Para fugir dos blocos, Kandinsky, Rembrandt e Guignard
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Para fugir dos blocos, Kandinsky, Rembrandt e Guignard

Exposições estão em museus do Centro da cidade. Roteiro pode ser feito numa tarde.

Clarissa Thomé

20 de fevereiro de 2015 | 16h42

Expoentes de diferentes escolas artísticas, três pintores têm movimentado os museus da região do centro da cidade – as obras do modernista brasileiro Alberto da Veiga Guignard, do barroco holandês Rembrandt van Rijn e do abstracionista russo Wassily Kandinsky podem ser vistas em três exposições inéditas que já atraíram mais de 160 mil visitantes.

É possível fazer o roteiro completo de uma só vez. Pode-se começar com Rembrandt, no Centro Cultural dos Correios, que abre ao meio-dia, e emendar com Kandinsky, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a poucos passos de distância um do outro. Nesse período de carnaval, as filas extensas que costumam rodear o prédio do CCBB desapareceram. Guignard encerra o passeio cultural, no Museu de Arte do Rio, de onde se tem bela vista do pôr do sol na Baía de Guanabara, e um restaurante, o Mauá, que se inspira no acervo da instituição para criar seus pratos.

A mais badalada das mostras é Kandinsky: tudo começa num ponto. Desde 27 de janeiro até a Quarta-feira de Cinzas, 140 mil pessoas já haviam passado pela exposição. Como já é tradição nas exibições do CCBB, há uma atração interativa – por um equipamento de som e imagem 3D é possível ver o quadro “No Branco” se decompor.

 

Exposição no Centro Cultural Banco do Brasil de Wassily Kandinsky, um artista plástico russo, professor da Bauhaus e introdutor da abstração no campo das artes visuais.

Sala de “imersão interativa”. (Foto: Fabio Motta / Estadão)

 

A exposição reúne mais de 100 peças, entre quadros e objetos pessoais, e é dividida em cinco módulos. Pode-se conhecer obras de artistas que conviveram ou influenciaram Kandinsky (1866-1944), entender as experiências religiosas que o pintor russo viveu, e observar o processo artístico dele até chegar ao abstracionismo.

A mostra, pela primeira vez na América Latina, já passou por Brasília e fica no Rio até 30 de março. Depois segue para São Paulo e Minas Gerais.

 

Exposição no Centro Cultural Banco do Brasil de Wassily Kandinsky, um artista plástico russo, professor da Bauhaus e introdutor da abstração no campo das artes visuais.

“No Branco”, quadro de 1920, de Wassily Kandinsky. (Foto: Fabio Motta/Estadão)

 

No Museu de Arte do Rio (MAR), a influência da cultura chinesa na obra de Guignard (1896-1962) é o mote da exposição Guignard e o Oriente, Entre o Rio e Minas. São mais de cem obras do fluminense, que cresceu em Minas Gerais e passou parte da juventude na Europa. Estão em exibição pinturas, desenhos, objetos, documentos e gravuras.

Destaque para o óleo Noite de São João (1961), em que retrata Ouro Preto enevoada, com igrejas barrocas, montanhas e balões de dimensões parecidas – a falta de perspectiva é um dos sinais da influência oriental. O número de visitantes da exposição não foi divulgado.

 

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“Noite de São João”, pintado por Guignard em 1961 (Foto: Reprodução/Divulgação)

 

Um dos maiores artistas de todos os tempos, Rembrandt (1606-1669) dedicou parte da sua produção artística às gravuras – fez 287. Setenta e oito delas ficam expostas no Rio até este domingo, 22, no Centro Cultural dos Correios. Em Rembrandt e a Figura Bíblica estão 52 gravuras de tema religioso, três paisagens, 11 retratos (quatro autorretratos), três nus, três cenas alegóricas e seis gravuras de temas diversos.

As imagens feitas em água-forte (tipo de ácido para fixar o desenho), buril e ponta-seca (instrumentos para gravar o metal) são milimétricas – uma das menores é um autorretrato, de 69 mm por 60 mm – e ricas em detalhes. Rembrandt reproduziu cenas do cotidiano, como um homem e uma mulher urinando na rua, ou uma mulher amamentando seu filho. As gravuras bíblicas são maioria e mostram passagens como a fuga para o Egito, a ressurreição de Lázaro e a decapitação de João Batista, sempre num jogo de luz e sombras. Entre elas está “Cristo Pregando”, que ficou conhecida como “a gravura dos 100 florins” – depois de vender a obra, Rembrandt decidiu recomprá-la e teria pago os tais 100 florins.

As obras pertencem ao Museu Zorn, da cidade de Mora, na Suécia. A instituição foi criada pelo artista Anders Zorn, morto em 1920, grande colecionador de gravuras de Rembrandt, que reuniu 180 delas. No Rio, as imagens foram vistas por 20.800 pessoas.

 

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Visitantes observam a gravura “Cristo Pregando” (Foto: Fabio Motta / Estadão)

Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
(21) 3808-2020
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.
Gratuito
Kandinsky: tudo começa num ponto – até 30 de março

Museu de Arte do Rio
Praça Mauá, 5, Centro
(21) 3031 2741
Funcionamento: terça-feira, das 10h às 19h. De quarta-feira a domingo, das 10h às 17h.
Preço: R$ 8. Gratuito às terças-feiras.
Guignard e o Oriente, Entre o Rio e Minas – até 26 de abril

Centro Cultural dos Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro
(21) 2253-1580
Funcionamento: de terça-feira a domingo, das 12h às 19h
Gratuito
Rembrandt e a Figura Bíblica – até 22 de fevereiro

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