“A política tinha que ser mais carnavalizada”

Morris Kachani

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Com o tema “É Proibido Proibir”, e tendo a madrinha Alessandra Negrini à frente de um cortejo com quatro trios elétricos, uma multidão que pode chegar a 1 milhão de pessoas deve descer a avenida da Consolação no próximo domingo, celebrando o já tradicional carnaval do maior bloco de São Paulo, o Acadêmicos do Baixo Augusta.

Da conversa que tive com o diretor executivo do bloco, Alê Youssef, 43 anos, formado em direito pelo Mackenzie, com mestrado em filosofia política pela UFRJ, colunista da CBN e da revista Trip, com passagens pela GloboNews, ex-secretário municipal da juventude (gestão Marta Suplicy), ex-sócio do Studio Sp – marco da cultura alternativa da cidade, surgido em 2005 -, o que chamou a atenção foi justamente a apropriação da festa popular como espaço de reflexão crítica.

“Eu acho que esse carnaval vem, de fato, muito mais politizado que qualquer outro. Nós acreditamos que o carnaval, mais do que qualquer outra instituição, dá um senso de continuidade para o país. E entre o carnaval passado e o que vem por aí, presenciamos absurdos que contrariam a própria identidade do Brasil que o carnaval representa.

O Baixo Augusta vai abordar esses assuntos de maneira contundente, vai mostrar em nosso desfile como obscurantismo, proibicionismo, e alguns grupos da sociedade que defendem esse tipo de pauta, acabam sendo discursos de ocasião. São elementos que farão do nosso carnaval uma manifestação política”, diz Alê, que se define como tropicalista.

Como se sabe, o Acadêmicos do Baixo Augusta não é só um bloco. Desde outubro do ano passado, na esquina da Consolação com a Rego Freitas, funciona a Casa do Baixo Augusta. É um projeto sociocultural de 400 metros quadrados, ocupando loja e sobreloja de um prédio comercial, em um projeto assinado pelo badalado escritório de arquitetura Tryptique.

“Para mim, abrir um espaço de reflexão crítica, de celebração da diversidade vinculado com o Carnaval me parece um statement, sabe?”, diz Youssef.

Na Casa ocorrem palestras, debates, oficinas e apresentações, tendo como eixo o ativismo e a expressão artística. A última oficina foi de drag queens. Caetano Veloso já esteve por lá. Fernando Haddad, Djamila Ribeiro, Rafael Mayoral, do Podemos espanhol…

Youssef, que é casado com a atriz Leandra Leal, com quem adotou a filha Julia, também está escrevendo um livro sobre a rua Augusta, para a Companhia das Letras. “A Augusta é legal, ela resiste historicamente. Até à especulação imobiliária, ela resiste”, conta ele.

Em parceria com o Mídia Ninja, Youssef também andou envolvido em uma plataforma de lançamento de novos candidatos para nosso Congresso Nacional. “A gente está em busca de novas lideranças. Se a pessoa desenvolve um puta trabalho na sua área, tem espírito público, está sempre atuando nas discussões, tem representatividade, por que não se candidata?”.

O produtor Celso Athayde, o empresário da noite Facundo Guerra, o advogado Ronaldo Lemos, a economista Laura Carvalho, entre outros, fizeram parte destas rodas de conversa.

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“É muito interessante fazer um projeto de multidão, sabe? Acho que a multidão consegue tudo, cara, ela bota o bloco na rua, ela manifesta e reivindica direitos, ela impede absurdos e arbitrariedades”

“Pra quem quer uma cidade libertária, livre, inclusiva, aberta, vai ser uma constante dinâmica de relação com esses representantes, e o Doria é um deles, de uma cidade desenvolvimentista, economicista, pra carros, que não é a cidade para as pessoas, inclusiva, para ser ocupada.

