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Rio tem surto de caxumba e casos superam os de 2014

Prefeitura investiga morte de estudante de 14 anos. Escola em que menina estudava teve 44 casos suspeitos em menos de dois meses

Clarissa Thomé

08 de julho de 2015 | 19h15

A Secretaria Municipal de Saúde investiga se uma estudante de 14 anos morreu em complicações de caxumba. O número de registros da doença este ano superou o de 2014 – 606 casos até anteontem, contra 561 em todo o ano passado. Só a prefeitura do Rio mapeou 30 pontos de surto na Barra da Tijuca (zona oeste), bairros da zona sul e Centro. Também houve notificações nas cidades de Niterói e Nova Iguaçu, na Região Metropolitana.

Juliana de Freitas Guedes foi internada em hospital particular na Barra da Tijuca com sintomas de encefalite (inflamação aguda no cérebro, desencadeada por infecção provocada por vírus ou bactéria). O corpo da adolescente foi enterrado anteontem no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. A secretaria investiga se a morte ocorreu em decorrência de complicações da caxumba. Os exames laboratoriais não ficaram prontos.

Na escola em que Juliana cursava o 1.º ano do ensino médio, houve 44 casos suspeitos da doença desde 21 de maio. A instituição tem sido acompanhada por profissionais da prefeitura, que orientaram o afastamento de alunos e funcionários com sintomas como febre, calafrios, dores musculares, de cabeça e ao mastigar ou engolir, além de fraqueza. Outras escolas da Barra também tiveram alunos com caxumba.

“A caxumba é uma doença endêmica e sua incidência aumenta no inverno. A grande maioria das pessoas contaminadas não estava vacinada para caxumba”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz. “Estamos alertando a população a checar sua carteira de vacinação e a procurar os postos de saúde caso não tenha recebido duas doses da vacina.”

A vacina contra caxumba passou a ser fornecida gratuitamente nos postos de saúde a partir de 2002, quando entrou no calendário do Programa Nacional de Imunização, lembra a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai. “Muitos adultos jovens não receberam as duas doses que deveriam.”

Além disso, alguns Estados usaram a vacina dupla viral (rubéola e sarampo) nas campanhas para vacinação contra rubéola em vez da tríplice viral, que combina também a caxumba.

“As poucas pessoas não vacinadas com as duas doses que garantem a imunização mais aquelas que não se vacinaram fazem um número grande de suscetíveis e podem levar a surto até entre as pessoas já vacinadas. A gente reforça a importância da cobertura vacinal. Isso evita surtos como esse”, afirmou Isabella.

A recomendação da SBIm é que as pessoas que não receberam a vacina tríplice viral (ou não sabem se foram vacinadas) devem tomar duas doses, com intervalo de um mês entre elas. As que receberam a primeira dose, devem tomar a segunda. Isabella lembra que a caxumba é virose benigna. “Muito raramente leva a complicações como a encefalite”, afirmou.