Memórias da música e da paisagem carioca dos anos 1950 saem em livro
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Memórias da música e da paisagem carioca dos anos 1950 saem em livro

"Sinfonia do Rio de Janeiro - 60 anos de história musical da cidade" revela histórias dos bastidores da obra de Tom Jobim e Billy Blanco

Roberta Pennafort

27 Maio 2015 | 13h54

Em 1954, partindo de sua paixão pelo Rio, os jovens amigos Tom Jobim (1927-1994) e Billy Blanco (1924-2011) compuseram a Sinfonia do Rio de Janeiro, doze suítes cobertas por letras de exaltação das belezas naturais da cidade e do caráter trabalhador e hedonista do carioca, e registradas num LP, hoje histórico, com grandes vozes da época, como Elizeth Cardoso, Lúcio Alves e Dick Farney. Passados 61 anos, somente a abertura – “Rio de janeiro, que eu sempre eu hei de amar! Rio de Janeiro, a montanha, o sol e o mar!” – é conhecida; as outras canções não se tornaram famosas.

O livro Sinfonia do Rio de janeiro – 60 anos de história musical da cidade, assinado pelo jornalista João Máximo, conta a história dessa obra, que nasceu de uma ideia que Billy teve num lotação, indo do centro para Copacabana. “Hipnotizado pela beleza” da vista (em suas próprias palavras), ele teve a ideia do “temazinho” de origem. Desceu, entrou num boteco e telefonou para o apartamento de Tom, em Ipanema, para lhe pedir que anotasse letra e melodia. De lá, foi encontrá-lo, para que terminassem a “sinfoneca”, como apelidariam.

 

Capa do disco de 1954

Capa do disco de 1954

 

“Billy Blanco sempre foi muito generoso. Ele vivia pela rua, criando essas coisas maravilhosas, e ainda dava parceria. Por que não andava com um gravador?”, disse Tom ao escritor Ruy Castro em suas entrevistas para o livro Chega de Saudade (de 1990). A parceria resultaria também em um clássico da MPB, Teresa da praia, entre outras canções. Esta lhes foi encomendada no mesmo dia em que a Sinfonia foi registrada, o livro conta.

À época, o carioca Tom e o paraense radicado no Rio Billy, ambos ex-alunos de arquitetura, ainda eram desconhecidos como músicos e compositores. Tom iria se tornar o pai da bossa nova, o maior nome da música brasileira no mundo, e Billy seguiria longeva carreira de compositor, gravado por importantes nomes (viveu 87 anos, 20 a mais do que o parceiro).

As músicas falam do “festival de beleza” que o Rio oferece, do vaivém de trabalhadores nos ônibus, trens e lotações, do gosto pelo futebol e pelo banho de mar, da vida nos morros. A gravação foi pela Continental, que tinha como diretor artístico Braguinha. Ele entregou os arranjos ao maestro Radamés Gnattali, e chamou grandes cantores de seu elenco para cantar.

 

Tom entre Billy Blanco e outros artistas, nos ensaios (Foto: Acervo Jobim Music)

Tom, aos 27 anos, entre Billy Blanco e outros artistas, nos ensaios (Foto: Acervo Jobim Music)

 

Realizado pela livraria carioca Arlequim – o dono, Ronald Iskin, é um apaixonado pela Sinfonia e teve a ideia –, o livro, edição de luxo e bilíngue, traz um CD com a gravação original e com outra de 1960, com artistas como Maysa e Jamelão. O grupo vocal Os Cariocas participaram dos dois discos.

Além das memórias de Tom e Billy sobre cada música, a publicação tem imagens belíssimas de praias, personagens, ruas e cartões postais cariocas, nos anos 1950 e agora, além de fotos dos artistas envolvidos na Sinfonia.

 

Sinfonia do Rio de janeiro – 60 anos de história musical da cidade

Preço: R$ 120,00