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Filme conta a história do ‘bar dos colorados’ em Copacabana

Documentário 'Copinha, um sentimento' será lançado nesta terça-feira na cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio

Marcio Dolzan

28 Setembro 2015 | 18h30

No coração de Copacabana, um boteco na esquina das ruas Bolívar e Leopoldo Miguez seria apenas mais um entre as centenas que se espalham pela zona sul carioca se não fosse um detalhe: o sotaque dos frequentadores e a movimentação atípica em dias de jogos do Internacional, de Porto Alegre. Apelidado pelos torcedores gaúchos que moram no Rio como “bar dos colorados”, o Copinha tem fachada nas cores branca e vermelha e o símbolo do clube estampado ao lado do nome. É lá que os torcedores do Inter se encontram para torcer pelo time, não raro beliscando um churrasco assado na brasa. E essa história virou documentário, que será lançado nesta terça-feira, no Museu de Arte Moderna do Rio (MAM).

Intitulado Copinha, um sentimento, o filme levou quase um ano e meio para ser finalizado e custou cerca de R$ 7.500,00, dinheiro levantado pela internet através de uma plataforma de crowdfunding. “O que exigiu desse projeto um pouco mais de tempo foi a campanha de financiamento coletivo que fizemos para levantar recursos para finalizá-lo. Queríamos fazer algo com qualidade, e por isso decidimos pagar profissionais para a pós-produção. A campanha também demandou tempo, para produzi-la e planejá-la. Somente depois de finalizada e batida a meta da campanha (atingimos 152% da meta!), começamos o processo de pós-produção”, conta Fábio Erdos, um dos responsáveis pelo filme.

O documentário de 30 minutos é uma produção profissional. Além de Erdos, ele foi dirigido e roteirizado pelos amigos Carlos Guilherme Vogel e Marcelo Engster, todos gaúchos e torcedores do Inter que se conheceram na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio.

“Eu estava trabalhando com o Fábio em seu projeto final (do curso), e como somos colorados e frequentamos o Copinha, ele me comentou da ideia de fazer um documentário sobre esse ponto de encontro da torcida. Conversamos com o Marcelo, que também curtiu a ideia, e começamos a discutir as possibilidades logo em seguida”, conta Vogel.

O trio também contou com a sorte na hora de captar boa parte das imagens. “Pegamos a final do Gauchão de 2014. O Inter realizou um grande jogo, goleou o Grêmio e saiu campeão”, recorda Engster. Filmagens adicionais foram feitas durante o período de captação do dinheiro necessário para finalizar o projeto. “Queríamos contar também a história da relação dos colorados com o bar.”

Essa relação, aliás, é bastante peculiar. Como o bar é pequeno, os jogos do Internacional são assistidos do lado de fora, em uma tevê pendurada pelos próprios torcedores na parede. Em grandes jogos, bandeiras são estendidas nos arredores. E há outro detalhe: ninguém pode assistir aos jogos sentado. A ideia é que todos fiquem em pé, de preferência entoando gritos que se ouvem no estádio Beira-Rio.

“Espero que com o filme a gente consiga contar um pouco sobre as pessoas que frequentam o bar e que são fanáticas pelo Inter. Contando sobre essas pessoas, estamos falando de gaúchos colorados que deixaram sua terra e encontraram em um dos bairros mais famosos do País um pedaço do Rio Grande do Sul”, diz Fábio Erdos.

“É impressionante como aquela esquina faz a gente se sentir em casa, e realmente parecer que estamos no Rio Grande, muitas vezes no próprio Beira-Rio. E, por um ângulo menos superficial, espero que o filme fale um pouco sobre a questão das tradições e da busca do ser humano por uma identidade, assim como a manutenção dessa identidade mesmo estando em outros solos.”

Copinha, um sentimento será lançado nesta terça-feira (29), na cinemateca do MAM. O documentário terá sessões às 19h e às 20h. Após o lançamento, o filme será disponibilizado em DVD e na internet. A intenção dos produtores também é de exibi-lo no Rio Grande do Sul e em festivais de cinema e esportes.

Ficha Técnica
Direção, Roteiro e Produção: CARLOS GUILHERME VOGEL, FÁBIO ERDOS e MARCELO ENGSTER
Fotografia e Colorização: FÁBIO ERDOS
Montagem: MARCELO ENGSTER
Locução: CLAUDIO DIAS
Edição de Som: LUCAS PIOVESAN
Tradução Espanhol: CARLOS GUILHERME VOGEL
Tradução Inglês: ANA CAROLINE SALDANHA MARTINS