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Só perdoo assassino se devolver meu filho vivo, diz mãe de Eduardo

Terezinha Maria de Jesus afirma ter reconhecido, durante reconstituição da Polícia, homem que matou menino no Alemão

Carina Bacelar

20 de abril de 2015 | 11h47

Após ter visto novamente o policial que teria matado seu filho na reconstituição promovida pela Polícia Civil na última sexta-feira, 17, a mãe de Eduardo Ferreira de Jesus, morto aos 10 anos, afirmou que só perdoaria o PM se ele trouxesse “seu filho de volta”. Ao Estado, Terezinha Maria de Jesus, de 40 anos, disse  que o policial que acusa de ter disparado contra Eduardo é um “monstro”.
“Eu quero fazer duas perguntas a ele: a primeira é se ele não tem filhos, se ele não é pai”, afirmou. “Aí eu vou fazer a segunda pergunta a ele: se perdoá-lo traria meu filho de volta. Se ele tiver condição de trazer meu filho de volta, eu perdoo. Ele é um monstro. O que fez não tem perdão”, desabafou Terezinha, que relatou ainda não foi informada pela Polícia Civil sobre uma possível data para o reconhecimento do soldado.
Ela contou ter reconhecido imediatamente um dos onze PMs que participaram de reprodução simulada, apesar de todos eles terem usado capuz preto. “Foi horrível. Eu cheguei a ver porque foi ele que disse que poderia me matar assim como matou meu filho”, contou. “Vi pela touca, ele é um negro, alto. Foi muito doloroso”, recordou a mãe de Eduardo.
Ao todo, dois PMs da Unidade de Polícia Pacificadora do Alemão admitiram ter disparado na ação ocorrida no dia 2 de abril, na localidade do Areal. Um deles, que prestou depoimento à Delegacia de Homicídios na última terça-feira, 14, é considerado o principal suspeito. Segundo a defesa dos PMs, ele efetuou um único disparo naquela ocasião, mas não admitiu que tenha atingido Eduardo. Para Terezinha, que tem usado calmantes para suportar a perda do filho, o retorno ao Complexo do Alemão e ao local da tragédia foi “doloroso”.
“Foi muito ruim, muito doloroso. Quando eu cheguei perto de casa,  desabei no choro, não aguentei”. Desde que voltou , na última quinta-feira, 16, do Piauí, onde o corpo de Eduardo foi enterrado, a família não está na favela.
Terezinha foi uma das testemunhas ouvidas pelos investigadores da Delegacia de Homicídios da capital fluminense durante a reconstituição.A irmã de Eduardo, de 14 anos, também participou da reprodução simulada. De acordo com o delegado titular da especializada, Rivaldo Barbosa, foram remontadas com os policiais as condições de luminosidade e temperatura verificadas no exato momento em que Eduardo foi baleado, às 17h30. Os peritos têm um prazo de 15 a 45 dias para oferecer aos investigadores um laudo sobre a reprodução simulada.

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