A filosofia de Marcos Mion

A filosofia de Marcos Mion

Morris Kachani

25 Agosto 2017 | 08h56

Quando eu soube que o Marcos Mion apresentaria um reality show em que 100 pessoas ficariam confinadas em uma casa de 120 metros quadrados, na TV Record, fiquei meio chocado. Achei, e ainda acho, que um programa assim extrapola os limites da normalidade e do bom senso.

Com todo o respeito ao Mion e à produção, não há de ser um bom exemplo para nossos filhos. Aliás, as crianças parecem ser muito mais uma referência de conduta do que os adultos, no Brasil de hoje.

Ao mesmo tempo, fiquei intrigado com a figura do Mion. Esse cara que fez carreira na MTV, apresentando um programa que, me dizem, era cool (o “Piores clipes do mundo”), que formou uma geração, que estudou um tanto de Filosofia na USP, que aos 15 anos já tinha lido mais da metade da obra do Shakespeare…

Nunca fui seu fã. Nem seu crítico. Simplesmente indiferente. Mas confesso, que ao avistá-lo em seu escritório na Vila Olímpia, há umas duas semanas, a minha primeira reação foi a de dar uma risada. O Mion é o rei do nonsense. Talvez da escola do Jim Carey. Você o vê e fica com vontade de rir. Foi um encontro caloroso. O Mion me pareceu realmente, um gente boa.

Acho interessante enfim, que ele tenha cruzado a barreira da intelectualidade para se atirar sobre o besteirol da TV aberta sem muitos pudores. E a entrevista que fiz com ele foi mais ou menos sobre isso. Também entramos no espírito de fazer um “estudo humano” inspirado na sua experiência à frente do reality, que se chama “A Casa”.

E assim saiu sua curiosa colocação, comparando o que acontece dentro do reality com o Congresso Nacional, como se fosse um espelho de Brasília…

Ainda pedi à sua assessora, Cíntia Araium, que convive com Mion há 4 anos, que escrevesse um texto mais íntimo sobre ele. Achei bacana o que veio:

“Mion diz que eu o descrevo bem. Mas isso é porque, por ele ser plural e nada óbvio, nem sempre as pessoas têm acesso a todas as faces desse cara que no WhatsApp, por exemplo, tem o rosto do Rambo (Silvester Stallone) como imagem de perfil, mas sabe alentar o coração da gente em dias tristes com as palavras de Jesus Cristo mais certeiras para a situação. Ele combina ainda o shape de fisiculturista (em quatro anos ao seu lado, vi nascer um “monstro”) com inteligência, rapidez de pensamento, humor refinado e… absoluta destreza em fazer maria-chiquinha nos longos cabelos da filha. A porção pai-e-marido é a sua característica mais encantadora e a que o público conhece há menos tempo. Mas ela vem de longe, desde quando ele ainda era adolescente e tinha posters da NBA e do Schwarzenegger nas paredes do quarto. Nesse tempo, já pedia a Deus para ser pai antes dos 22 anos. Foi aos 24 e hoje, com 38, três filhos e casado há 12, sem querer, se tornou uma das maiores referências de paternidade do país. É o que faz com maior prazer e dedicação na vida. E olha que dedicação é algo que ele só sabe usar em doses cavalares. Para tudo”.

“Chegar ao corpo que tem hoje, com cerca de 8% de percentual de gordura, requer treinos todos os dias e uma dieta ultra balanceada que ele carrega onde vai. (E come onde estiver, se for a hora determinada. A reação de quem está por perto é sempre a de “não, obrigada, eu passo”.) O empenho aparece também na prática da fé desde o ano passado. A batalha e a vitória da Suzana, sua esposa, contra um câncer de mama que ele mesmo percebeu o levou a experimentar a conexão com Deus. Como a sua pegada é sempre a da intensidade – com ele não tem mais ou menos –, Mion passou a ir à missa diariamente, sim, to-dos-os-di-as. E compartilha o evangelho com seus seguidores nos Stories do Instagram. As mensagens do padre, os aprendizados que tira da convivência com Romeo, seu filho autista, os lançamentos dos produtos que levam sua marca (coleção de pulseiras, linha de tênis e cosméticos para homens, entre outros), os bastidores da TV, tudo isso está nas suas redes sociais”.

