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Médicos suspendem atendimento em centro ligado à Uerj

Instituição é a única especializada em tratamento de anomalias craniofaciais. Médicos e outros profissionais não recebem desde fevereiro

Clarissa Thomé

02 de junho de 2015 | 15h33

O Centro de Tratamento de Anomalias Craniofaciais (CTAC), único do gênero no Estado, suspendeu o atendimento aos pacientes por atraso no repasse de verbas para pagamento de salários e manutenção. Se o centro não retomar o atendimento, a alternativa é o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo, em Bauru, São Paulo.

Ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o CTAC atende a dois mil pacientes e recebe verbas da Secretaria de Estado de Saúde. Os repasses foram suspensos em fevereiro. Médicos, fonoaudiólogos, dentistas, psicólogos, nutricionistas, estão com os salários atrasados desde então. Mais de 100 itens estão em falta como placas, parafusos e fios de sutura, usados nas cirurgias.

“Esses profissionais estão há três meses sem salário. Por mais boa vontade que as pessoas tenham, elas estão com dificuldade até mesmo de ir ao trabalho”, afirmou o médico José Horácio Aboudib, chefe da cirurgia plástica da Uerj. Profissionais ligados a uma cooperativa, que ainda estão com pagamento em dia, mantiveram o atendimento emergencial a pacientes recém-operados.

Quatro reuniões foram marcadas entre o reitor da universidade, Ricardo Vieiralves, e o secretário de Estado de Saúde, Felipe Peixoto. Todas canceladas a pedido da secretaria. “Acho que falta compreensão da importância do centro. É um serviço de absoluta prioridade. Tratamos casos complicados, sérios, que necessitam de tratamento ao longo da vida”, afirmou Aboudib.
Ali são tratados pacientes com estenose cranio-facial, que ocorre pela fusão prematura dos ossos do crânio e da face; síndrome de Pierre Robin, em que a criança apresenta mandíbula muito pequena e retração da língua, que provocam graves dificuldades de respiração; além de lábio leporino e fenda palatina.

A auxiliar de escritório Sabrina Sousa, de 29 anos, tinha consulta marcada com dentista, e não conseguiu atendimento. “Tenho lábio leporino. Nenhum dentista particular quer me atender por causa da fenda palatina. Eu também preciso fazer uma cirurgia no maxilar que estava para ser marcada”, contou. Ela diz que a situação está difícil há alguns meses. “Meu dentista chegou a trazer material do consultório particular para me atender. Espero que a situação se resolva. Faço tudo ali, fonoaudióloga, psicóloga. Não tenho como ir para Bauru”.

Aboudib disse que outra reunião foi marcada para segunda-feira, com representantes do governador Luiz Fernando Pezão. “Tenho esperança que a solução saia dessa reunião”, afirmou.

Em nota, a secretaria informou que vai “equacionar” os repasses para o CTAC, com liberação de R$ 1.158.456,78 para garantir a continuidade do tratamento prestado pelos 26 profissionais de saúde que atualmente atendem na unidade.

Desde o fim do ano passado a Uerj enfrenta crise por causa do corte de verbas. As férias de dezembro foram antecipadas e o ano letivo foi iniciado com atraso. Na quinta-feira, 28, a porta de vidro da universidade foi destruída num protesto.

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