Doria deixou muito a desejar, não aproveitou a oportunidade que teve para a venda de patrocínio do carnaval. A marca carnaval de rua cresceu muito mas a arrecadação foi praticamente a mesma do ano passado”

“Penso que o espaço público ainda está em disputa na cidade. A conquista do espaço público pelos blocos é igual a qualquer movimento social, tem que atuar continuamente, não pode esmorecer”

“Somos campeões mundiais em fazer festa. Diz o antropólogo Hermano Vianna, que deveríamos deixar tudo de lado e focar na nossa especialidade, que é a de fazer festa. Seria este o PIB do Brasil, o PIB da festa. Nós sabemos fazer festa”

“Sou a favor do Lula se candidatar. Mas acho que ele está ultrapassado, representa a política velha, tudo aquilo que já passou”

“Acho que nossa geração é muito bunda mole, deixando a geração passada assumir o protagonismo e representar. Tem muita gente boa que podia estar na política e foi pra ONG, foi pro terceiro setor… Muita pouca gente se aventurou na política institucional, e de certa maneira, nós temos responsabilidade com o que está acontecendo, precisávamos ter ocupado mais espaço”

“Saí do movimento Agora! porque ele se distanciou do campo progressista e flertou com a candidatura do Luciano Huck.

Todos esses movimentos têm uma coisa em comum, eles não têm base social. Eles são importantes de existirem, mas têm esse defeito. Não quero meter o pau.

Então, fica uma coisa elitizada no sentido de ‘nós, os eleitos, os filhos da elite, os que tiveram educação, somos mestres e doutores, vamos agora resolver os problemas do Brasil’. Me pergunto quem é que vai eleger essa galera, porque precisa de voto, né? É essa distância que eu fico impressionado, com a falta de projeto de multidão dessa galera”

“O carnaval é o ponto de encontro marcado do Brasil com ele mesmo – com o nosso conteúdo cultural, com nossa identidade. Por mais que a gente se afaste disso ao longo do ano, serve pra reencontrar. O carnaval é uma espécie de portal da utopia diante de um mundo tão distópico e serve para reaproximar os melhores valores de nossa cultura”

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Como acha que vai ser o carnaval de São Paulo esse ano?

Eu acho que esse carnaval vem, de fato, muito mais politizado que qualquer outro. Nós acreditamos que o carnaval, mais do que qualquer outra instituição, dá um senso de continuidade para o país; e entre o carnaval passado e o que vem por aí nós presenciamos absurdos que contrariam a própria identidade do Brasil que o carnaval representa. O Baixo Augusta vai abordar esses assuntos de maneira contundente, vai mostrar em nosso desfile como obscurantismo, proibicionismo, e alguns grupos da sociedade que defendem esse tipo de pauta, acabam sendo discursos de ocasião. Vamos escancarar nossa opinião e contrariedade em relação ao que vimos acontecer ao longo do ano nesse tema, como por exemplo a proibição da ocupação da praça Roosevelt pelo festival Satyrianas.

O festival Satyrianas, que tem mais de 20 anos, é o marco zero da história do Baixo Augusta, espécie de ponto inicial da retomada do centro da cidade como ambiente cultural, artístico e de desenvolvimento, da identidade da cidade.

Houve também a proibição do show do Caetano Veloso na ocupação do MTST, entre vários outros acontecimentos, como as exposições de arte cerceadas; são elementos que farão do nosso carnaval uma manifestação política. Mas, política com alegria, com desbunde, com transgressão, que é a melhor maneira que a gente encontra pra responder a esse discurso de ódio que alguns setores da sociedade tentam instalar.

Acreditamos na máxima de que o fervo também é luta, e a partir daí vamos responder com carnaval a todas essas questões.

E como será a participação do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta dentro disso?

Nosso tema vai ser ‘É proibido proibir’, que faz uma referência a maio de 68, aos 50 anos da batalha da Maria Antônia, à censura; reúne muitos simbolismos. Nós vamos nos concentrar na Consolação com a Paulista a partir das 15h e sair por volta das 16h. Quatro trios elétricos; uma abertura com a leitura de um manifesto; uma performance da rainha do bloco, Alessandra Negrini. Entre os trios elétricos, haverá o descerramento de quatro bandeironas com a inscrição “é proibido proibir”, em várias línguas, até mandarim.

