MP ameaça impedir arquibancada na Lagoa Rodrigo de Freitas
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MP ameaça impedir arquibancada na Lagoa Rodrigo de Freitas

Projeto prevê instalação de estrutura sobre o espelho d'água da Lagoa, que é tombada por decreto municipal desde 1990

Marcio Dolzan

24 de fevereiro de 2015 | 15h19

O projeto de instalação de arquibancadas provisórias no espelho d’água da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona Sul do Rio, é mais uma dor de cabeça para os organizadores dos Jogos Olímpicos de 2016. O Ministério Público (MP) está cobrando explicações sobre a estrutura prevista para ser montada, já que a Lagoa foi tombada por decreto municipal há 25 anos e é considerada Área de Preservação Permanente.

Rio pretende construir arquibancada provisória sobre o espelho d'água da Lagoa Rodrigo de Freitas (Foto: Fabio Motta/Estadão)

Rio pretende construir arquibancada provisória sobre o espelho d’água da Lagoa Rodrigo de Freitas (Foto: Fabio Motta/Estadão)

Para o prefeito Eduardo Paes, o fato de a Lagoa ser tombada não deve interferir. “O tombamento não significa que você não pode fazer nada. O tombamento protege o bem, que você cuida com mais atenção”, considerou. “Não precisa fazer decreto algum revogando nada.”

No dossiê de candidatura, o Rio prometeu instalar uma estrutura de 250 metros de comprimento sobre o espelho d’água, que possibilitaria a construção de uma arquibancada para 10 mil pessoas. Posteriormente, o Comitê Organizador entrou em acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para reduzir o tamanho da estrutura.

O novo projeto ainda não foi divulgado, mas deverá abrigar quatro mil pessoas.  O MP quer explicações e existe a chance de uma ação judicial impedir a execução das obras. A Lagoa receberá as provas de remo e canoagem, sendo que o primeiro evento-teste está marcado para agosto deste ano.

De acordo com a Matriz de Responsabilidade, cabe ao governo estadual a adequação da Lagoa para receber as provas. “É uma obra para os Jogos Olímpicos. São instalações provisórias, e a gente já vem conversando com o Ministério Público”, minimizou o governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, na manhã desta terça-feira.

O governador insiste na manutenção do projeto acordado com o COI. “Claro que eu defendo. É pra duas semanas, três semanas de evento. Não vai mudar nada a vida da Lagoa ter uma instalação provisória. A gente já viu isso no mundo inteiro.”

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