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Rio não cumpre promessa de reflorestamento

Ambiente anunciou, em 2012, 34 milhões de mudas até Olimpíada; programa foi "reformulado" e só 15% da meta já foi cumprida

Redação

16 Março 2015 | 16h38

Nos últimos sete anos, apenas dois milhões de mudas foram plantadas para a recuperação de matas ciliares dos rios Guandu e Macacu, segundo balanço oficial divulgado nesta segunda-feira, 16, pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). Os dois rios abastecem cerca de 11 milhões de pessoas na região metropolitana do Estado do Rio.

No fim de janeiro, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) anunciou um novo programa de reflorestamento das margens do Guandu e do Paraíba do Sul. O plano prevê investimentos de R$ 53 milhões em ações que também deverão beneficiar cerca de 13 mil pequenos produtores rurais, principalmente no norte e noroeste fluminense, os mais afetados pela estiagem.

“Deveríamos aproveitar a crise hídrica para começar a resolver questões como o saneamento dos rios e o reflorestamento da bacia, que está devastada”, afirmou na ocasião a vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), Vera Lúcia Teixeira.

O projeto de reflorestamento estadual utiliza mudas cultivadas em cinco viveiros da Cedae, que afirma usar mão de obra de detentos em regime semiaberto e aberto. De acordo com a empresa, eles “atuam de forma remunerada e realizam capacitação de mil horas/aula na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro”.

Metas – Em 2012, o então secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, apresentou como meta para a Olimpíada de 2016 o plantio de 34 milhões de árvores. Segundo ele, as mudas de espécies nativas da Mata Atlântica compensariam as emissões de gases de efeito estufa com a realização dos Jogos. No entanto, apenas 5 milhões de árvores (14,7%) foram plantadas até agora, segundo o último balanço oficial.

Em nota, a secretaria do Ambiente alega que a meta constava no dossiê de candidatura do Rio a sede da Olimpíada e que “àquela altura, não havia uma referência confiável da pegada de carbono dos Jogos”. “No atual cenário, o Estado do Rio é responsável pela compensação de 1,6 milhão de toneladas de carbono dos Jogos, correspondentes às emissões da construção de instalações esportivas e obras de infraestrutura”, acrescenta a nota. O órgão ambiental sustenta que “desse total, já existe o trabalho de compensação de cerca de 50%, aproximadamente 800 mil toneladas de carbono equivalente, com o plantio de árvores”.

O número corresponde à recuperação de 2.500 hectares, com o plantio de cerca de 5 milhões de árvores desde outubro de 2009, afirma a secretaria. “Esses plantios vêm sendo feitos em terras públicas e a maioria em terras privadas. Os municípios abrangidos são Rio Claro, Magé, Silva Jardim, Santa Maria Madalena, Porciúncula, Valença, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Rio Bonito, São João da Barra, Campos, Cachoeiras de Macacu, Itaboraí e Miguel Pereira.”

Em 2007, a prefeitura do Rio já havia se comprometido em reflorestar áreas degradadas do Maciço da Pedra Branca, na zona oeste, para os Jogos Pan-americanos, mas não plantou uma semente sequer.

Outro exemplo de fracasso no cumprimento de programas ambientais de reflorestamento no Rio envolve a Petrobrás. Em 2011, a empresa foi obrigada a compensar danos ao meio ambiente causados pela obra de construção do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), projeto bilionário da Petrobrás em Itaboraí, na região metropolitana.

O termo de compromisso previa o plantio de mudas nativas de Mata Atlântica em uma área de 4.584 hectares, maior que o Parque Nacional da Floresta da Tijuca. No entanto, segundo o último balanço oficial divulgado, a recomposição havia atingido apenas um trecho de 500 hectares.

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