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PSOL deve expulsar deputado que propôs PEC religiosa

Diretório Nacional se reúne no sábado para excluir Cabo Daciolo , que quer que Carta diga que poder "emana de Deus"

Redação

14 Maio 2015 | 18h53

O deputado Cabo Daciolo (RJ) deverá ser expulso do PSOL no próximo sábado, 16. O julgamento será feito pelo Diretório Nacional, em Brasília, com base em parecer da Comissão de Ética do partido.

Como o deputado reafirmou as suas posições que ensejaram o pedido de verificação de quebra da fidelidade partidária, a possibilidade de expulsão é bastante grande”, afirmou o presidente nacional do PSOL, Luiz Araújo. Procurado pela reportagem nesta quinta-feira, 14, Daciolo não deu entrevista.

Bombeiro militar e evangélico, o parlamentar já havia sido suspenso pelo partido em 26 de março, depois de ter apresentado projeto para alterar a Constituição Federal, trocando “povo” por “Deus” na frase “Todo o poder emana do povo”. Daciolo também foi repreendido no PSOL por defender PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Favela Rocinha acusados de torturar, matar e sumir com o corpo do pedreiro Amarildo de Souza, em julho de 2013.

O presidente nacional do PSOL disse que, caso seja aprovada a expulsão, o partido não deverá pedir o mandato – Daciolo é um dos cinco deputados federais da bancada. “Essa é a posição inicial da Executiva.”

O julgamento será realizado com a presença do deputado e dos 62 integrantes do Diretório Nacional, a partir das 15 horas de sábado. “Como não teve nenhum fato novo que pudesse levar à revisão, a tendência é que a comissão apresente parecer pela expulsão e que o diretório confirme.”

Para Luiz Araújo, “se consolidou uma divergência programática séria” entre o partido e Daciolo. “Ele é uma pessoa que tem potencial, que despontou na greve dos bombeiros, mas tem assumido postura messiânica que é incompatível com o partido.”

O presidente do PSOL disse que a legenda defende o Estado laico e que a liberdade de expressão não está em jogo. “Partido é uma opção, ninguém é obrigado a pertencer a um partido. No momento em que decide pertencer, concorda com o programa e precisa ser coerente.”

Na defesa que apresentou à Comissão de Ética, Daciolo argumentou que seu projeto para mudar a Constituição não contraria a laicidade do Estado. Em relação ao caso Amarildo, disse que os policiais acusados e denunciados pelo Ministério Público, entre eles o então comandante da UPP, “estão sendo injustiçados”. “Não tem coerência nenhuma. É difícil o diálogo porque os argumentos dele não são muito racionais”, disse o presidente da legenda.

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