Observatório do Valongo enfim abre para visitas
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Observatório do Valongo enfim abre para visitas

Instituição, de 1881, foi a segunda fundada no País. Entre os objetos expostos, está o telescópio mais antigo em funcionamento

Clarissa Thomé

17 Março 2015 | 17h05

Construída em 1876, a Luneta Pazos, mais antigo telescópio em funcionamento no Brasil, poderá ser vista de perto por quem gosta de astronomia. O Observatório do Valongo, no Morro da Conceição, zona portuária, fundado em 1881 para ser instituição de ensino, agora está aberto para o público.

 

TELESCOPIO/RIO

Luneta Pazos, mais antigo telescópio em funcionamento (Foto: Fabio Motta/Estadão)

 

Embora receba algumas excursões colegiais, observatório é a escola de astronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com a revitalização do porto, cariocas e turistas redescobriram o casario colonial do morro e as rodas de samba da Pedra do Sal – onde escravos descarregavam o sal trazido pelas embarcações. Cresceu também a curiosidade pelo Valongo.

Foi criado, então, um roteiro pela instituição. O circuito pode ser feito em 20 minutos, pelos mais apressados, ou ultrapassar os 40 minutos. “Depende muito da interação e da curiosidade do público”, diz o astrônomo Daniel Mello.

 

TELESCOPIO/RIO

Helio Rocha-Pinto e Daniel Mello com o telescópio Cooke (Foto: Fabio Motta/Estadão)

 

Entre os destaques está a Luneta Pazos, criada na Officina de Óptica e Instrumentos Scientíficos de José Hermida Pazos, espanhol com escritório na Rua do Hospício (hoje Buenos Aires, no Centro). Na propaganda da casa, que fabricava binóculos e aparelhos ópticos, o aviso de que o local era visitado por d. Pedro II e o genro, o Conde D’Eu, marido da princesa Isabel. A luneta fica na cúpula chamada de Casa das Bruxas, pela forma cônica do teto.

Outro instrumento importante é o Equatorial Cooke & Sons, terceiro maior telescópio refrator do País, com 6 metros de comprimento. O telescópio refrator funciona com lentes; quanto maior o comprimento, maior a capacidade de ampliar o objeto. Já o refletor funciona com espelhos; o cumprimento não influencia na capacidade de ampliação.

 

TELESCOPIO/RIO

Objetos dos séculos XIX e XX estão em exposição (Foto: Fabio Motta/Estadão)

 

Objetos do fim do século XIX e início do século XX também são expostos, como estereoscópios, cronômetros, altímetros e barógrafos. Uma curiosidade: um teodolito T4, usado para determinar coordenadas celestes, adquirido em 1969 da Alemanha de forma incomum para os padrões atuais – trocado por sacas de café.

HISTÓRIA – O Observatório do Valongo é o segundo mais antigo do País, criado a partir de uma cisão no Observatório Nacional. O engenheiro Manoel Pereira Reis defendia que a astronomia não deveria ser usada para pesquisa, para “especular” sobre os astros, mas aplicada na engenharia, como forma de demarcar fronteiras, explica o diretor Heitor Rocha-Pinto. “Hoje ninguém aqui concorda com ele. Mas essa é a nossa origem”, brinca.

A primeira sede do observatório foi erguida em 1881 no Morro de Santo Antônio. Por causa do projeto de demolição do morro, foi transferido nos anos 20 para a chácara do Valongo, que funcionara como local de engorda de escravos. A partir da década de 1930, o observatório cai no ostracismo, com a morte do último astrônomo desta primeira etapa. A chácara ficou abandonada, foi invadida, instrumentos se perderam.

Em 1957, com nova cisão no Observatório Nacional, o projeto de instituição de ensino é retomada. “Dessa vez, é astronomia para astrônomos, não para engenheiros”, diz Rocha-Pinto.

 

SERVIÇO:
Observatório do Valongo / UFRJ
Ladeira Pedro Antônio, 43 – Morro da Conceição, Centro
21 2263-0685
Visitação: de segunda a sexta-feira, das 11h às 16h
Sessão de cúpula: primeira e terceira quartas-feiras do mês, às 18h30.
Em julho (data a confirmar): Semana dos Planetas Gigantes – observação de Júpiter e Saturno. Todos os dias. A partir das 18h.
23 de setembro: Equinócio da Primavera – o museu estará aberto durante todo o dia.
Avisos: Grupos de mais de dez pessoas precisam agendar pelo e-mail ov@astro.ufrj.br. A instituição passa por obras de expansão, o que não impede a visita.