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PM pede e Beltrame determina reestudo em projeto de pacificação

Implantadas em 2008, UPPs enfrentam crise e Secretaria de Segurança não tem data para unidade da Maré

Carina Bacelar

11 de fevereiro de 2015 | 20h45

Os oficiais que integram a cúpula Polícia Militar (PM) do Rio, empossados em 5 de janeiro deste ano, pediram ao secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, a interrupção temporária da expansão do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) até que seja feita uma análise da política de pacificação, iniciativa pioneira adotada em dezembro de 2008 pelo governo fluminense.

O chefe do Estado Maior da PM, coronel Robson Rodrigues, disse ao Estado considerar que o ritmo da expansão das UPPs estava “muito grande”. “Isso aconteceu. Por isso solicitamos ao secretário que a gente parasse agora, para tentar reformular. A gente tem que aprender, tem que aprimorar”, afirmou Rodrigues.

A reação do secretário Beltrame ao pedido da cúpula da PM foi favorável. Em nota, a Secretaria de Segurança informou que o programa de pacificação passará por “ajustes necessários” após a inauguração da nova UPP prevista, no complexo de favelas da Maré, que engloba bairros da zona norte carioca. Não há ainda data fixada para o início da atuação da Coordenadoria de Polícia Pacificadora na Maré, onde já existe um batalhão convencional da PM.

“O secretário (Beltrame) acordou com o comando da PM (…) que, após a instalação da UPP na Maré, haverá um período de avaliação das 38 UPPs que já estão funcionando”, informa o comunicado da secretaria. Ainda na nota, a Secretaria de Segurança diz que a avaliação das UPPS já implantadas terá como base “um diagnóstico” preparado pelo comando da PM. Questionada pela reportagem, a secretaria não informou quanto tempo durará o período de avaliação mencionado na nota.

Em dezembro do ano passado, o secretário afirmou que a instalação da UPP da Maré ocorrerá a partir de 2 de abril deste ano, em uma ocupação que rotulou como “fatiada” – a pacificação do complexo, dominado por duas facções criminosas rivais e por miliciano, deverá ser em etapas. Já para o próximo segundo semestre, foram anunciadas UPPs nos morros do Juramento e no Chapadão (ambos na zona norte) a partir do segundo semestre desse ano. Essas ocupações, a partir da decisão de parar o projeto até que seja feita a avaliação, poderão não acontecer até o final do ano.

O coronel Rodrigues disse que, a despeito da retomada da violência em favelas tidas como retomadas pelas forças de segurança, “nem tudo está perdido” na política de pacificação. “A melhor forma de aprimorar é com dados”, afirmou. Rodrigues deu detalhes sobre um plano de reformulação na PM, que mudará seu estatuto para que soldados com curso superior possam alcançar o posto de coronel. Outra novidade é a criação do índice de proficiência policial (IPP), que avaliará de forma permanente o desempenho de cada policial.

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