Fiscais interditam obras de aquário na zona portuária do Rio
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Fiscais interditam obras de aquário na zona portuária do Rio

Cronograma para Olimpíada leva a ritmo acima do normal, dizem auditores do Trabalho; Porto Maravilha transforma-se em alvo

Redação

27 Março 2015 | 14h56

Por Danielle Villela

As obras de construção do Aquário Marinho (AquaRio), na Zona Portuária do Rio de Janeiro, foram embargadas pela terceira vez por auditores fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro (SRTE/RJ) nesta quarta-feira, 25. A fiscalização constatou grave e iminente risco à integridade física dos trabalhadores, principalmente devido à ausência de medidas de proteção contra quedas de altura.

O AquaRio faz parte do projeto de revitalização da zona portuária carioca, conhecido como Porto Maravilha, e quando estiver pronto será o maior aquário marinho da América Latina, com 8 mil animais de 350 espécies diferentes em exposição. Com 27 mil m², o AquaRio deve ser inaugurado em dezembro deste ano. O projeto foi orçado em R$ 80 milhões e totalmente custeado pela iniciativa privada.

Ritmo  das obras fez da zona portuária  alvo dos fiscais (Foto: Fábio Motta/Estadão)

Ritmo das obras fez da zona portuária alvo dos fiscais (Foto: Fábio Motta/Estadão)

“Estamos atentos a todas as obras de revitalização da Zona Portuária e referentes às Olimpíadas. Por causa do cronograma apertado, muitas estão adotando um ritmo de trabalho acima do normal para conseguir cumprir os prazos”, afirma Raul Vital Brasil, auditor fiscal da SRTE/RJ.

Na quarta-feira, a fiscalização identificou a ausência de proteção coletiva nos locais de risco de queda de trabalhadores ou de materiais utilizados na obra. Os fiscais também verificaram falta de corrimão e rodapés nas escadas de uso coletivo. Foram interditados trabalhos em andaimes, serra circular e betoneira no canteiro de obras.

Além dos problemas na obra, também foram identificados condições insatisfatórias no ambiente de trabalho, como falta de papel higiênico e copos para os operários beberem água.

De acordo com a SRTE/RJ, a empresa Kreimer Engenharia, responsável pela obra, foi notificada a apresentar a documentação e deverá sanear pelo menos 25 irregularidades para que os trabalhos sejam desembargados.

Em nota, a Kreimer Engenharia informa que “houve apenas embargo parcial para trabalhos sobre andaimes e locais adjacentes com risco de queda. Todas as medidas corretivas já foram realizadas e a empresa aguarda o desembargo deste serviço pelo SRTE/RJ”. Ainda segundo a empresa, dos 130 trabalhadores contratados, apenas dez ficaram sem trabalhar devido ao embargo da obra.

“Eles podem até ter continuado as atividades no térreo, mas não podem fazer nada nos andares superiores ou envolvendo andaimes. Uma nova vistoria ainda precisa ser feita após a entrega da documentação exigida para que a obra seja desembargada”, afirmou Raul Vital Brasil, auditor fiscal da SRTE/RJ.