Uma disputa com cinco favoritas: carnaval é o vencedor na Sapucaí
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Uma disputa com cinco favoritas: carnaval é o vencedor na Sapucaí

Beija-Flor, Salgueiro, Imperatriz, Unidos da Tijuca e Portela podem sair hoje do Sambódromo com o título de campeã do Carnaval 2015

Roberta Pennafort

18 de fevereiro de 2015 | 13h14

testeira-carnaval2015

Cinco escolas de samba chegam hoje à apuração das notas dos jurados com chances reais de vitória. Ninguém há de clamar por justiça se Beija-Flor, Salgueiro, Imperatriz, Unidos da Tijuca ou Portela saírem da Apoteose com o título de 2015. Mas os motivos do favoritismo de cada uma diferem.

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A Beija-Flor desfilou com apoio da Guiné Equatorial (Foto: Marcos Arcoverde/Estadão)

Turbinada por uma fortuna suja da ditadura da Guiné Equatorial, obscuro país da África Ocidental (fala-se em R$ 10 milhões), a Beija-Flor mostrou a habitual opulência, com carros alegóricos impressionantes pelas dimensões e perfeição. A gigante de Nilópolis chegou mordida ao sambódromo, por causa da sétima colocação de 2014, e deu o costumeiro show de competência.Ao falar de Minas Gerais, um tema surrado, o Salgueiro, que conta com Renato Lage (em parceria com a mulher, Marcia Lage), o melhor carnavalesco da atualidade, também se destacou pela plástica impecável. Teve luxo e teve criatividade mesmo levando índios e escravos à avenida, personagens que abundam todo carnaval.

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Salgueiro inovou em tema tradicional (Foto: Marcos de Paula/Estadão)

A Imperatriz, que também falou de um assunto batido, a África, e ainda desfilou imediatamente depois da Beija-Flor, conseguiu dar novas cores a animais, à vegetação e a rituais tribais. Poderia ser cansativo, mas foi uma bênção para os olhos.

Desacreditada, a atual campeã, a Unidos da Tijuca, provou que tem fôlego sem Paulo Barros, o carnavalesco que lhe deu o troféu de 2014 e mais dois (2010 e 2012). A escola, falando da Suíça e de Clovis Bornay, foi inventiva e teve humor, ao usar personagens pop, como os do filme “A fantástica fábrica de chocolate” (talvez um legado de Barros) e fazer nevar na Sapucaí – um “fenômeno”, se não inédito, sempre arrebatador.

Por fim, a Portela foi a responsável pela maior emoção do ano, com um desfile embalado pelo samba mais popular, e precedido por paraquedistas lançados no meio da avenida, algo nunca visto em nove décadas de desfiles. Se seu visual não esteve à altura das concorrentes, a escola, que celebrou os 450 anos do Rio, apostou em sua vocação: emocionar. Se fosse preciso escolher uma única imagem para ficar como marco do espetáculo de 2015, seria a da águia-Cristo da Portela. Com 22 metros de altura, a escultura foi baixada próximo à Apoteose para poder passar sob a torre de fotografia, e o que se viu foi uma reverência ao público, um agradecimento pelos gritos de “é campeã”.

(Vídeo: Fábio Motta/Estadão)

Foi um desfile de ótimo nível, em que não se viram grandes incidentes nem motivos para constrangimentos. Vença quem vencer, quem sai ganhando é o carnaval.

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