Maria Bethânia inspira exposição grandiosa no Paço Imperial
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Maria Bethânia inspira exposição grandiosa no Paço Imperial

Tributo aos 50 anos de carreira da cantora reúne obras inéditas de 160 artistas; ela só foi informada quando estava tudo pronto

Roberta Pennafort

03 de julho de 2015 | 18h25

Tropeçar em poesia em pleno centro do Rio – literalmente. Coisas que Maria Bethânia faz por você. Aberta hoje no Paço Imperial, a exposição Maria de todos nós captura a atenção de quem passa pela Praça 15 com seus trechos de poemas presos ao chão por pedras. Pelo entorno do prédio histórico, esparramam-se versos de Fernando Pessoa, Mário de Andrade, Sophia de Mello Breyner e outros autores caros à cantora baiana.

 

Paço está cercado por poesia (Foto: Fernando Cavalcanti)

Paço está cercado por poesia (Foto: Fernando Cavalcanti)

 

Trata-se de um tributo-surpresa a Bethânia em suas cinco décadas de carreira. Por doze salas do primeiro pavimento do Paço, estão espalhadas 302 obras de 160 artistas e fotógrafos, de criadores de vídeo-instalações a ceramistas e bordadeiras de diferentes cantos do País. São todas inéditas e inspiradas na trajetória da intérprete, de nomes como Carlos Bracher, Batman Zavareze, Hélio Eichbauer e os irmãos Humberto e Fernando Campana.

“Só contamos para Bethânia há um mês, quando precisei pegar emprestadas algumas peças da casa dela para levar para o Paço. Primeiro ela achou algo grande demais; depois ficou muito tocada e feliz”, conta Ana Basbaum, produtora da cantora há quase 30 anos. Foi ela quem teve a ideia da mostra, desenvolvida por cerca de dois anos. A direção é de Bia Lessa, que fez a concepção cênica de diversos shows de Bethânia.

 

Exposição tem 980 fotografias (Foto; Fernando Cavalcanti)

Exposição tem 980 fotografias (Foto; Fernando Cavalcanti)

 

Os fãs dedicados colaboraram com fotografias. No total, são 980 imagens, da Bethânia do palco, da poesia, da igreja, da natureza, do terreiro de Mãe Menininha do Gantois e da família, em momentos de ternura com os pais, dona Canô e Seu Zezinho, o irmão Caetano, o compositor dileto, Chico Buarque, e outros amigos.

Textos em sua homenagem levam assinaturas de seguidores famosos, como Nélida Piñon, Ferreira Gullar e Zélia Duncan, e também de uma professora de escola pública que trabalha com os alunos temas de seu repertório. O patrocínio é da Natura, que investiu diretamente na exposição, sem uso de incentivo fiscal (a empresa está dando início, assim, às comemorações pelos dez anos de seu programa de patrocínio Natura Musical).

Embora a devoção a Bethânia esteja impregnada nos ambientes, que cheiram a terra por conta das torres de feno que servem de suporte a parte das obras, a intenção não foi lhe fazer um elogio, explica Bia Lessa, e sim mostrar sua capacidade de inspirar outros artistas. Pedaços de madeira que ela entalhou com as próprias mãos e cadernos que escreveu sobre os assuntos de seus shows são itens que vão aplacar a curiosidade do público sobre sua personalidade, avessa ao culto contemporâneo das celebridades.

Já à entrada da primeira sala, a reprodução do camarim da cantora emociona pela simplicidade e despretensão: uma mesa forrada por uma toalha branca, um frasco de soro fisiológico, um copo d’água, um espelho, o roteiro do show, e nada mais.

Maria de todos nós

Até 13/9

Paço Imperial

Praça 15, nº 48

Telefone: 21-2533-4359

Terça a domingo das 12h às 18h

Gratuito