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CSN abre seus arquivos da ditadura à Comissão da Verdade do Rio

Privatizada em 1993, empresa será a primeira ex-estatal a colaborar com as investigações sobre o período autoritário no País

Redação

07 de abril de 2015 | 16h17

Por Danielle Villela

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) liberou o acesso aos seus arquivos gerais às Comissões da Verdade do Estado do Rio de Janeiro e de Volta Redonda, município na região sul fluminense. Esta é a primeira vez que uma empresa privada colabora com as investigações feitas no estado sobre o período da ditadura militar.

Um grupo de pesquisadores das Comissões da Verdade verifica se há registros, documentos e informações sobre funcionários demitidos durante o período da ditadura militar, quando a CSN ainda era uma estatal. Privatizada em 1993, a companhia é um dos maiores grupos industriais do Brasil.

“Sabemos que as empresas estatais na época tinham grupos do Serviço Nacional de Informações em seus quadros, enviando listas negras para o Ministério do Trabalho com os nomes dos funcionários envolvidos no movimento sindical e fazendo uma repressão muito forte aos movimentos dos trabalhadores. Nós queremos resgatar essa memória”, afirmou o presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous.

A primeira fase do trabalho se direcionou às 25 mil caixas do Arquivo Central da CSN, que abrange o período de 1940 até os dias atuais. Na segunda fase, os pesquisadores analisarão os arquivos de Recursos Humanos,  do Escritório Central e da Fábrica de Estruturas Metálicas (FEM), localizados na Fábrica de Oxigênio (FOX), subsidiária da CSN.

Os pesquisadores  identificaram que, de maneira geral, a documentação está conservada e guardada em boas condições de refrigeração.

A liberação do acesso dos arquivos da CSN às Comissões da Verdade foi possível por meio de um acordo firmado no dia 12 de fevereiro e mediado pelo Ministério Público Federal (MPF), em Volta Redonda.

“Estamos estudando a possibilidade de firmar acordos semelhantes com outras empresas que eram estatais no período da ditadura”, afirmou Damous.

Durante o período autoritário e um pouco depois dele, até o fim dos anos 80, ministérios, empresas estatais, autarquias, universidades públicas, repartições públicas tinham escritórios conhecidos como Divisões de Segurança e Informações (DSIs) e Assessorias de Segurança e Informações (ASIs)  – o nome dependia do nível e tamanho das estruturas. Eram braços do SNI, ministério que era responsável pela espionagem política do governo sobre a oposição. O “serviço”, como era conhecido, foi extinto em 1990.

Volta Redonda, por sua concentração operária, foi um centro de atividade oposicionista durante a ditadura.

 

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