Ícone da inflação da Olimpíada, preço de imóvel perde fôlego
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Ícone da inflação da Olimpíada, preço de imóvel perde fôlego

Economista da Fipe credita boom dos preços de imóveis no Rio a questões estruturais do mercado, que ocorreram em todo o País

Vinicius Neder

25 Março 2015 | 15h08

Se a inflação no Rio corre acima da média das principais capitais do País desde a escolha da cidade como sede olímpica, em 2009, à medida que a Olimpíada de 2016 vai se aproximando, os preços dos imóveis talvez sejam os mais comentados por cariocas, migrantes e turistas. Nos anos de preparação para os jogos, o salto nos valores de venda foram maiores em 2010 e 2011, mas, no ano passado, já houve uma forte desaceleração.

Em 2010 e 2011, os imóveis à venda se valorizaram em 40% e 35%, respectivamente, segundo o Índice Fipe-ZAP, baseado nos preços dos anúncios nos classificados. Nesses anos, os preços médios de venda em São Paulo avançaram 24% (2010) e 27% (2011).

Geografia reduz espaço de áreas nobres, como orla de Copacabana. Foto: Fábio Motta/Estadão

Eduardo Zylberstajn, economista da Fipe, é cauteloso ao culpar apenas a Olimpíada pela elevação no custo de moradir no Rio. “O valor monetário de um imóvel reflete o que em média o mercado, ou seja, as pessoas valorizam no local”, define Zylberstajn.

Nessa lógica, o imóvel próximo a uma das estações da nova Linha 4 do Metrô do Rio, cuja construção foi motivada pela Olimpíada, pode ter uma valorização específica, mas não dá para creditar os 40% de 2010 ao evento. Segundo o economista, demografia (prevalência de pessoas na faixa etária apta a comprar imóveis na sociedade), renda em alta e crédito crescente impulsionaram o boom imobiliário no Brasil nos últimos anos.

Por causa de algumas particularidades, “o Rio exacerbou um pouco isso”, diz Zylberstajn. Essas particularidades são geográficas, principalmente. A escassez de oferta na zona sul e perto das praias amplia a diferença entre os preços máximos e mínimos e provocam valorizações “surreais”.

Como renda e crédito perderam fôlego nos últimos anos, houve forte desaceleração na alta dos preços de venda: no Rio, subiram 7,5% ano passado, ligeiramente acima dos 7,3% de São Paulo, e pouco mais do que os 6,41% de variação do IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Como revelou reportagem do especial do Estado sobre a preparação para a Olimpíada, a evolução, desde 2009, do IPC, índice ao consumidor que compõe o IGP-M, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que, se a inflação média das sete principais capitais fosse zero de meados de 2012 até mês passado, a variação de preços no Rio ficaria em 3,1%. Os cálculos foram feitos a pedido do Estado, comparando o indicador para o Rio com uma média de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Salvador e Recife, incluindo o Rio.