Herói no Paraguai, Osorio perde a guerra contra o vandalismo
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Herói no Paraguai, Osorio perde a guerra contra o vandalismo

Estátua no Rio de Janeiro sofreu furtos e perdeu até a espada; prefeitura tem projeto de reforma, mas sem previsão de execução

Carina Bacelar

25 de fevereiro de 2015 | 10h17

Quem visita o Panteão do General Osorio, localizado na Praça XV, no Centro do Rio, sente-se em um jogo de sete erros. Por causa da ação de vândalos no local, o monumento, que tem 8 metros de altura e pesa 5,7 toneladas, perdeu alguns dos seus elementos originais e ganhou alguns outros – entre eles, pichações e grades metálicas em seu entorno para evitar o acesso à estátua. De acordo com a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, o monumento foi alvo de vandalismo em três ocasiões diferentes no primeiro semestre de 2014 e já existe um projeto de recuperação para a estátua, mas sem previsão de execução.

Causa mais estranheza a falta da espada nas mãos da estátua do general, que representa Osorio montado a cavalo portando a arma. Uma placa também foi arrancada da base da estátua, dando lugar a inscrições de vândalos.  Bolas que faziam parte do gradil de bronze pertencente ao monumento também foram furtadas.

MONUMENTO/GENERAL OSÓRIO

Vândalos furtaram espada e outros pedaços metálicos da estátua (Foto: Fabio Motta/Estadão)

O gradil, por sua vez, sumiu completamente do monumento. Dessa vez, entretanto, não foi furto, e sim uma ação da foi própria Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, “para evitar o furto de novas peças”, como esclarece o órgão em nota. Grande trecho do gradil em bronze foi retirado e levado para a Gerência de Monumentos e Chafarizes, de acordo com a Secretaria.

De acordo com a Secretaria, no primeiro semestre do ano passado, foi solicitado apoio da Polícia Militar para que o patrulhamento nas imediações do monumento fosse reforçado, principalmente durante a madrugada.

Manuel Luiz Osorio nasceu em Conceição do Arroio, no Rio Grande do Sul,  em 10 de maio de 1808, e morreu no Rio de Janeiro, em 4 de outurbo de 1879. Primeiro e único barão, visconde e marquês do Herval,  é considerado um dos heróis da guerra do Paraguai,(1864-1870) e responsável por planejar a estratégia que levou o Brasil a vencer a Batalha do Tuiuti, em 1866, a maior e mais violenta do conflito.  O militar acabou ferido por um tiro na Batalha de Avaí, em dezembro de 1868, o que lhe causou uma fratura na mandíbula. Ferido, deixou o front e voltou para o Rio Grande do Sul. Retornou ao conflito em junho de 1869 a pedido do conde d’Eu, novo comandante-em-chefe das forças brasileiras.
“O conde colocou como uma das condições (para assumir o cargo) que o Osório voltasse. Ele (Osorio) não tinha a menor condição física, mas foi”, conta Francisco Doratioto, professor da Universidade de Brasília e autor de Osorio, a espada liberal do Império (Companhia das Letras) . O militar acabou desmaiando em pleno campo de batalha. Deixou a guerra pela segunda vez em dezembro de 1869.
MONUMENTO/GENERAL OSÓRIO
Doratioto conta que Osorio foi  patrono informal do Exército até os anos de 1920. Mas deu dando lugar a Luís Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias por causa de questões políticas. Osorio era do Partido Liberal e defendia a descentralização politica. Já Caxias era adepto do centralismo, em uma época em que o Exército Brasileiro enfrentava a contestação do movimento tenentista. Caxias só foi aclamado oficialmente patrono do Exército em 1962. Já Osório desde então é patrono da Cavalaria.
“Osorio era um cara mais de socializar com a tropa, com os soldados. O uniforme dele não era o do regulamento. Ele aparece sempre com o poncho, enquanto o Caxias usava estritamente o uniforme”, diz. Segundo Doratioto, Osorio era “acessível às tropas, corajoso e mulherengo”.  O pesquisador conta que sentinelas costumavam bater continência (cumprimento militar) para a carruagem de Osorio no Rio de Janeiro quando ele ocupou o cargo de Ministro da Guerra. Uma vez, no entanto, em vez do militar na janela, apareceu um grupo de mulheres.  Desde então, a continência ficou restrita a pessoas, e não a veículos.
O monumento dedicado a Osorio na Praça XV foi obra de Rodolfo Bernadelli, escultor mexicano naturalizado brasileiro. A estátua foi fundida em Paris, na Fundição das Oficinas Thiébault, usando o bronze dos canhões tomados pelo Brasil em batalhas do confronto, e inaugurada em 1894. Até 19 de novembro de 1993, o monumento guardava restos mortais do militar, mas eles foram exumados e transferidos para o Parque Histórico Marechal Osório, em Tramandaí (RS). De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o monumento é tombado junto com toda a área central da Praça XV de Novembro.

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