Vamos ter uma performance do grupo Satyros, com participação dos Parlapatões e outros grupos de teatro da Roosevelt e da cidade em defesa e homenagem à obra da Judith Butler. Além de participações do Simoninha, Maria Rita e um grande momento de fogos.

Uau.

Acho que esse carnaval vai marcar também como o carnaval de muita expressão do feminismo. Isso, naturalmente, é uma forma de confrontar o machismo que sempre esteve presente na folia. É um momento para a disseminação de campanhas e ações que rebatem e denunciam a questão do assédio. Acho que, se nós conseguirmos, enquanto sociedade, fazer com que isso faça valer no carnaval, acho que nós vamos ter um passo muito importante. O carnaval é o lugar perfeito e fundamental pra acontecer esse tipo de campanha.

Acho que tudo isso representa muito desse carnaval de São Paulo que tem essa essência ativista, que se moldou na dificuldade de colocar o bloco na rua. Várias gestões foram proibicionistas, e a partir disso vimos que seria necessário ocupar e disputar a cidade.

O Carnaval como forma de manifestação.

Acho que tem a ver com a busca por novas formas de fazer política, de narrativas, a maneira que a gente tem de furar a polarização, sair das bolhas, dialogar com muita gente. É muito interessante fazer um projeto de multidão, sabe? Acho que a multidão consegue tudo, cara, ela bota o bloco na rua, ela manifesta e reivindica direitos, ela impede absurdos e arbitrariedades. O Baixo Augusta já é o maior bloco da cidade, mas ele tem esse projeto de ser uma das maiores expressões culturais, festivas, carnavalescas do Brasil mesmo.

Tipo o Galo?

Ah, a gente é o Bola Preta, vai (risos). Se seguir nesse crescimento, a gente vai ter 1 milhão em 2019. É muito legal. Ano passado a gente fez o Ato pelas Diretas, participamos da Parada LGBT com trio elétrico, abrimos a Casa do Baixo Augusta, e depois de tudo isso vem o desfile (risos).

O bloco anda por si?

Não, ele dá muito trabalho! É um negócio insano, de verdade. Hoje em dia a gente tem uma estrutura que já sabemos como fazer, mas é muito trabalho que dá, porque é muita gente, cresceu demais.

O Doria foi parceiro neste carnaval?

A minha visão pessoal é que ele é uma pessoa que representa uma São Paulo, uma parte da cidade, com a qual eu não me identifico. Se a gente fizer uma análise usando figuras expressivas da nossa identidade de São Paulo, acho que tem gente que gosta do Borba Gato e gente que gosta do Mario de Andrade, da Tarsila. Acho que São Paulo foi muito mais Borba Gato do que é. Tá ficando mais Mario, mais Tarsila. Isso é um processo de transformação da identidade da cidade muito grande. Mas o espírito bandeirante ainda existe. O non ducor duco (“Não sou conduzido, conduzo”). Ele permanece, ele sempre volta, ele também faz parte da nossa identidade.

Pra quem quer uma cidade libertária, livre, inclusiva, aberta, vai ser uma constante dinâmica de relação com esses representantes, e o Doria é um deles, de uma cidade desenvolvimentista, economicista, pra carros, que não é a cidade para as pessoas, inclusiva, para ser ocupada. São visões distintas, diferentes, que precisam ser respeitadas.

O empreendedorismo que o prefeito evoca… você, que já empreendeu bastante na vida, como enxerga a gestão pública sob essa perspectiva? Você teria algum elogio a fazer ao Doria?

O que o Doria apregoa tem a ver com essa cidade macro da mega economia, dos mega grupos, mega interesses. Nesse sentido, você pode dizer que ele representa esse tipo de empreendedorismo.

Agora, o empreendedorismo que nos interessa enquanto tecido social, é o que vem de baixo para cima, e não de cima pra baixo. A beleza de São Paulo está exatamente na diversidade desses agentes que são todos empreendedores, pequenos, e que compõem essa diversidade, essa cidade multifacetada, cultural.

