Guia revela recantos pouco conhecidos da Costa Verde
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Guia revela recantos pouco conhecidos da Costa Verde

Roteiro apresenta personagens cativantes e pontos turísticos das cidades de Paraty, Mangaratiba, Angra dos Reis e Itaguaí

Clarissa Thomé

21 de abril de 2015 | 10h02

 

Na Ilha da Gipoia, em Angra dos Reis, vive “seu” Luiz Rosa, senhor de 95 anos “movido a festa”, que costumava comemorar o aniversário remando sua canoa ao redor da ilha, como quem dá um abraço. Fez isso até os 81 anos e deixou o hábito por conselho de amigos. No bar que leva o seu nome, recebe fregueses para uma prosa e para servir frutos do mar e peixes fresquinhos. Fez fama e atraiu celebridades como Jô Soares, Pelé e João Havelange, que até ajudou na reforma do bar, dizem. É de histórias como essas que é feito o Guia Cultural da Costa Verde, recém-lançado pela editora Cidade Viva.

A ideia é levar os visitantes para além do cartão postal, explica o editor Fernando Portella. “Não é um guia apenas informativo. Pegamos os valores culturais de cada lugar e de cada município. Vai ser uma surpresa ter mais opções além do ponto turístico tradicional”, diz Portella.

O guia aposta na mudança do perfil do turista. “Ele vem menos por agências tradicionais e quer estabelecer troca cultural, ter momentos inesquecíveis. É o que se chama de economia de experiência”, afirma Portella.

 

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Vista do Bar do Luiz Rosa e a canoa em que costumava circundar a ilha (Foto: Divulgação)

 

O guia tem dicas e informações sobre Angra dos Reis, Ilha Grande, Paraty, Mangaratiba e Itaguaí. Além de pontos tradicionais do turismo, como museus e igrejas, destaca ateliês de artistas locais e também expressões da música, como os “coroas cirandeiros” “seu” Verino e “seu” Dito, que tocam bandola (espécie de bandolim) e pandeiro, no Centro Histórico de Paraty. Há ainda o Crazy Masters Crew, grupo de dança de rua de Itaguaí.

Os pesquisadores do guia também chamam a atenção para  restaurantes e cafés da região. “Lugar comum não está no guia. Pode até ser bem frequentado, mas tem que ter alguma coisa típica, tem que ter o espírito local”, explica Portella.

 

bolinhos

Os bolinhos de arraia de Tia Conceição são famosos em Mangaratiba (Foto: Divulgação)

 

Descobre-se que em Itacuruçá, no município de Mangaratiba, Tia Conceição serve em modesto barzinho iguarias como peixe com banana, bobó de fruta-pão e o carro-chefe do local: bolinho de arraia. O preparo dessa iguaria inclui tempo de salga e secagem de 25 a 30 dias.  “A textura e o sabor lembram o tradicional bolinho de bacalhau, e caem muito bem quando acompanhados de cerveja bem gelada”, diz o guia. Também fez fama o  “feijão mexicano”: mulatinho com carne moída, linguiça, bacon e muito tempero.

 

Mangaratiba Divulgação_Beco da Poesia

O Beco da Poesia, em Mangaratiba (Foto: Divulgação)

 

Para eleger os pontos pouco conhecidos do grande público e que estão no guia, os pesquisadores fizeram primeiro levantamento pela internet e nos órgãos de preservação do patrimônio histórico. Em seguida, foram a campo. “Quando você encontra um lugar culturalmente típico, você pede indicações. O guia é feito a partir de uma rede de indicações. Ao aumentar a visitação do local, você gera economia, emprego”, afirma Portella.

O guia, com patrocínio da Ampla, Taesa e Sebrae, terá 6 mil exemplares distribuídos gratuitamente. Também foram criados aplicativos para o celular e o material está todo disponível no site www.guiaculturalcostaverde.com.br.

 

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