O quarteto imbatível do futebol do Rio de Janeiro há meio século
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O quarteto imbatível do futebol do Rio de Janeiro há meio século

Pequenos não têm vez e parecem disputar um Carioca à parte; nos últimos 49 anos, só deu Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo

Silvio Barsetti

23 de fevereiro de 2015 | 20h35

Há um intruso na parte de cima da tabela do Campeonato Carioca. Trata-se do Volta Redonda, vice-campeão em 2005, e um dos clubes que tentam há vários anos se impor como a quinta força do futebol no Estado. A competição classifica os quatro primeiros para a disputa de duas semifinais.

O Volta Redonda, hoje na quarta posição, pode até garantir uma vaga. Mas imaginar que o título de 2015 vá para o interior, o que seria o primeiro e único em 36 anos de integração entre capital e Estado, é um exercício muito pouco provável.

O Carioca está entre os campeonatos estaduais mais previsíveis do Brasil. Os números provam isso. Fugir do óbvio, de que o campeão saia do quarteto Botafogo, Fla, Flu e Vasco, é ignorar o que se passou ao longo das últimas décadas. O Bangu, em 1966, e o America, em 1960, representam a tentativa de ruptura dessa lógica.

Com essas duas exceções, nos últimos 80 anos o Carioca só contemplou com títulos os quatro clubes de maior torcida do Rio.

Nos demais centros de futebol do País existe rotatividade. Em São Paulo, não são apenas os grandes (São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos) que fazem a festa. O Ituano foi campeão em 2002 e no ano passado; o São Caetano, em 2004. Anos antes, Bragantino e Inter de Limeira levantaram a taça. E por aí vai.

Em Minas, Cruzeiro e Atlético viram de 2001 a 2005 três outros campeões: America, Caldense e Ipatinga. No Rio Grande do Sul, Juventude (1998) e Caxias (2000) quebraram o monopólio de Inter e Grêmio. E na Bahia, os dois clubes que detêm a supremacia no Estado, Bahia e Vitória, ‘deram vez’ a Colo Colo, de Ilhéus (2006), e Bahia de Feira de Santana (2011).

A convicção de que o Carioca parece dois campeonatos num só -­ um para definir qual dos quatro grandes vai ganhar; e outro que serve como prêmio de consolação para o restante (resto) – explica-se pelo volume de investimento no futebol, o apelo popular, e, algumas vezes, pelas benesses da federação e de arbitragens aos clubes de ponta.

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Em 2005, Volta Redonda quase quebrou hegemonia dos quatro grandes; foi vice no Rio. Foto: Fabio Motta/Estadão

Em 2005, Volta Redonda quase quebrou hegemonia dos quatro grandes; foi vice no Rio. Foto: Fabio Motta/Estadão

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