Das poucas diferenças entre o metrô de Rio e São Paulo
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Das poucas diferenças entre o metrô de Rio e São Paulo

Um é menos lotado do que o outro, e isso abre espaço - literalmente - para breves apresentações musicais

Marcio Dolzan

24 de junho de 2015 | 16h36

O metrô no Rio tem algumas peculiaridades em relação ao de São Paulo. Possui menos linhas, o espaçamento entre uma saída e outra é maior e a ocupação dos vagões varia muito dependendo da região para onde se vai – é (muito) mais apertado transitar pela zona norte do que pela zona sul.

Já em São Paulo, apesar da malha maior, o metrô é concorrido para qualquer lado da cidade. Em horários de pico, conseguir meio metro quadrado dentro de um dos vagões é tão improvável quanto uma vaga para estacionar em Copacabana em fim de semana de 40º C. Até se consegue, mas não sem sair com uns arranhões – na sua lataria ou na do seu carro.

Há uns meses, uma paulistana que veio ao Rio foi toda animada a uma rede social declarar em menos de 140 caracteres que “o metrô no Rio é vazio mesmo quando está lotado”. Talvez tenha sido uma mera hipérbole, mas se você morar na capital paulista e tiver que pegar o metrô todos os dias às 18h na Barra Funda, na Sé ou na Luz, vai entender o que ela quis dizer.

Fato é que, sendo bem generalista, os vagões no metrô do Rio são menos apertados, sim. E isso permite que, diariamente, eles virem palco para pockets shows de duplas e trios dos mais variados estilos e lugares.

Pockets shows são vistos com alguma frequências no metrô que circula pela Zona Sul (Foto: Marcio Dolzan/Estadão)

Pockets shows são vistos com alguma frequências no metrô que circula pela Zona Sul (Foto: Marcio Dolzan/Estadão)

Ano passado, nos dias que antecederam à Copa – volta, Copa! –, um trio de argentinos entrou no metrô. Carregava uma pequena caixinha de som, uma guitarra (ou algo assim) e mais um instrumento de sopro que não recordo agora. Anunciaram que cantariam umas músicas em troca de qualquer colaboração. Cantaram Beatles.

Este ano, já presenciei algumas vezes uma dupla que chega com um acordeon e um pandeiro (“o pandeiro da cultura”, como o rapaz mesmo fala quando passa para recolher as gorjetas). A dupla tem um repertório de músicas conhecidas da cultura popular brasileira e o som faz bem aos ouvidos das mais variadas faixas etárias – mas em geral são os mais velhos que depositam as notas, e não as moedas, no pandeiro.

Mês passado, duas garotas entraram cantando forró. Anunciaram que eram artistas de teatro e que aquela seria sua primeira apresentação musical no metrô. “Estamos um pouco nervosas”, confessou a mais sorridente delas. Cantaram e foi bonito.

Já na manhã desta quarta-feira, um casal de uruguaios embarcou na estação Glória e anunciou que cantaria o “candombe, um ritmo típico em Uruguay” (aprendi com uma uruguaia que o nome do país tem que ser escrito com y). Mas o candombe não teve muito apelo entre os passageiros até a estação Uruguaiana (essa sim com i).

Apresentações em transporte coletivo sempre precisam ser vistas com ressalvas. Afinal, se boa parte da população concorda que se deve usar fones de ouvido em ônibus e metrô para não submeter todo mundo ao gosto musical de cada um, por que seríamos obrigados a assistir a um micro show de Beatles se gostamos mesmo de candombe ou de Luiz Gonzaga? Mas apresentações eventuais, no percurso de duas ou três estações, são legais. Basta não transformar o metrô num Rock in Rio ou num Lollapalooza.

Sim, porque há diferenças entre o Rock in Rio e o Lollapalooza. No festival do Rio…

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