Poluída, praia de São Conrado fica fora da Liga Mundial de Surfe
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Poluída, praia de São Conrado fica fora da Liga Mundial de Surfe

Local seria alternativa para etapa brasileira da WSL que será disputada na Barra da Tijuca, mas organização desistiu da ideia

Marcio Dolzan

30 Abril 2015 | 14h59

Desejada pelos próprios surfistas da Liga Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês), a praia de São Conrado, na zona sul do Rio, não será incluída como alternativa para a etapa brasileira do circuito devido à poluição. O evento está programado para acontecer entre os dias 11 e 22 de maio no Postinho da Barra da Tijuca, na zona oeste. Caso as ondas não estejam adequadas, a alternativa será um outro local da Barra, na altura do Posto 6.

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“O que inviabilizou foi a poluição! A opção de São Conrado como sede de backup é uma solicitação antiga dos próprios surfistas do tour, que nos anos anteriores, quando as condições não estavam favoráveis no Postinho, iam surfar nas ondas de São Conrado e nunca tiveram problemas com a poluição”, conta Xandi Fontes, um dos organizadores da etapa brasileira. “Infelizmente, bastou a gente se interessar e planejar para que a sede de backup fosse lá que os problemas começaram a se agravar.”

São Conrado agrada surfistas, mas poluição da água inviabilizou o local (Foto: Fabio Motta/Estadão)

São Conrado agrada surfistas, mas poluição da água inviabilizou o local (Foto: Fabio Motta/Estadão)

Dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) vêm mostrando reiteradamente que o local apresenta alto índice de coliformes termotolerantes, o que o torna impróprio para banho. A última vez que a praia apresentou condições foi em setembro do ano passado.

Uma série de obras realizadas pela Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) na região deveria ter sido terminada ainda no ano passado, mas a previsão mais otimista aponta para 2016. Para piorar, nas últimas semanas surfistas e moradores têm registrado vazamento de esgoto na água – uma tubulação se rompeu. Além de São Conrado, o sistema capta também o esgoto da favela da Rocinha, uma das maiores da América Latina, com estimados 70 mil habitantes.

“Como a obra que está sendo feita para sanar este problema ainda não foi concluída, e com os últimos rompimentos da tubulação, decidimos em conjunto com a WSL transferir a sede de backup para o meio da Barra da Tijuca, próximo ao Posto 6”, explica Xandi. “Diferentemente do Postinho, o local funciona também com swell de leste em dias de ondulações menores. O lugar já foi inclusive usado como sede principal do mesmo evento.”

Apesar da mudança de alternativa para o Posto 6, Xandi explica que a etapa brasileira não terá nenhum prejuízo. “Estamos usando exatamente a mesma estrutura que estaríamos usando em São Conrado. Apenas tivemos uma correria a mais em nosso cronograma de montagens.”