As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Daciolo pede que Freixo vá visitar PMs presos pelo caso Amarildo

Depois de voltar a defender policiais acusados, deputado federal indica considerar que PSOL quer expulsá-lo por ser evangélico

Wilson Tosta

25 Março 2015 | 12h52

Em conflito com o PSOL, pelo qual se elegeu para a Câmara dos Deputados em 2014, o deputado federal Cabo Daciolo (RJ) insinua, em vídeo na internet, que a legenda – onde sua expulsão começou a ser discutida, por defender os PMs acusados do caso Amarildo – o persegue por sua fé evangélica. Com um livro, possivelmente uma Bíblia, em uma das mãos, Daciolo diz nas imagens, gravadas na porta de uma unidade prisional da Polícia Militar fluminense, sentir-se “bem-aventurado”, porque “bem-aventurados também são aqueles que são blasfemados, perseguidos, caluniados por falar de Deus.” Ele faz ainda uma oração “em especial ao PSOL do Estado do Rio de Janeiro”, seção da agremiação que pede que seja expulso e volta a defender os policiais acusados.

“Eu me sinto alegre e regozijado, porque o Reino dos Céus me aguarda”, afirmao parlamentar. Antes, Daciolo protestara, mais uma vez, contra a prisão preventiva dos policiais militares acusados da tortura, assassinato e desaparecimento do auxiliar de pedreiro Amarildo de Souza, ocorrido em 2013 na Rocinha. “Bem-aventurados são aqueles que têm fome e sede de Justiça. Doze militares que estão presos aqui (…). Prisão preventiva? Um ano e cinco meses? Tá errado! Estamos em busca de Justiça! (…) Coloco todos aqueles que me perseguem em Tuas mãos, Senhor. E coloco o PSOL do Rio de Janeiro em Tuas mãos”, continua. Daciolo termina o vídeo de um minuto e trinta e oito segundos com um de seus bordões preferidos: “Deus está no controle”.

Em sua página TV Daciolo, no Facebook, o deputado federal postou vídeo de seu pronunciamento na Câmara dos Deputados na noite de terça-feira (24). Nele, o parlamentar, depois de defender “direitos humanos para as famílias” dos PMs presos no caso Amarildo, pede publicamente que o deputado estadual fluminense Marcelo Freixo (PSOL) “que vá fazer uma visita no Bepe (Batalhão Especial Prisional) aos militares que estão presos lá”. Freixo afirmara que a filiação de Daciolo foi “um equívoco”. Daciolo também leu o trecho da Constituição que afirma que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença. “Então, até que me provem em contrário, eles (os PMs acusados do caso Amarildo) são inocentes”, discursa. Na página do deputado federal, foram postados pedidos para que se desfilie do PSOL.

Esta é a segunda polêmica em que Daciolo se envolve desde a posse, no início de fevereiro. Pressionado pelo partido, o parlamentar já teve de anunciar o recuo da ideia de propor que a Constituição federal afirme que “todo poder emana de Deus”.

 

Mais conteúdo sobre:

caso AmarildoDacioloexpulsão