Vila histórica é reformada para abrigar escritórios na Glória
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Vila histórica é reformada para abrigar escritórios na Glória

Conjunto de 10 sobrados foi construído entre 1908 e 1910 em estilo eclético. Durante a reforma, arqueólogos encontraram caminho utilizado por dom Pedro I para se encontrar com amante

Redação

11 Agosto 2015 | 15h58

Após anos de abandono em péssimas condições, a histórica Villa Aymoré, conjunto de casas construídas entre 1908 e 1910 na Glória, na zona sul do Rio, passou por um amplo processo de reforma e abrigará um empreendimento comercial. A Villa Aymoré também será sede da Casa Cor Rio, de 1º de setembro a 4 de outubro.

Construídos em estilo eclético, popular na Europa no século 19, os casarões são tombados pelo município e incluídos na Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) da Glória e do Catete desde 2005. As fachadas originais em cor ocre dos casarões foram mantidas e o piso de ladrilho hidráulico foi reconstituído. Além do trabalho de retrofit e reforço das estruturas dos sobrados, uma das 10 unidades do conjunto, que havia desabado em 2008, foi reerguida.

Conjunto de 10 sobrados foi construído entre 1908 e 1910 em estilo eclético (Foto: Divulgação)

Conjunto de 10 sobrados foi construído entre 1908 e 1910 em estilo eclético (Foto: Divulgação)

“São imóveis únicos e irreplicáveis no Rio. Isso é o que realmente representa sustentabilidade, dar nova vida a algo que é antigo. Teremos todos os requintes de um empreendimento moderno dentro de uma casca antiga”, afirmou Gustavo Felizzola, sócio da Landmark Properties, que em 2010 comprou a Villa Aymoré da família Maria José de Seabra.

Com investimentos de R$ 50 milhões, a reforma também aproveitou estruturas originais dos sobrados, como pisos, forros, portas, janelas e escadas. “Havia uma quantidade muito grande de madeira nobre jogada, que iria para o lixo, além de calhas de água em cobre, o que hoje custa uma fortuna no mercado. Não basta reformar, tem que consertar o que já está lá”, disse Felizzola.

Fachadas foram mantidas com as características originais (Foto: Divulgação)

Fachadas foram mantidas com as características originais (Foto: Divulgação)

Os casarões têm entre 230 e 700 metros quadrados, com pé-direito mínimo de 3,80 metros. Na época de sua construção, cada um dos sobrados recebeu um nome indígena (Guarany, Tamoyo, Tupy, Juruna, Goytacaz, Kiriri, Carijó, Moema e Iracema), já que região havia sido originalmente ocupada por índios tupinambás.

O projeto de reforma também incorporou às casas geminadas o prédio do antigo Hotel Turístico, localizado na entrada da rua de acesso à Villa e construiu o Edifício da Baronesa, totalizando 9.000 metros quadrados de área construída. As obras vinham sendo realizadas desde 2011 pela Raf Arquitetura e Lafem Engenharia. Toda a restauração foi supervisionada e acompanhada pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.

Estruturas originais dos sobrados, como pisos, forros, portas, janelas e escadas foram reaproveitados (Foto: Divulgação)

Estruturas originais dos sobrados, como pisos, forros, portas, janelas e escadas foram reaproveitados (Foto: Divulgação)

Durante as obras, a equipe de arqueologia encontrou cerca de 30 mil peças como vasos, moedas, louças, escovas de dente e cachimbos, entre outros objetos, além de um trecho do antigo caminho privativo que ligava a Igreja da Glória do Outeiro ao casarão da nobre Maria Benedita de Canto e Melo, baronesa de Sorocaba, irmã de Domitila de Canto e Melo, a marquesa de Santos. Ambas eram amantes de Dom Pedro I, que segundo as lendas, usaria as idas ao Outeiro da Glória como disfarce para visitar a baronesa de Sorocaba utilizando o caminho privativo, batizado pelos arqueólogos de Caminho da Baronesa.