Então nesse sentido, você ter a cidade muito voltada pra esse desenvolvimentismo, pro business, e ao mesmo tempo, na lógica do neoconservador e neoliberal da qual falei, ser “proibicionista” em várias coisas, é absolutamente contraditório. Como é que você vai ser um liberal proibicionista? Fere o próprio espirito liberal. Ideologicamente é um Frankenstein político.

Penso que o espaço público ainda está em disputa na cidade. Fizemos ano passado o tema “a cidade é nossa” para enfatizar esta ideia para a nova gestão. É necessário adotar um tom ativista.

Queremos enfatizar pra nova gestão que as conquistas que aconteceram ao longo da gestão anterior foram civilizatórias, conquistas importantes de ocupação da cidade. Celebramos o direito de ocupar as ruas abertas, o direito do ciclista com as ciclovias, e também o carnaval de rua, a cidade mais humana, dos parques, colorida, contra aquele outro lado da cidade cinza, de negócios.

É uma contra a outra? Se trata de uma guerra?

A conquista do espaço público pelos blocos é igual a qualquer movimento social, tem que atuar continuamente, não pode esmorecer. Porque quando entra uma gestão mais conservadora, é muito fácil se render a certos pactos envolvendo as associações dos moradores, os batalhões das polícias militares, o próprio ministério público que acaba também atuando nesse sentido. Se for pra levar em conta essa formatação, você vai viver em uma cidade em que não acontece nada, onde os espaços não são ocupados.

A gestão Doria conta com pessoas que entendem isso, mas a grande maioria e o próprio prefeito não entendem isso, são muito mais próximos dessa onda proibicionista, mais próximos dessas zonas conservadoras da cidade. Doria deixou muito a desejar, não aproveitou a oportunidade que teve para a venda de patrocínio do carnaval. A marca carnaval de rua cresceu muito mas a arrecadação foi praticamente a mesma do ano passado.

É preciso portanto, responder com carnaval a todas estas ondas que passam por desigualdade, machismo, homofobia, transfobia, racismo, todas as mazelas. O Rio com Crivella, o Doria em São Paulo, o Temer comprovando quem é.

Seria este o foro para este tipo de debate? Responder com Carnaval…

Somos campeões mundiais em fazer festa. Diz o antropólogo Hermano Vianna, que deveríamos deixar tudo de lado e focar na nossa especialidade, que é a de fazer festa. Seria este o PIB do Brasil, o PIB da festa. Nós sabemos fazer festa. Estou falando de essência, não em termos de produção de eventos.

Não seria o Carnaval uma negação da realidade, sob certa perspectiva?

Acho que não. Carnaval é território livre de expressão. Usado para satirizar e protestar. Como diz nosso manifesto, o Carnaval é a festa da liberdade, da brasilidade e da união de tudo aquilo que insiste em viver desunido. Por isso nessa hora é preciso dizer NÃO ao NÃO e fazer do Carnaval nosso estado de espírito e atitude diante do mundo e das pessoas. Quanto mais tentarem nos proibir, mais haverá carnaval. Quanto mais nos disserem não, mais semearemos carnaval.

Também pode ser usado como escapismo, ou não?

O carnaval é a expressão de todas as forças sociais. Eu acho que a política tinha que ser mais carnavalizada. Por maiores que sejam os absurdos que vivemos, o carnaval sempre acontece. É na verdade o reencontro do Brasil consigo mesmo.

Sinceramente acho que carnaval não é escapismo, é o ponto de encontro marcado do Brasil com ele mesmo – com o nosso conteúdo cultural, com nossa identidade. Por mais que a gente se afaste disso ao longo do ano, serve pra reencontrar. O carnaval é uma espécie de portal da utopia diante de um mundo tão distópico e serve para reaproximar os melhores valores de nossa cultura. A liberdade, a diversidade, a expressão da alegria.

Como você se define politicamente?

Sou um tropicalista (risos). Ou centro-esquerda, já que é pra ter definição. Centro porque eu acredito que a gente só vai construir no diálogo e na convergência, e esquerda porque ela representa hoje as bandeiras libertárias que eu acabei de falar, os direitos humanos, a necessária luta por justiça social, a inclusão social. Definição de espetro político passa pelo nível de compreensão que você tem sobre a desigualdade no país, e a desigualdade é nosso pior problema.

