Projeto monitora tartarugas em Niterói
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Projeto monitora tartarugas em Niterói

Pesquisadores criaram projeto para analisar animais. Cerca de 120 tartarugas moram na praia de Itaipu e sofrem com o lixo

Fabio Grellet

03 de julho de 2015 | 20h12

Tartarugas foram recolhidas para serem pesadas e terem a saúde avaliada, nesta sexta-feira (3), na praia de Itaipu, em Niterói (Região Metropolitana do Rio). Retiradas do mar com redes inofensivas, elas foram devolvidas depois de analisadas.

A iniciativa se repete a cada dois meses, por iniciativa do Projeto Aruanã, criado em 2003 por alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF) e sediado no Laboratório Biologia do Nécton e Ecologia Pesqueira (Ecopesca) do Departamento de Biologia Marinha do Instituto de Biologia da universidade. O projeto ganhou a forma atual em 2012 e atualmente, além do monitoramento das tartarugas, promove atividades de conscientização ambiental.

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Pesquisadores do Projeto Aruanã analisam tartarugas recolhidas no mar da praia de Itaipu (Foto: Fábio Motta/Estadão)

Já foram catalogadas cerca de 120 tartarugas, que receberam grampos metálicos inofensivos para permitir a identificação dos animais. Essa é a população residente na praia de Itaipu, segundo a bióloga Suzana Guimarães, secretária-executiva do projeto e mestre em biologia marinha. Ela vai usar dados do estudo em seu projeto de doutorado.

“As tartarugas chegam a Itaipu vindos dos mais variados lugares, até do Caribe. Escolhem as praias onde há mais alimento e lugar para se abrigar. Itaipu tem águas calmas, e essas (cerca de 120) moram ali”, conta a bióloga. “Quando se aproximam da idade adulta, entre 25 e 30 anos, elas voltam aos lugares onde nasceram, para se reproduzir”.

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Cerca de 120 tartarugas são monitoradas pelos biólogos (Foto: Fábio Motta/Estadão)

Suzana ainda está tabulando os dados de sua pesquisa, mas já constatou que a interação com o lixo é uma das principais causas de morte das tartarugas. “Elas comem o lixo e às vezes conseguem expeli-lo, mas outras acabam adoecendo e morrendo”, diz a bióloga. “Mesmo quando não comem o lixo, a proximidade com ele já pode ser fatal. Já cheguei a ver tartaruga que morreu depois de se envolver em saco plástico e não conseguir mais sair, e outras que encaixaram as nadadeiras em pneus e ficaram presas”, narra.

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As tartarugas costumam ficar em Itaipu dos 5 aos 25 ou 30 anos, quando voltam ao local onde nasceram para se reproduzir (Foto: Fábio Motta/Estadão)

O Projeto Aruanã não tem nenhum apoio financeiro permanente. Para custear suas atividades, os pesquisadores já recorreram a “vaquinha” pela internet, por meio da qual conseguiram R$ 6.000, em 2014. “Estamos negociando com as prefeituras de Niterói e Maricá”, conta Suzana.