Samba do trabalhador, de Moacyr Luz, comemora dez anos
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Samba do trabalhador, de Moacyr Luz, comemora dez anos

Há oito meses presente também em São Paulo, roda será tema de livro e lança novo CD; 'faria tudo de novo', diz compositor

Roberta Pennafort

16 Março 2015 | 17h30

Moacyr Luz (de chapéu) no Samba do Trabalhador com Beth Carvalho (Foto: Marcos de Paulo/Estadão)

Moacyr Luz (de chapéu) no Samba do Trabalhador com Beth Carvalho (Foto: Marcos de Paula/Estadão)

 

“Eu faria tudo de novo”, diz o compositor Moacyr Luz ao comemorar os dez anos do Samba do Trabalhador, criado por ele e amigos. A roda de samba das segundas-feiras no Clube Renascença, no Andaraí, zona norte do Rio, começou despretensioso, gratuito e com músicos tocando sem amplificação e cantando sem microfone. Passada a primeira década, profissionalizou-se, abriu frente em São Paulo, será tema de livro e vai lançar um terceiro CD.

Os encontros começaram em maio de 2005. Para quem trabalha fazendo shows e viajando aos fins de semana, segunda-feira é dia de ver os amigos, tomar cerveja e tocar sem compromisso. Moacyr Luz reuniu os seus e logo a roda gerou boca-a-boca. Eram 50 pessoas, depois 100, 500, 1.000, com picos de 3.000. Seis meses depois, o grupo percebeu que não dava para continuar sem infraestrutura. Passou a cobrar R$ 15 de ingresso e, com isso, melhorou o atendimento ao público.

A festa pela efeméride será no dia 1º de maio, que cairá numa sexta-feira. O novo CD, independente, deve ser lançado na ocasião. São doze composições, sendo onze de Luz, com parceiros como Nei Lopes, Paulo Cesar Pinheiro e jovens compositores. O livro ainda está sendo gestado.

“O Samba do trabalhador é uma coisa bem carioca. Não havia o menor conceito de marketing, não foi um projeto pensado, havia era a vontade de encontrar os amigos. Quando a história se transformou num fenômeno, colocamos segurança, equipamento de som, bombeiro. Hoje cobramos R$ 15, o que é bem justo, por ser das 16h30/17 horas às 22 horas”, acredita Luz. “O pessoal prestigia. Tivemos participações de Teresa Cristina, Zélia Duncan, Leila Pinheiro, Monarco, Arlindo Cruz, Dudu Nobre. Hoje, vem o Wilson das Neves”, ele conta. O grupo tem oito músicos, dos quais cinco que vêm juntos desde 2005; os demais já contam quatro anos na roda.

Em São Paulo, tudo é feito “em nome da causa” do samba.Cada um paga sua passagem de avião, aproveitando promoções das companhias aéreas. O Traço de União, em Pinheiros, recebe os músicos na primeira terça-feira do mês – a próxima é dia 7 de abril. O valor é R$ 30. “O dinheiro que a gente ganha é o reconhecimento do trabalho. Parece uma coisa dos antigos sonhadores, de poeta tuberculoso, mas você construir um repertório sem a necessidade de tocar em rádio, ouvir as pessoas cantarem, isso é um trabalho hercúleo, mas que vale a pena. Estamos curtindo muito esses dez anos, não foi fácil chegar aqui”.

 

Clube Renascença

Toda segunda-feira, às 15h30. Rua Barão de São Francisco, 54, Andaraí. Telefone: 21-3253-2322. Ingresso: R$ 15

Traço de União

Primeira terça-feira do mês, às 19 horas. Rua Cláudia Soares, 73, Pinheiros. Telefone: 11-3031-8065. Ingresso: R$ 30