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Tipo de vírus da dengue pode determinar epidemia no Rio

Número de casos é muito maior do que em 2014, mas maioria da população está imunizada contra tipo mais comum de vírus

Fabio Grellet

21 Setembro 2015 | 20h27

Neste ano, 17 pessoas já morreram de dengue no Estado do Rio de Janeiro, que registrou 54.268 casos suspeitos da doença até 12 de setembro, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Até 31 de agosto houve 52.256 casos – no mesmo período, em 2014, haviam sido registrados 6.378 casos.

 

O aumento de casos (apesar da queda, na comparação mês a mês, a partir de junho) e o calor dos últimos dias no Rio ampliam o temor de que ocorra outra grande epidemia da doença no próximo verão. Mas a secretaria de Saúde, que monitora constantemente a situação, acredita que a incidência pode não se agravar muito. “Estamos sempre prontos para uma grande epidemia, e cobramos que todos os municípios tenham planos para o caso de o número de casos aumentar significativamente”, conta Alexandre Chieppe, subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde.

 

Existem quatro tipos de vírus causadores da dengue, e quem contrai a doença uma vez se torna imune àquele tipo de vírus, mas pode ser contaminado pelos outros três.

 

Devido às condições de transmissão, um tipo de vírus costuma ser predominante em uma população durante ciclos que variam de três a cinco anos. Depois disso, como a maioria da pessoas estará imunizada contra aquele tipo de vírus, é outro que passará a causar a doença com frequência.

 

Atualmente, o vírus circulante no Rio é o tipo 1, segundo Chieppe. Na maioria das cidades fluminenses esse tipo não é novo, por isso a chance de causar uma epidemia é considerada pequena. “Ainda não sabemos se essa predominância verificada até agora vai continuar ao longo do ano. Pode ser que mude, mas, se continuar, a incidência da dengue será menos grave. Algumas cidades (do Estado do Rio) não tiveram contato recente com esse tipo, então é possível que haja concentração de casos nesses lugares. Mas será uma situação pontual, não deve ocorrer uma epidemia generalizada”, avalia o subsecretário.

 

Conforme Chieppe, o vírus 2 foi predominante na maior parte do Estado do Rio em 2008 e 2009, o vírus 3 em 2001 a 2004 e o vírus 4 é mais recente, tendo circulado entre 2013 e 2014.

 

Precaução. O subsecretário divide a responsabilidade pelo combate à doença entre o Poder Público e a população. “É inegável a responsabilidade do governo, mas é impossível fiscalizar com a frequência necessária. A população já sabe dos riscos da doença e como evitá-la, mas nem sempre toma as providências necessárias. E uma pessoa que mantenha um criadouro (do mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença) em casa pode contaminar pelo menos o quarteirão inteiro”, alerta.

Número de casos

2015
Janeiro = 2.634
Fevereiro = 4.060           
Março = 10.301
Abril = 12.210   
Maio = 12.931  
Junho = 6.304   
Julho = 2.312    
Agosto = 1.504

2014
Janeiro = 1.581
Fevereiro = 982               
Março = 894      
Abril = 805         
Maio = 785        
Junho = 523      
Julho = 392        
Agosto = 416    
Setembro = 434              
Outubro = 420 
Novembro = 322            
Dezembro = 265