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Deputado petista mais votado do Rio deixa partido com críticas

Rede pode receber filiação do senador Randolfe Rodrigues (Psol/AC) no início da próxima semana

Juliana Dal Piva

25 Setembro 2015 | 19h08

A saída do deputado federal fluminense Alessandro Molon do PT, um dos vice-líderes do partido na Câmara, e a mudança para a Rede Sustentabilidade, partido criado pela ex-ministra Marina Silva, deixou petistas no Rio atônitos. Deputado mais votado do partido no Rio em 2014, ele saiu com críticas à condução nacional, sobretudo à aliança com o PMDB.

“Depois do 5º congresso do PT em Salvador, onde as propostas que defendemos para que o partido se reencontrasse com a sua história foram todas rejeitadas, conclui que não há no horizonte uma perspectiva de mudança dos rumos do PT. Além disso, a situação no Rio é gravíssima porque a o partido está totalmente rendido e entregue ao PMDB do Rio, aceitou se tornar uma sublegenda. Tenho um compromisso com o povo do Rio e não posso concordar com isso”, disse.

No início da próxima semana, quem pode anunciar a filiação ao partido é o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP). Procurado, ele não confirmou a mudança.

Molon agora é o mais cotado da Rede para disputar a Prefeitura do Rio em 2016. Ele ainda não anuncia a candidatura e diz que a Rede escolherá o candidato após discutir um programa. Mas integrantes da nova sigla no Rio estão confiantes na possibilidade. “No que depender de mim, ele será o nosso candidato”, afirmou o vereador Jefferson Moura, da Executiva Nacional da Rede. Petistas contam que há chance de o ator Marcos Palmeira ser vice na chapa. A Rede informa que a discussão sobre a chapa e candidatos ainda não ocorreu. O ator não retornou aos contatos da reportagem.

No PT havia 18 anos, o parlamentar disputou a prefeitura carioca em 2008, mas recebeu pouco apoio do PT. Ele não conversou com os colegas de bancada do partido antes do anúncio e surpreendeu a todos. Aliados contam que a falta de apoio da Executiva Nacional no estado e a aliança nacional e local com o PMDB fizeram com que o PT fluminense não desse espaço a seus quadros. Eles avaliam que Molon foi pouco valorizado ao longo dos últimos anos.

O contato de Molon com a Rede é antigo. Começou em 2013, quando a nova sigla não conseguiu o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquela época, aliados contam que ele avaliou que a opção era arriscada e decidiu permanecer no PT.

Nas redes sociais, a opção do deputado criticada por eleitores pelo fato de a Rede ter apoiado o senador Aécio Neves (PSDB) na eleição presidencial do ano passado. Molon diz ser preciso esquecer a disputa de 2014. “As eleições de 2014 já acabaram e o Brasil precisa virar essa página. Está na hora de quem perdeu e quem ganhou olhar para frente e não para trás”, afirmou.

Com a adesão, a Rede passará a contar com dois deputados na Câmara. Na quarta-feira passada, o deputado Miro Teixeira, também do Rio, trocou o Pros pela Rede. A Rede foi o 34º partido registrado do País – no último dia 15, o TSE autorizou a criação do Partido Novo. O grupo de Marina Silva tentou obter o registro em 2013. A ideia era lançá-la à Presidência pela sigla.

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