Em vez de Eurico, a sensatez foi para a Sibéria
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Em vez de Eurico, a sensatez foi para a Sibéria

Presidente do Vasco culpa queda por herança deixada pelo antecessor, Roberto Dinamite, e pelos erros de arbitragem

Marcio Dolzan

07 de dezembro de 2015 | 18h47

Eurico Miranda falou sobre o rebaixamento do Vasco quase um dia após ele ter sido consumado. O presidente do clube convocou entrevista coletiva para às 15h desta segunda, atrasou-se quase uma hora, mas apareceu para dar suas explicações. Falou por 50 minutos, sendo que o resumo da ópera é: 1) A “responsabilidade” pela queda é dele, mas a “culpa” é do antecessor; 2) Só tem direito a criticar quem já geriu um clube de futebol; 3) Ele não vai para a Sibéria.

Em mais de um momento, o dirigente, que está há um ano de volta à presidência do Vasco, chamou para si a responsabilidade pela terceira queda do time em oito anos. Disse com todas as letras: “Essa queda do Vasco é responsabilidade minha”. Mas, lá pelas tantas, fez questão de diferenciar responsabilidade de culpa. Afirmou reiteradas vezes que pegou o clube em “terra arrasada”, obra, segundo ele, “de um ex-jogador que pode ter sido ídolo, um grande jogador, mas como administrador foi uma lástima”. Falou, evidentemente, de Roberto Dinamite, que presidira o Vasco nos seis anos anteriores.

Eurico diz que a responsabilidade é dele, não a culpa (Foto: Wilton Junior/Estadão)

Eurico diz ter a responsabilidade, não a culpa (Foto: Wilton Junior/Estadão)

A alegação é que ele, Eurico, assumiu um clube com dívidas, sem receitas e com atletas (que não interessavam) ainda sob contrato – mas não fez apontamentos mais profundos sobre os 31 (trinta-e-um) jogadores que levou para o clube ao longo desta temporada. E disse também não ter visto erro na contratação dos técnicos Doriva e Celso Roth, que comandaram o time na primeira parte do Brasileirão. “Seria jogar a responsabilidade para os outros.”

Eurico também apontou o apito como uma das razões para o rebaixamento. “Ninguém foi mais prejudicado pela arbitragem do que o Vasco”, afirmou o dirigente.

Ou seja: para o atual presidente cruzmaltino, a culpa pela queda está no ex- fora de campo, e no apitador dentro dele.

O mandatário também avaliou que não é bem visto pessoalmente por aqueles que não gostam de seu trabalho. “Eu sei perfeitamente que não sou uma figura simpática aos críticos”, disse. Mas, logo depois, declarou que isso não importa muito porque, afinal, “só aceito a crítica daqueles que um dia sentaram na cadeira que eu sento”.

Traduzindo: você torcedor do Vasco, que está triste, chateado ou sofrendo chacota, tem que aceitar tudo isso de cabeça baixa. Não adianta criticar o presidente do clube, ele não aceita isso.

Aí, alguém lembrou a história da Sibéria. Se você esteve congelado (na Sibéria) nos últimos meses, vale lembrar que em agosto Eurico afirmara que iria para os confins da Rússia se o Vasco caísse sob o seu comando. Pois disse nesta segunda o presidente: “Se não fossem as razões que levaram que isso viesse a acontecer (lembre-se: o antecessor e a arbitragem), se eu não tivesse a minha justificativa pessoal, tenha certeza que eu não ficaria aqui um minuto”, argumentou, para depois arrematar: “Tem uns caras que devem ficar tristes porque eles gostariam de estar comigo na Sibéria, até aqueles que têm problemas freudianos comigo”.

Então tá.