Na web, atraso de obras do bonde de Santa Teresa vira piada
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Na web, atraso de obras do bonde de Santa Teresa vira piada

Evento falso no Facebook, com mais de 10 mil participantes, associa ruas esburacadas a construção de 'parque aquático' inexistente

Carina Bacelar

08 Maio 2015 | 09h56

Cansados de quase dois anos das obras que deveriam trazer seu tradicional bondinho de volta aos trilhos, moradores do de Santa Teresa apelaram para o deboche. Eles criaram no Facebook a página “Inauguração do Parque Aquático de Santa Teresa”, abaixo da foto de um tobogã, para ironizar a rotina de transtornos que vivem há quase dois anos na localidade, cheia de ladeiras, ruas estreitas e casario tradicional. Orçados em R$ 90 milhões, os trabalhos para reinstalação de trilhos e rede área para a nova versão dos tradicionais bondinhos, símbolo do bairro, estão parados.

“Você que mora ou frequenta Santa Teresa e achou que o cenário caótico é por conta das obras para o retorno do amado bonde se enganou! Na verdade, o que nossas digníssimas autoridades estão planejando é um imenso parque aquático que contará com diversos atrativos”, ironiza o grupo, na rede social.  Há fotos de ladeiras tomadas por correntes d’água. O prazo de entrega das obras se esgotou há quase um ano, em junho de 2014. 

O texto lista, como “atrações”, “hidromassagem na Saint Roman”, “térmica de lama na praça Odylo”, “ grande chafariz do Guimarães”, “ corredeiras da Ladeira do Castro “, “ grande piscinão do Mineiro até o Curvelo” e “montanha russa 006″ Para comemorar “esse magnífico empreendimento”, os promotores prometem “uma festa dia 30/6 no Guimarães, com muitas drogas, música alta, desordem e roubalheira”. “O parque aquático de Santa é uma realização de: – prefeitura do Rio, CEDAE e governo do estado”. 

O bairro está em obras desde novembro de 2013, e de acordo com os moradores, há alguns dias os trabalhos pararam. “Há uma semana, não há um trabalhador nos canteiros. O consórcio saiu de cena”, afirma Schwarzstein.

O próprio secretário estadual de Transportes, Carlos Osório, admite só que 25%  das obras foram concluídas. Ele3 diz que o governo do Estado está em “litígio” com o consórcio Elmo-Azvi, responsável pela obra. Admite que o contrato pode ser rescindido, o que obrigaria o governo a colocar a obra nas mãos de outra empresa.

O  evento falso tem cerca de 10 mil adesões. Seu nome é uma alusão aos bolsões e valas d’água nas obras dos trilhos. Os moradores temem que possam causar acidentes.

“Tem valas de meio metro de profundidade e três a quatro metros de largura que as pessoas têm de  pular meio metro para baixo, caminhar na terra e subir de novo para chegar na casa delas. Isso naturalmente enche quando chove, os carros caem lá dentro”, relata   presidente da Associação de Moradores de Santa Teresa, Jacques Schwarzstein.

Há outras reclamações. As ruas esburacadas por causa das obras provocam acidentes, criam problemas no trânsito e fazem taxistas evitar as ladeiras. É comum que carros e ônibus caiam e fiquem presos nas valas, principalmente quando chove.

Ruas esburacadas por causa das obras dificultam circulação em Santa Teresa (Divulgação)

Ruas esburacadas por causa das obras dificultam circulação em Santa Teresa (Divulgação)

 Schwarzstein afirma que faltou “planejamento e execução” na obra por parte do governo do Estado e do consórcio. “É uma obra sem projeto executivo”, reclama. “É uma trapalhada total”. Trechos que originalmente eram de paralelepípedo, por exemplo, estão sendo substituído por asfalto durante as obras. O bairro tem dezenas de sobrados  e até mesmo trechos da pavimentação tombados.
Estado. “O Governo do Estado reconhece que a obra está performando aquém da necessidade (sic), e está buscando reestruturar a operação da obra junto ao consórcio construtor. Em última instância, o contrato poderá ser rompido”, admite a Secretaria Estadual de Transportes (Setrans), em nota. De acordo com o órgão, a colocação de trilhos no trecho Carioca – Largo do Curvelo e na rua Francisco Muratori está sendo refeita desde 20 de abril por causa de falhas de execução. “O retrabalho prejudicou o avanço nas frentes de obras na região do Largo dos Guimarães (considerado o ‘coração do bairro)”, diz o texto oficial.
Esses reparos, segundo a Setrans, terminarão em 21 de maio. A partir daí, deve começar a pré-operação entre as estações  Carioca e Curvelo. Já o término definitivo das obras, tem dito Osório em entrevistas recentes, ainda não tem data.
O convite para o evento está aqui: https://www.facebook.com/events/711867955590082/

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