Como você acha que está a esquerda brasileira?

Acho que a esquerda brasileira tá fragmentada, tá vivendo sob a sombra do Lula. Ele não está possibilitando renovação. Sou a favor do Lula se candidatar. Mas acho que ele é ultrapassado, representa a política velha, tudo aquilo que já passou. Teve sua importância, seu momento, seu simbolismo.

Te ocorrem outros nomes?

De uma certa maneira, acho que nossa geração é muito bunda mole, deixando a geração passada assumir o protagonismo e representar. Tem muita gente boa que podia estar na política e foi pra ONG, foi pro terceiro setor… você deve conhecer uns trinta, eu também. Muita pouca gente se aventurou na política institucional, e de certa maneira, nós temos responsabilidade sobre o que está acontecendo, precisávamos ter ocupado mais espaço.

E qual sua avaliação da direita?

Existe este aspecto da direita, e o crescimento dessa onda que mistura neoliberalismo com neoconservadorismo de uma maneira assustadora. Duas realidades distintas, dicotômicas muitas vezes, mas que de repente se aproximaram. Acho que a pessoa que é liberal no sentido clássico, que tem a direita no sentido clássico, também encontra dificuldade pra viver diante desse fenômeno. Não é só quem é de esquerda que é crítico.

 

Você está no movimento Agora!,?

Eu saí do Agora!. Venho tendo bastante relação, proximidade, com o campo mais progressista, que é onde eu pertenço. Saí do movimento Agora! porque ele se distanciou desse campo e flertou com a candidatura do Luciano Huck.

Todos esses movimentos têm uma coisa em comum, eles não têm base social. Eles são importantes de existirem, mas têm esse defeito. Não quero meter o pau.

Então, fica uma coisa elitizada no sentido de “nós, os eleitos, os filhos da elite, os que tiveram educação, somos mestres e doutores, vamos agora resolver os problemas do Brasil”. Me pergunto quem é que vai eleger essa galera, porque precisa de voto, né? É essa distância que eu fico impressionado, com a falta de projeto de multidão dessa galera.

Você está otimista? O que é o futuro pra você?

Eu tô otimista… o futuro que eu gostaria de ver é um em que existisse um pacto claro entre as novas alternativas políticas que vão surgir e a sociedade civil. Só vamos avançar enquanto nação se a sociedade civil organizada e desorganizada se apropriar do poder, se aproximar do poder, se ela fizer alguma coligação com algum candidato que possa estar aberto pra isso.

Mudando um pouco de assunto, falemos sobre o Baixo Augusta. Por que seu interesse em escrever um livro a respeito?

A Augusta é legal, ela resiste. Até à especulação imobiliária, ela resiste. É um ponto de encontro da juventude desde o pós-guerra. Reúne uma história de lutas características do bairro contra a gentrificação.

Quando sai o livro? Como ele está estruturado?

O livro vai sair em 2019. O lugar de fala é o que vivi, meu ponto de vista sobre uma região.

A estrutura do livro vai contar a história da Augusta desde o pós-guerra, passando por momentos que a rua viveu como no tempo em que era identificada como um red light district gigante; passando por um encontro da cultura alternativa e underground com esse ambiente transgressor, e a diversidade cultural que é gerada a partir daí. Passa pela história do Vegas e seu entorno. Pela plataforma de lançamento do Studio SP. Conta a história da ocupação pelos teatros, boates, casas de show, até chegar no ambiente que hoje é chamado de Baixo Augusta, e que está entrelaçado com a história do bloco, que existe desde 2009.

Eu vou lançar também um livro no começo de março chamado “Novo Poder: democracia e tecnologia”, baseado na minha dissertação de mestrado em filosofia política, que eu fiz na UFRJ; e que reflete a relação da crise da democracia representativa e da evolução tecnológica que está acontecendo no mundo.

 

 

 

 

 

 

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