“Ele se comunica o tempo inteiro, mesmo quando, tímido, se esconde com frequência atrás da tela do iPhone. Ali ele fala com absoluta naturalidade aos seus 7,7 milhões de seguidores no Instagram, 6,9 milhões no Facebook e inacreditáveis 13,3 milhões no Twitter. Ele fala de si até com a pele. São não-sei-quantas tatuagens nem sempre reveladas pelas roupas de estilo cool, urbano e relax de quem não precisa provar mais nada. Tem os nomes dos filhos nas costas, os olhos da mulher num dos braços, a Santa Maria no outro”.

Hoje além de “A Casa”, o Mion apresenta “Legendários” na Record. “A Casa”, segundo números oficiais, atingiu uma média de audiência de 7,25 pontos do Ibope, quando estreou, em junho. São dois episódios por semana, nas terças e quintas de noite. Mas no dia 1 de agosto, o reality fechou com 4,9 pontos de média, ficando atrás de Globo, SBT e Band – uma marca nada boa, segundo os críticos de TV.

Eu sempre achei você um cara meio nonsense, com um quê de Coringa, e eu acho isso engraçado, interessante. Quando eu vi o reality show, isso que você está fazendo, eu achei inacreditável. Eu fiquei chocado com “A Casa”. Estou chocado até agora.

Eu fiquei muito tempo chocado. Você não viu ao vivo, né. Ao vivo tem cheiro, não dura só o tempo que o programa está no ar. É uma vida, é o dia inteiro. Isso foi muito chocante pra mim, pra todos. A gente tinha pilotado com 50 figurantes, pra ter uma noção de câmera, espaço, takes, etc. Mas entra o dobro.

São 120m2 com 100 pessoas, é loucura isso!

Não pras pessoas que entraram. Pra elas, é uma oportunidade que adoraram. Elas se inscreveram pra ir. Pode ser loucura? Pode, mas todo primeiro passo vai ser considerado loucura. O primeiro “Big Brother”, que tinha dez pessoas, era uma loucura. Todo mundo falava que era um absurdo, “como é que vão fechar essas pessoas lá?”, porque aí é um estudo social. E acredito que seja mesmo. Só que isso vira entretenimento. E quando acontece isso, as pessoas consomem em casa, jantando, comendo pipoca, conversando com outras pessoas, aquilo fica rolando na TV. Que nem fica o Fausto falando, no domingo. Você vai se apropriando daquilo, que para de ser tão chocante pra virar alguma coisa do dia-a-dia.

Quais as condições humanitárias?

A base do reality é toda em cima dos valores humanitários que fazem jus a quatro pessoas. Entram cem pessoas numa casa que abriga confortavelmente quatro. Espaço, comida, banheiro, cobertor, toalha. A ideia é essa. A casa começa com 1 milhão de reais, e eles vão usando esse dinheiro pra sobreviver. Para melhorar as condições de vida, se quiserem, têm tudo à disposição pra comprar. Toalha, cobertor, comida. Tá tudo lá. Só que o jogo é esse, eles tem que saber administrar esse dinheiro, administrar as vontade de todos os moradores, porque o que sobrar vai ser o prêmio do vencedor.

Quanto já gastaram?

Está na reta final do jogo, e mais da metade do dinheiro se foi. Mas o dinheiro pode voltar. Eles fazem desafios, há provas em que eles ganham dinheiro.

Como foi o primeiro dia?

Eles entraram na casa, foi aquela loucura. É uma porta, então eles foram se afunilando pra passar por essa porta, a imagem é realmente chocante. E as imagens de dentro também, você não acredita naquele tanto de gente naquele espaço. E as pessoas, como nunca tinham vivido isso antes, cada um reage do jeito que quer. Teve gente que entrou e foi correndo pro banheiro, pegou um pouco de papel higiênico e guardou no bolso. Outra pessoa enfiou uma maçã na boca. Quando eles entraram tinha tudo para quatro pessoas. No desespero, foram pegando o que tinha. E logo que entram, eles tem que eleger o dono d’A Casa. O dono é o único que pode mexer no dinheiro. Então a primeira votação foi baseada em primeiras impressões, ninguém se conhecia direito.

O programa está na reta final, termina no começo de setembro. O que você viu de mais chocante?

O que mais me impressionou foi ver uma mulher chorando por segurar uma toalha seca [risos]. Ela virou dona da casa, e o dono tem um banheiro privativo, com tudo só pra ele. Ela entrou, pegou uma toalha de banho seca, e começou a chorar.

Teve outra noite que eles ficaram sem papel higiênico porque alguém molhou o último rolo. Eles iam fazer compras no dia seguinte, então deveria dar. Quando eu entrei, eles estavam tentando secar no forno. Eu falei que eles iam botar fogo. Naquele dia eles tiveram esse perrengue, mas de resto conseguiram se programar.

Quais outros perrengues que eles passam?

O perrengue foi no início mesmo, porque eles entraram e não sabiam como era o dia-a-dia, e eles elegeram como primeiro dono d’A Casa um molecão, o Junior, gente boa pra caramba, festeiro, espirituoso, mas sem convivência o suficiente pra ter responsabilidade por outras 99 pessoas. Ele instaurou uma “era de perrengue”, porque decidiu não gastar dinheiro, então eles passaram muita fome. Ele também ficou em cima do gasto da água, então eles praticamente não tomaram banho. Muita gente realmente passou mal, de vomitar, de desmaiar.

Não teve ONG e defensores de Direitos Humanos reclamando? Ouvi dizer que o Ministério Público ia fazer uma investigação.

Não, porque é consensual. As pessoas assinaram pra isso. Elas se inscreveram, ninguém estava forçado a estar lá. Aliás, é um “des-confinamento”. Você sai a hora que você quiser, ninguém é obrigado a ficar lá. Esse era o diferencial.

Quantos saíram por espontânea vontade?

Bastante, talvez 10%. Não tenho certeza absoluta.

Você se formou em Filosofia?

Não, eu fiz três semestres, na USP. Comecei a trabalhar na TV, no programa “Sandy & Junior”, gravava em Campinas, e aí tranquei a faculdade. Logo depois começou a MTV, minha vida virou uma montanha-russa, nunca mais consegui voltar.

Que lições humanas você está tirando desse reality?

As pessoas tendem a achar que é recheado de crueldade, de sofrimento, e de valores não muito louváveis entre os moradores, mas vou te falar que o que mais me chamou a atenção é que eu tive um exemplo muito grande de respeito ao próximo. Eram cem pessoas que nunca tinham se visto, diferentes idades, diferentes origens, raças, credos, sexos, e eles conviveram.

Com discussões? Sim, mas não teve uma agressão física, uma briga realmente séria, que às vezes acontece em reality show com muito menos gente. Eles realmente se viram numa situação precária e se respeitaram muito mais do que eu imaginava que ia acontecer. Teve jogador, teve gente que foi lá só pra aparecer, teve gente que foi lá só pra causar, mas eu vi muitas atitudes nobres lá dentro. Isso realmente me chamou a atenção. Eu não esperava.

Quem são essas pessoas?

É um microcosmos, um espelho da sociedade. Tem gays, homens, mulheres, jovens, idosos, pais, mães, tatuados, não tatuados, nerds. Tudo, cara. Tem gente que foi realmente pelo dinheiro. Tem gente que foi realmente pra aparecer, o que eu acho que não foi uma boa escolha [risos], porque não é o melhor reality pra você ter destaque e ficar famoso.

Quanto tempo eles ficaram juntos?

A gente já gravou o programa. Foi um mês na casa, três meses no ar. A final vai ser ao vivo, dia 05 de setembro. A gente gravou até a semifinal. No penúltimo programa, sobraram quatro moradores, e pra final vão três. Eles fizeram uma prova, que eles não sabem o resultado, nem eu, e que será revelado ao vivo no dia 05 de setembro. Com o resultado da prova, um será automaticamente eliminado, e os outros dois entram pra votação popular.

Pensando no nome do blog, qual é o inconsciente coletivo d’A Casa? Que atmosfera que está rolando?

O inconsciente coletivo entre a maioria dos moradores, que eu senti, tem muito moralismo. Eles são muito moralistas no momento em que ligam a câmera. Tem a questão do jogo, por mais que a gente saiba que eles esqueçem das câmeras, nem sempre eles esquecem. Todos querem ganhar, todos querem jogar, mas nenhum deles quer parecer que está fazendo isso, então eles têm discursos muito bons e fortes relacionados à valores morais, à conduta, à crença. Tiveram vários discursos comparando a política d’A Casa com a política que está rolando no Brasil.

O que tem em Brasília, tem n’A Casa?

Os caras fazem campanha o tempo inteiro. Eles querem ser donos, eles se fecham em grupos, eles trocam votos, favores, lugares, comida. Escambo é o que mais acontece. Não é louco isso? Esse tipo de relação que eles desenvolvem lá dentro é um reflexo da sociedade em geral.

Eu vi muita gente jogando, mas na hora que foi expulso da casa, teve um discurso muito bonito.

Como assim?

