Nas ruas do Rio, motorista de ônibus vira piloto
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Nas ruas do Rio, motorista de ônibus vira piloto

Entre uma corrida e outra, pé fundo no acelerador, brigas e discussões de trânsito e até parada para namoro

Marcio Dolzan

31 Março 2015 | 18h20

Dentre as muitas gírias e expressões do carioca, poucas caem tão bem como chamar os motoristas dos ônibus que circulam pela cidade de piloto. Muitas vezes, cai como uma luva – ou como aquela moça que quase desabou no coletivo da linha 121 que saiu da avenida Infante Dom Henrique e entrou sobre duas rodas na Rio Branco, ano passado.

“Ô moço, o senhor acha que está transportando melancia, botijão de gás ou o quê?”, indagou a coitada, enquanto tentava tirar a alça da bolsa que resvalara pelo pescoço. O piloto alegou que haviam lhe cortado a frente, e seguiu-se uma discussão de alguns segundos – tempo que o ônibus continuou sua viagem normalmente.

Chamar o motorista de ônibus de piloto faz muito sentido (Foto: Marcos de Paula/Estadão)

Teve também aquela vez que outro piloto aproveitou o sinal fechado nas proximidades da Lagoa para descer do ônibus e tirar satisfação com o motorista do carro que lhe havia dado uma buzinada mal-humorada uma quadra antes. A reclamação no meio da rua deixou o motorista injuriado. O sinal abriu, o ônibus arrancou e o carro seguiu atrás, provocativo. Novo sinal fechado, nova descida do piloto, nova discussão. Terminou com o para-brisa do ônibus quebrado. E os passageiros? Alguns desceram, outros ficaram. Todos atônitos.

Já uma colega contou que, tempos atrás, a viagem dela demorou um pouco mais que de costume porque o piloto encostou o ônibus para namorar. Ninguém deve ter entendido direito e alguns provavelmente tiveram problemas com o atraso inesperado.

Pelo menos naquela oportunidade ninguém correu riscos.

Entre melancias, botijões e para-brisas quebrados, mais amor, por favor.