca “triângulos amarelos e verdes, com bolas azuis e fundo vermelho”.

Com 330 alunos, a Friedenreich já esteve no meio de um confronto, mas de interesses. Com as obras de reforma do Estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014, o então governador Sérgio Cabral (PMDB) anunciou que a escola seria demolida com o Estádio Célio de Barros, o Parque Aquático Julio De Lamare e o Museu do Índio. Com a resistência de manifestantes e ativistas, Cabral decidiu, em agosto de 2013, manter o colégio.

“A gente tenta mostrar para as crianças que o que importa é viver em harmonia. A convivência tem que ser harmoniosa e a gente tem que transmitir isso para todo o mundo”, afirmou a diretora Sandra Russomano, há dez anos à frente da Friedenreich. Ela explica que os professores abordaram, em sala, os problemas dos refugiados, de maneira diferenciada para cada faixa etária.

Crianças exibem brinquedos recém-coloridos no Colégio Friedenreich (Divulgação/Cáritas-RJ)

Crianças exibem brinquedos recém-coloridos no Colégio Friedenreich (Divulgação/Cáritas-RJ)

“Paz e amor” foi o que Cauã Paixão de Castro, de 10 anos, escreveu na sua boneca. “Desenhei todas as cores, para servir para menino e menina.” O garoto, que costuma doar roupas e brinquedos usados no Natal, não esperava que sua solidariedade fosse tão longe. “Deve ser muito triste não ter nada pra fazer. Só ficar lá parado, só ficar ajudando os pais…se eles ainda tiverem pais.”

“A gente tentou, em vez de comprar brinquedos, fazer com que as crianças produzissem os brinquedos. A ideia era colocar mais amor nesses objetos”, disse Aline Thuller, coordenadora do programa de atendimento de refugiados da Cáritas-RJ, instituição católica que ampara refugiados no Brasil e executora da campanha no Rio. “Em momento de tanto ódio e xenofobia, elas manifestaram seu amor por pessoas que nem conhecem.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: