As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

“Você vai cair”, grita um manifestante solitário para Pezão na rua

Governador foi abordado na Praça 15, depois de fazer travessia Niterói-Rio; na barca, deu R$ 20 a calouros da UFF

Luciana Nunes Leal

11 Março 2015 | 14h24

Depois da fazer a travessia entre Niterói e Rio de Janeiro em uma nova barca comprada pelo Estado, conversar com passageiros e dar R$ 20 a um grupo de calouros de odontologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) ouviu hostilidades de dois manifestantes solitários que o aguardavam na Praça 15. “Você vai cair!”, gritou um deles, que não quis se identificar. “Beleza”, disse o governador enquanto caminhava até a Assembleia Legislativa, onde entrou no carro oficial e seguiu para o Palácio Guanabara, sede do governo.

Os dois homens foram atrás de Pezão e sua comitiva, desta vez em silêncio. “Fora Pezão, vá com Paes e leve o Lula Dilma vez”, dizia o trocadilho pintado em um papelão exibido ao governador. Os manifestantes não quiseram falar com o Estado. “Não dou entrevista, porque vocês editam muito o que as pessoas falam, não sei se vocês são verdadeiros ou não”, argumentou um deles.

Na barca Pão de Açúcar, fabricada na China e comprada por R$ 32 milhões, Pezão foi bem recebido. Perguntou a passageiros se estavam satisfeitos com poltronas mais confortáveis e ar condicionado e, ao passar pelos novos universitários, pintados e fantasiados de animais, quis saber que curso iniciavam. Em seguida, tirou uma nota de R$ 20 da carteira e entregou a Ramon Cruz, de 18 anos, morador de São Gonçalo, cidade vizinha a Niterói.

Em entrevista concedida na primeira agenda do dia, uma visita ao estaleiro Eisa, em Niterói, Pezão mais uma vez negou ter recebido dinheiro de caixa 2, oriundo do esquema de corrupção na Petrobrás, como denunciou o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. O governador reclamou por não ter sido ouvido nas investigações e de  nem mesmo ter sido notificado pela Justiça.

Em delação premiada, Costa disse que arrecadou R$ 30 milhões de empresas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) para o caixa 2 da campanha de reeleição do então governador Sérgio Cabral (PMDB), em 2010, quando Pezão era candidato a vice. O delator disse ter acertado o pagamento em reunião com Cabral, Pezão e o então secretário da Casa Civil, Regis Fichtner.

O governador afirmou que a delação premiada é um recurso importante para investigações criminais, mas cobrou “mais apuração”. “Acho que deviam ser feitas acareações (…) R$ 30 milhões é o custo de uma campanha, isso não cai do céu. Precisa ter mais cuidado. Uma pessoa em delação premiada quer se livrar logo dos problemas e sai jogando as coisas no ar. Tem que ter mais cuidado e mais apuração. Eu me coloquei desde o primeiro momento à disposição para qualquer esclarecimento”, afirmou o governador.

“Eu envergo, mas não quebro”, disse Pezão ao chegar ao estaleiro. “Falar de ajuda de campanha para o governador Sérgio Cabral no caixa 2 é jogar muito no ar (…) Até hoje não chegou nada oficial para mim, e essa conversa eu não tive. Ora falam que será (aberta uma) sindicância, ora que será inquérito. As pessoas que conhecem minha vida sabem que eu não ia participar de um assunto desses”, afirmou.