Por exemplo, eles precisam de votos pra ficar no painel verde e continuar na casa. A votação elege o dono da casa, e também divide os moradores em dois grupos. Os que têm mais votos estão salvos no painel verde, e os que têm menos votos estão no painel vermelho, podendo ser expulsos.

Então eles jogam pra ficar no painel verde, e precisa de mais votos pra ficar lá, de apoio. O voto é direto, então você vê muita gente falar assim, “vamos trocar votos? Você vota em mim, eu voto em você? Fechou”. Só que aí um vota e o outro não. Aí esse outro busca outra pessoa, “você troca comigo?”. E assim ele vai angariando votos de várias pessoas que ele não retribui. Isso aconteceu pra caramba.

Então alguns perceberam que alguém não estava votando neles, “como é que eu troquei tantos votos e continuo no painel vermelho?”. O voto é aberto, cada um tem uma cédula. Então começaram a trocar votos olhando na cara um do outro, “vota aí, deixa eu ver. Ok, beleza”. Aí alguém descobriu uma técnica de como apagar o voto que ele já tinha feito [risos]. Ele votava, trocava não sei com quantas pessoas, e ia apagando o voto que tinha feito na frente da pessoa.

Enfim, acontecem muitas atitudes não éticas, mas na hora de expulsar, de ir embora, os discursos sempre foram maravilhosos. “Vamos buscar agir com o coração”, “o Brasil está nos olhando, vamos servir de exemplo”, “já basta Brasília”.

Quanto tem da cultura brasileira nisso?

Ah, realmente eu não posso falar pelo ser humano em geral, de todas as partes do mundo. Em relação ao brasileiro, é tão cruel entrar neste tipo de pensamento, porque as pessoas que deveriam ser o exemplo pro povo são o pior exemplo possível. As pessoas que estão no poder, que a gente vota, que deveriam ter condutas irretocáveis e éticas pra cuidar do povo, elas mostram que você pode roubar, aceitar propinas, jogar injustamente, ser antiético.

Então eu não acredito que é orgânico, 100% do povo brasileiro, acho isso cruel, não é justo falar. Acho que é um resultado da sociedade, da realidade, do espelho que o brasileiro tem, e ele acaba sendo uma vítima do meio que ele vive, porque eu ainda gosto de acreditar um pouco na humanidade. Se o povo tivesse bons exemplos, ele não agiria de forma antiética.

Eu escutei de pessoas que te conhecem melhor, que você tem uma formação cultural sólida.

Minha mãe é psicanalista, meu pai é médico, e eu cresci com a base literária de qualquer geek revolucionário, nerd. Com 14 eu já tinha lido a maior parte da obra de Shakespeare. 15, Metamorfose. 16, O Apanhador no Campo de Centeio. Eu tive essa criação para ser um intelectual.

A primeira vez que fui chamado pela televisão, foi porque uma produtora de elenco da Globo foi me assistir no teatro, e eu estava fazendo Antígona do Sófocles! Essa menina é boa, porque ela me viu fazendo Antígona e decidiu me chamar pra fazer seriado “Sandy & Junior”.

Quando ela me fez o convite, eu ri na cara dela [risos]. Falei que nunca, que queria distância da televisão. Fui pra casa, e contei rindo pra minha mãe. Aí ela, muito sábia, falou que não era bom eu ser radical. Que eu poderia ter minha experiência na televisão, ganhar um nome, e assim levar mais gente pro teatro, “porque eu não aguento mais estar sozinha na plateia de suas peças” [risos]. Então, inacreditavelmente, eu aceitei. Lembro que quando contei pro Marco Antônio Rodrigues, do grupo Folias D’Arte, do qual participava, ele quase me deserdou. Mas com esse propósito, eu fui, e fiz. Eu era o cara que, nos intervalos das gravações, ficava lendo Brecht.

Como você equacionou isso, um intelectual encarar o circo da TV?

Eu tive todas as crises existenciais, mas fiquei só um ano no “Sandy & Junior”. Foi um duelo forte, mas foi muito bom. Eu amadureci demais como artista de televisão. Eu vi a Sandy e o Junior ficarem muito famosos, vi eles lidando com fãs, com equipe, tendo responsabilidades de artistas grandes e dando conta daquilo, aprendi muito com eles. E obviamente a arte de atuar na TV, que é muito diferente de palco. Mas logo veio a MTV, e eu pude voltar a ser quem eu sou.

Me falaram que você era o Adnet, o Duvivier da época [risos].

