Pacto do Rio: proposta ambiciosa objetiva melhorar a vida no Rio
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Pacto do Rio: proposta ambiciosa objetiva melhorar a vida no Rio

Iniciativa encabeçada pelo Instituto Pereira Passos quer diminuir a violência e as desigualdades sociais entre favelas e "asfalto"

Roberta Pennafort

02 de julho de 2015 | 17h51

Um projeto ambicioso, que pretende unir esforços do município, do setor privado, de universidades, de ONGs e da população, com apoio de organismos internacionais, está sendo gestado no Instituto Pereira Passos (IPP) – autarquia da prefeitura que produz estatísticas sobre a cidade – com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais e a violência e, como consequência, melhorar a qualidade de vida dos cariocas, tendo como premissa o desenvolvimento sustentável.

Apresentado em dezembro de 2014, o Pacto do Rio, organizado pela presidente do IPP, a economista Eduarda La Rocque, detalhará seu plano de trabalho em agosto. Essa semana, Eduarda e outros membros do conselho explicaram melhor o que almejam com a iniciativa, que já conta com 21 sócios-fundadores, como o Ministério das Cidades, a Fundação Itaú Social, ONGs e agências de comunicação.

O compartilhamento de informações é um dos princípios: o Pacto quer conectar esforços fragmentados e implementar um novo modelo de governança, descentralizado. Outra meta é avaliar continuamente projetos já em andamento em comunidades. A ideia é criar indicadores que sinalizem quais projetos têm impacto positivo e real sobre os moradores, e que, assim, merecem um selo de qualidade e injeção de recursos. E também retirar “atravessadores” que possam impedir a chegada do dinheiro aos agentes locais de transformação.

 

Projeto quer retirar os

Projeto quer retirar os “atravessadores” que impedem que recursos cheguem às favelas (Foto: Fabio Motta/Estadão)

 

“Existe muito dinheiro para as favelas, o que falta é distribuir melhor, saber onde alocar”, acredita Eduarda, que foi secretária municipal de Fazenda e trabalhou pelo saneamento das contas públicas municipais, sendo posteriormente cotada para acompanhar o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em sua equipe.

“O pacto nasceu de relações pessoais. Até aqui, não foi usado nenhum recurso financeiro. Vamos mostrar que é possível promover prosperidade assim. O Rio tem sustentabilidade fiscal, o que precisa é de sustentabilidade social e ambiental. Depois de 2016 (quando serão realizados os Jogos Olímpicos na cidade), eu vejo três cenários possíveis: um muito positivo, com mais inclusão, um intermediário e um com mais pobreza e favelização”, disse.

Como os outros conselheiros – a filósofa Viviane Mosé, a economista Junia Santa Rosa, o engenheiro Rique Nitzche, o jornalista Marco Simões e o advogado Pedro Strozenberg –, ela acredita no engajamento popular, e não considera o Pacto utópico: “Acho que temos a chance de sermos o primeiro caso de cidade latino-americana complexa no rumo do desenvolvimento sustentável. Queremos envolver a população, apesar da crise de representatividade. A sociedade tem que se apropriar do projeto”.