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Deputado do PSOL-RJ quer que Carta diga que poder ’emana de Deus’

Proposta é do Cabo Daciolo, que já foi criticado por confraternizar com Bolsonaro e pediu militar no comando da Defesa

Redação

11 Março 2015 | 12h07

O deputado federal Cabo Daciolo (PSOL-RJ) anunciou na Câmara dos Deputados a apresentação de uma polêmica Proposta de Emenda Constitucional (PEC). O parlamentar quer trocar a expressão do parágrafo único do Artigo I, item V, da Carta -“Todo o poder emana do povo (…)”- por outra: “Todo o poder emana de Deus”. Bombeiro da reserva (foi líder da greve da corporação de 2011) e evangélico, o parlamentar defendeu a proposição no plenário na terça-feira (10). Fez um discurso recheado de expressões religiosas, que pode ser visto na página TV Daciolo, no Facebook. O Estado brasileiro é laico (sem religião), segundo a legislação do Pais, apesar de o texto constitucional invocar “a proteção de Deus”.

“Gostaria de deixar bem claro a todos que estamos vivendo uma verdadeira guerra espiritual e que esta guerra espiritual é contra principados e potestados (sic)”, discursou na terça (10). “Alguém pode não entender o que estou falando aqui. Eu queria deixar muito claro a todos e pedir a compreensão e a ajuda de todos os companheiros parlamentares, porque vamos entrar com uma PEC, e essa PEC diz o seguinte: Todo o poder não emana do povo, emana de Deus, que exerce de forma direta e também através do povo. Dessa forma, nós vamos nos tornar uma grande potência. Deus está no controle de todas as coisas, e todos joelhos se dobram a Jesus. Muito obrigado pelo carinho e boa semana a todos. Todo poder emana de Deus!”

Mesmo antes da posse, Daciolo se envolveu em causou polêmicas. Na cerimônia de diplomação, em dezembro de 2014, posou para fotos com o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), conhecido por posições conservadores, em  clima de confraternização que gerou críticas no PSOL.  No início do ano, defendeu em vídeo que o ministro da Defesa seja um oficial-general no grau máximo da hierarquia militar (o posto é ocupado por civis desde a criação do órgão, no governo Fernando Henrique Cardoso). Também criticou o tamanho das Forças Armadas brasileiras. Considerou o efetivo, de 300 mil militares, pequeno. 

Na ocasião, o presidente do PSOL, Luiz Araújo, não considerou relevantes as declarações do parlamentar. Considerou-as uma “manifestação pessoal do deputado”. Mas as posições do parlamentar começaram a repercutir no PSOL fluminense.  Na terça-feira (10), o vereador Renato Cinco, filiado ao partido, protestou na internet contra o correligionário deputado federal. “Daciolo, pegue seu mandato e saia do PSOL. Seu lugar não é aqui”, escreveu.