Ronaldinho Gaúcho no Vasco e a espera pelas caixas de som
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Ronaldinho Gaúcho no Vasco e a espera pelas caixas de som

Eurico Miranda anuncia que contratação do jogador está encaminhada, mas isso não quer dizer muita coisa

Marcio Dolzan

22 de junho de 2015 | 14h15

Uma operação frustrada entrou para o folclore do futebol gaúcho nos primeiros dias de 2011. Então presidente do Grêmio, Paulo Odone estava muito animado – e convicto – com a contratação de Ronaldinho pelo tricolor gaúcho. A concretização do negócio entraria para a bíblia do futebol como o retorno do filho pródigo à casa onde ele nasceu para o esporte bretão. Tanto que o Odone mandou instalar caixas de som extras no estádio Olímpico para a festa de recepção do craque.

Aqui, um parêntese. Ronaldinho despontou para o futebol em 1999. Habilidoso e ousado, ganhou notoriedade naquele ano por dois lances emblemáticos. Um deles foi o chapéu no Dunga, capitão do Internacional, na segunda partida da final do Campeonato Gaúcho. O outro foi um chapéu num marcador venezuelano que terminou em gol durante a Copa América.

Sim, houve um tempo em que jogadores brasileiros davam chapéus em jogadores venezuelanos.

Ronaldinho Gaúcho negocia com o Vasco e, segundo Eurico Miranda, está animado (Foto: Fabio Motta)

Ronaldinho Gaúcho negocia com o Vasco e, segundo Eurico Miranda, está animado com a possibilidade de jogar em São Januário (Foto: Fabio Motta/Estadão)

Mas o chapéu maior de todos o Ronaldinho daria em 2001. Maior promessa do futebol brasileiro, ele despertou a cobiça de clubes europeus. O Grêmio fez uma proposta milionária para que ele permanecesse. E a proposta era tão tentadora que o presidente do clube naquele ano, José Alberto Guerreiro, decidiu instalar uma faixa no portão de acesso ao estádio Olímpico: “Não vendemos craques. Favor não insistir”, dizia o cartaz. Logo abaixo, a frase era traduzida para o inglês.

Óbvio que era uma faixa para inglês ver.

Sim, porque o tricolor gaúcho acabou não vendendo mesmo: o Ronaldinho saiu (quase) de graça. O empresário e irmão do jogador, Roberto de Assis Moreira, negociou diretamente com o Paris Saint-Germain após a sanção da nova Lei do Passe – que, basicamente, extinguiu o passe, veja só – e o Ronaldinho foi jogar no PSG. O Grêmio teve que se contentar com uma indenizaçãozinha marota.

Fechando o parêntese. Aconteceu que, naqueles primeiros dias de 2011, estava tudo alinhavado para o craque voltar ao Grêmio. O negócio estava acertado com o Assis e a torcida estava mobilizada pelo retorno, porque sabia que um dia ele iria retornar e pagar seu débito (?) com o clube. E anunciaria sua volta às origens aos quatro ventos em caixas de som exclusivas.

Mas não rolou. No Rio, o Ronaldinho reuniu a imprensa para dizer que “agora eu sou Mengão!”. No sul, só restou ao Paulo Odone mandar recolher as caixas de som e entrar para o folclore.

Agora, anuncia-se que o Vasco está para fechar com o Ronaldinho. Diz o presidente do clube, Eurico Miranda, que “está 90% concretizado”, que ele já conversou pessoalmente com o jogador e que está fechando a parte financeira com o Assis. Mas ponderou o Eurico, um dirigente bastante afeito a ponderações: “Quando você constrói um prédio, se está faltando 10% é porque não foi liberado para morar”.

Nem para instalar as caixas de som.

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