Com toda a humildade do mundo, acho que até um pouco mais, porque hoje em dia, com tanta referência, é muito mais fácil. Naquela época, a gente não tinha referência. Eu lia Andy Kaufman, mas eu não via. Até eu conseguir ver, demorou um tempo. Hoje em dia, está tudo aí.

Se você pega meus primeiros programas da MTV, eles eram enraizados de cultura filosófica, de tudo.

E da MTV pra Record não houve uma renúncia?

Não. Eu sou um poço de dualidades, contradições, mas tudo muito coerente no final das contas. Não existia essa resposta do público jovem, direta, de YouTube, de Google. Eu fazia essas coisas porque eu gostava, e dane-se, fazia porque queria.

Quando fui pra Record, eu já sabia o que eu queria. Eu queria me tornar um comunicador popular. Esse foi meu objetivo. Eu decidi que se eu sou brasileiro, moro no Brasil, eu quero jogar na seleção. Quero falar com o povo, não quero jogar num campeonato fechado, interclubes, que seria a TV fechada, elite.

Qual o barato de ser comunicador popular?

Longe de mim querer soar piegas, mas é poder ajudar não só diretamente, como também psicologicamente, espiritualmente. Quando você consegue ser um bom exemplo, consegue passar valores muito legais de família, de fé, de trabalho, de auto estima, de superar problemas, isso volta pra você de uma forma maravilhosa. Eu ando na rua, e o carinho e a admiração que eu recebo, são meu combustível.

Mas você acha que a comunicação popular proporciona pras pessoas todas essas qualidades?

Eu acho que é isso o que o comunicador sempre deveria passar pro povo, e o que volta pra ele deveria ser isso.

Você acha que a comunicação popular contribui para a educação da população?

Contribui muito. Acho que a maior parte do Brasil se educa pela televisão. Se é bom ou ruim? Seria maravilhoso se extinguissem o Ibope, aí eu acredito que seria demais. Você teria comunicadores que acreditam no que estão fazendo, e têm estofo pra passar coisas com substância pras pessoas, sem se preocupar se está dando 10, 12, 30 pontos de Ibope. Se acabassem com isso, a televisão seria o meio de comunicação mais inteligente, mais legal e nobre de todos.

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A comédia seria a cura para a depressão? Ou é o outro lado da moeda?

Cara, eu acredito que essa relação entre comédia e depressão seja a base de 100% dos humoristas. O teatro, antes de tudo, foi minha cura da depressão, minha volta à vida. Eu larguei minha vida num canto para viver outras, e esquecer o que estava passando comigo. Isso aconteceu quando eu tinha uns 14, 15 anos, logo depois de perder o meu irmão [em 1993, aos 17 anos, o irmão mais velho de Marcos, Marcelo, caiu do vão livre do MASP enquanto celebrava a aprovação no vestibular]. Sempre tive facilidade para comédia, mas também fazia pra poder voltar a dar risada, sorrir, e, principalmente, fazer os outros rirem. Isso foi a cura da minha alma.

Mas quando era pra cair pro drama, eu, que já tinha dado minhas três batidas na porta do sofrimento, como Kafka escreveu, podia tirar uma carga dramática violentíssima! A maioria dos atores de comédia arrebentam quando vão fazer drama. A carga dramática é sempre muito forte em quem faz sorrir, porque se você não soubesse o que é a tristeza, você não teria o parâmetro para o que é a alegria. Por outro lado, se não tivesse o choro, você não saberia o que é dar risada, e não daria valor ao alívio que ela pode trazer.

 

A CASA

 

  • Prêmio inicial e prêmio atual

Prêmio inicial de R$ 1 milhão.
Atualmente, o prêmio é de R$ 360.096. Pode ser que este valor aumente, uma vez que os participantes podem vencer um desafio e recuperar parte do dinheiro, ou diminua, caso os participantes não cumpram um desafio ou realizem novas compras.

  • Número de participantes: início e no momento

Início: 100 participantes
Atualmente existem 27 moradores na casa

  • Quantas câmeras vigiam os participantes

No total, são 15 câmeras robóticas espalhadas pela casa e também câmeras portáteis que andam pelo espaço.

  • Metragem ocupada por participante

Na casa, de 120m², existem apenas quatro camas, quatro toalhas e apenas dois banheiros. Ou seja, cerca de 1m² de espaço para cada participante.

  • Data estreia e data encerramento

O programa estreou no dia 27 de junho; a final será no dia 5 de setembro.

  • Formato original: nome e país

Formato da Freemantle. O Brasil é o segundo país a produzir o reality (o primeiro foi a Holanda).