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No meio do caminho do bonde de Santa Teresa, tinha um carro

No primeiro sábado dos novos bondinhos no bairro, "homens fortes" convocados pelo condutor evitam no braço fim precoce de viagem

Carina Bacelar

04 Agosto 2015 | 06h54

Era a última viagem do primeiro sábado de operação dos bondinhos de Santa Teresa desde a reabertura da operação, em caráter experimental, no dia 27 de julho. O pequeno trecho em funcionamento, apenas 16% do percurso original, de 10,5 km, contrastava com as enormes filas que se formaram durante todo o dia. A última delas, já menor, embarcou pouco antes das 18h, eufórica com a chegada do derradeiro veículo. Mas antes que a marca dos 10 metros de trajeto pudesse ser (lentamente) alcançada, o bonde parou: havia um carro, particular, no meio do caminho.

Era um automóvel Volkswagen, estacionado por algum desavisado perto demais dos trilhos. Parecia que a viagem de bondinho  ia acabar ali mesmo. O tom de voz animado do condutor logo deu lugar a um outro, mais envergonhado, porém disfarçado com brincadeiras. “Para passarmos precisaremos de homens, homens fortes”, enfatizou. “Quem poderia dar esse braço?” Logo vieram as palmas e o “jeitinho” parecia ter transformado tudo em motivo de piada.

Os voluntários, entre eles alguns turistas, desceram do bonde para tentar resolver o problema. Levantaram o  Volkswagen, com freio de mão puxado, por baixo e, juntos, conseguiram colocar o carro alguns centímetros mais longe dos trilhos. A expectativa era que o bondinho finalmente tomasse o rumo do Largo da Carioca, o ponto final. Não foi daquela vez.

Depois de uma observação mais atenta, o condutor deu um novo da situação. “Ainda não deu, a gente vai ter que dar mais um jeitinho, desculpa aí”. “Homens fortes” novamente convocados, mais palmas. Era hora de mais um empurrão.

Dessa vez, funcionou. O condutor – que ajudou a empurrar o veículo – retomou o controle do bonde e, bem devagar, fez a curva, vencendo o obstáculo. Do Curvelo à Carioca, os flashes e a curiosidade pelo retorno do bonde partiam de visitantes e até de moradores do bairro. “Estou me sentindo uma celebridade”, brincou uma mulher. No fim, a falha de fiscalização transformou-se em uma pequena aventura.

“Obrigado, gente. O passeio é com emoção”, disse o condutor.

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