As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Roberto Jefferson vai se casar em cerimônia com poucos políticos

Ex-deputado, que cumpre prisão domiciliar desde 16 de maio, ensaia as músicas que cantará para a noiva, com quem vive há 13 anos

Luciana Nunes Leal

26 Maio 2015 | 19h38

Em prisão domiciliar desde 16 de maio, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que há dez anos denunciou o esquema do mensalão, recebeu a autorização que faltava, da Vara de Execuções Penais (VEP), e se casará na próxima sexta-feira, 29, na Ilha de Capri, casa de festas em Três Rios, a 123 quilômetros da capital. 

Nesta terça-feira, 26, o noivo aproveitou a hora do almoço para ensaiar as músicas que cantará na cerimônia, conduzida por juíza de paz. Para a entrada da noiva, a enfermeira Ana Lúcia Novaes, de 46 anos, com quem Jefferson vive há 13, o ex-deputado escolheu “Fascinação”. Na bênção das alianças, “Dio come ti amo”. É o segundo casamento de Jefferson, de 61 anos. “Na hora de cantar, não posso olhar para Ana, tenho que ir até o fim”, brincou o cantor amador.

Por causa do casamento, Jefferson teve permissão judicial para passar quatro dias, de amanhã a domingo, em Comendador Levy Gasparian, cidade de Ana Lúcia, onde eles têm uma casa de veraneio. “Marcamos a data do casamento, mas sabíamos que podia ser adiado. Quando, na semana passada, o Ministério Público deu parecer favorável, ficamos tranquilos. Ontem saiu a autorização do doutor Eduardo Oberg (juiz titular da VEP)”, conta Jefferson.

Condenado a 7 anos e 14 dias de prisão, o presidente de honra do PTB cumpriu oito meses em regime fechado em presídio em Niterói (cidade na região metropolitana), passou ao semi aberto e chegou à prisão domiciliar, sem uso de tornozeleira eletrônica. Tem obrigação de se apresentar uma vez por mês à VEP. Não pode sair à noite, frequentar reuniões públicas e encontros partidários. Também está proibido de ingerir bebida alcoólica, mas não bebe há dez anos.

“Queremos celebrar o nosso amor, merecemos esse momento único depois de tudo que passamos. Tenho o noivo que toda mulher gostaria de ter”, disse Ana Lúcia, entre preparativos de última hora. “Chamamos os amigos mais chegados. Casamento é coisa mais íntima, espero curtir a festa. Se você convida muita gente, não consegue aproveitar”, afirmou a noiva, que usará “um vestido leve, de campo, já que o casamento é de manhã”. Após a cerimônia, haverá almoço.

Foram distribuídos 180 convites. São esperadas 300 pessoas. Embora estime o gasto da festa em R$ 100 mil, Jefferson não gosta do cálculo. “Não é possível precificar o meu amor”, reclamou. “Ana é muito especial, viveu comigo os momentos mais difíceis da minha vida. Foram dez anos de dificuldades. Quero dar meu nome à mulher que amo”, disse ele, que conheceu-a em Levy Gasparian, onde o irmão de Ana Lúcia, Marcelino, presidia o PTB municipal.

Entre os poucos políticos convidados estão o deputado federal Benito Gama (PTB-BA) e o estadual Campos Machado, presidente do PTB de São Paulo, além da presidente nacional do partido, deputada Cristiane Brasil (RJ), filha de Jefferson. “Temos famílias muito grandes. Serão parentes e amigos que consideramos irmãos”, diz o petebista,que teve o mandato de deputado cassado em setembro de 2005.

Jefferson alugou apartamento na Barra da Tijuca (zona oeste) e trabalha em escritório de advocacia no centro do Rio. Diz que vive com a aposentadoria de deputado, de R$ 25 mil mensais, “de maneira confortável, com o padrão de classe média alta”. Ana tem empresa de consultoria.

O ex-deputado, que já controlava a alimentação desde cirurgia de redução do estômago em 2000, segue dieta rigorosa, consequência da operação para retirar um câncer no pâncreas, em 2012. Jefferson toma 23 comprimidos por dia. Conta que, na prisão, teve oito infecções. Na política, diz que passou o bastão a Cristiane. “Acho que nem tenho saúde para isso.”

 

Mais conteúdo sobre:

mensalãoPTBRoberto Jefferson