Descobrindo a região portuária a pé e gratuitamente
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Descobrindo a região portuária a pé e gratuitamente

Passeio, às terças-feiras e sábados, destaca marcos da área ao longo dos séculos e inclui obras de revitalização em curso

Roberta Pennafort

13 de julho de 2015 | 17h59

Cenário de uma das maiores intervenções urbanas das últimas décadas, a zona portuária vem servindo de roteiro para um passeio guiado por historiadores. Eles apresentam a área próxima ao porto a turistas estrangeiros e de outros estados e também a cariocas, que não frequentam a região por ela estar degradada desde a segunda metade do século 20.

As obras em andamento, que já resultaram no Museu de Arte do Rio (MAR), aberto em 2013, e ainda vão dar outros frutos importantes, como o Museu do Amanhã, o AquaRio (aquário marinho do Rio) e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), são incorporadas à caminhada, que é gratuita e parte do MAR, às terças-feiras e sábados, bem diante das obras de remodelação da Praça Mauá. Não há necessidade de agendamento.

 

Visitantes observam obras do alto do Museu de Arte do Rio (Foto: Marcos Arcoverde/Estadão)

Visitantes observam obras do alto do Museu de Arte do Rio (Foto: Marcos Arcoverde/Estadão)

 

As guias mostram as mudanças urbanísticas e o papel do porto desde o século 19. Do MAR, os grupos seguem pela Pedra do Sal, considerado um dos berços do samba na cidade, o Cais Valongo, por onde chegaram mais 500 mil africanos escravizados e o Jardim Suspenso do Valongo, que fica próximo – pontos que compõem o chamado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana. Os grupos também passam pela Igreja de São Francisco de Prainha, de 1696.

“Destacamos a importância de cada local em épocas distintas, desde a fundação da cidade (em 1565). Falamos do comércio de escravos, dos trapiches, das invasões francesas, chegando às obras em curso hoje. Os cariocas não conhecem essa história, tirando professores e moradores da região. É muito raro chegar alguém informado, mas o interesse da população tem aumentado”, diz Fernanda Martins, que guia a visitação há dois anos.

 

Percurso é feito todo a pé (Foto: Marcos Arcoverde/Estadão)

Percurso é feito todo a pé (Foto: Marcos Arcoverde/Estadão)

 

Moradora do Flamengo, na zona sul, a professora de francês Vera Cardoso, de 62 anos, levou duas jovens amigas francesas para o tour semana passada. “Eu não tinha vindo antes à região portuária porque sempre tive medo. É uma área historicamente marcada pela insegurança e a prostituição. Com as obras, fiquei curiosa e vim conhecer”. O fim do passeio é no espaço do Porto Maravilha, onde está montada uma exposição sobre a região.

 

Passeio gratuito pela zona portuária

Ponto de partida: MAR, Praça Mauá nº5 (procurar guia com camiseta do Porto Maravilha)
Ponto de chegada: Espaço de exposições Meu Porto Maravilha, esquina das avenidas Barão de Tefé e Venezuela, na Saúde
Terças-feiras (10h30, 12h30, 14h30 e 15h30) e sábados (10h30, 12h30 e 14h)
Número máximo de participantes: 20