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‘Rio gastará em estádio 1% da despesa de saúde e educação’, diz Paes

Depois de assumir despesas da União e do Estado de olho nos Jogos, prefeito diz que endividamento da cidade está sob controle

Luciana Nunes Leal

19 Janeiro 2016 | 10h41

Preocupado em preparar a cidade para a Olimpíada, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) adiantou pagamentos que cabiam à União. A prefeitura deu R$ 90 milhões para obras na Barra da Tijuca e em Deodoro (zona oeste) e R$ 80 milhões para as obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que ligará a Rodoviária ao Aeroporto Santos Dumont. O município também assumiu dois hospitais estaduais, depois do colapso na saúde do Estado que marcou o fim de 2015. Os gastos contrastam com a crise do Estado do Rio e se dão em um ambiente de crescimento das dívidas da cidade. De 2011 a agosto de 2015 (último dado disponível), os débitos foram de R$ 6,831 bilhões (cifras corrigidas) a R$ 11,325 bilhões.O quadro, porém, não preocupa o prefeito: as ações encerram um cálculo político. Deixar a cidade preparada para os Jogos Olímpicos é fundamental para os planos de Paes de fazer o sucessor e disputar futuras eleições, provavelmente para governador.

Em conversa com o Blog Estadão Rio, o prefeito diz que ainda não fechou as contas, mas espera gastar menos que os R$ 500 milhões previstos anteriormente com os dois hospitais. Reconhece que levou “uma pancada” com o gasto extra. Ele defende o aumento do endividamento do município para financiar obras de urbanização, mobilidade, além de reduzir a dívida com a União. Diz que seu sucessor terá margem para novos empréstimos, sem comprometimento excessivo da receita.  De qualquer maneira, avalia que no fim de 2015 tinha R$ 170 milhões a receber do governo federal. As dívidas da prefeitura. apesar de crescentes, estavam em 58,69% da Receita Corrente Líquida da cidade nos últimos balanços disponíveis. O limite ainda é considerado confortável, sobretudo na comparação com o Estado, cujos débitos chegaram, em agosto de 2015, a R$ 93,5 bilhões, equivalentes a 186% da receita corrente líquida.

Paes e Pezão (PMDB): situações contrastantes (Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO)

Sob o seu governo, o endividamento do Rio cresceu em valor absoluto e em proporção na receita. Não vai criar um problema no futuro?

Tudo o que fizemos foi olhando para o futuro, para garantir sustentabilidade. A proporção da dívida em relação à receita é muito abaixo dos 120% que a lei fixou. A dívida do Rio no passado já foi 80% da receita, vai cair para 30% este ano, porque quitamos a dívida com a União. Essa questão está resolvida. Meu sucessor terá uma capacidade de endividamento muito grande. Utilizei as oportunidades que tive, a Copa e a Olimpíada foram motivo para pegar financiamento. Pago em serviço da dívida de menos de 4% do orçamento, do ponto de vista fiscal o Rio está saudável.

O cenário para este ano é de retração econômica, arrecadação em queda. Como ficam a finanças em 2016?

Tivemos uma frustração de receita tributária grande, porque projetamos o orçamento de 2015 em 2014, não tinha uma crise tão grave. O que eu faço é cortar o tempo todo. O governo gera gordura, gastos desnecessários. Estou fazendo cortes, como todo ano. Não durmo à noite se não tiver uma reserva de caixa. Este ano já tomei esta pancada com os hospitais (do Estado assumidos pela prefeitura).

O município tem condição de arcar com gastos do Estado, como fez ao assumir dois hospitais? De onde vão sair os recursos?

É claro que eu faria mais praças, colocaria mais asfalto, fiz uma opção, não podia deixar os hospitais daquela maneira. Politicamente, era mais fácil colocar mais asfalto e luz nas ruas, mas não podia deixar os hospitais daquela forma.

Politicamente também não é interessante para o senhor o caos na saúde do Estado nem o atraso nas obras em que a União tem participação. Leva isso em conta?

Sempre penso politicamente. Fiz as contas: em oito anos, a prefeitura do Rio terá gasto R$ 65 bilhões em saúde e educação. Em estádios, gastou R$ 655 milhões, 1% disso. Em várias obras, não há um tostão de dinheiro público.