Alfinetadas políticas

Alfinetadas políticas

Morris Kachani

28 Agosto 2018 | 19h13

O Alckmin se veste exatamente como uma pessoa chique de Pindamonhangaba.

Eu tenho a impressão de que o Ciro está sempre suado, eu não gostaria de estar perto dele (risos). O cabelo ele devia tomar uma decisão, ou ele tira esse ‘ninho’ ou ele põe uma peruca.

O Haddad, pra mim, é tão misterioso como a Nefertiti. Você sabe que Nefertiti quer dizer “a mulher que veio de longe”, porque ela não era egípcia. Da onde surgiu essa figura?

Se (João Doria) fosse uma mulher, seria como um ‘over dress’, teria muito balangandã, brinco e tudo mais.

É uma pena que nós nunca mais tivemos uma primeira-dama elegante. Eu tenho muitas saudades de uma primeira-dama bem vestida. Aliás eu acho que com a mulher do Temer, nós estamos perdendo um grande “filão”. Essa senhora, se fosse livre, seria um cartão de visita de primeira-dama para o Brasil.

A Dilma, parecia que estava sempre com a mesmo roupa, o mesmo molde, tipo esses moldes que saem em revista e você corta, e ela só mudava a cor.

Marina não é nenhuma Chanel, mas enfim (risos), eu sou brasileiro e acho que sou mais brasileiro que todos os brasileiros porque eu não gosto dessas coisas, nós temos que perder essa crença de que somos um país exótico. Por isso que o mundo inteiro só fala de nós sobre banana e Carmen Miranda. Isso já passou, gente.

Eu acho que o Bolsonaro usa peruca, e eu acho melhor ele tirar a peruca. De charme pelo menos eu acho ele muito mais atraente que o Ciro.

O Lula não tem jeito. Nunca foi elegante, não tem jeito de ser elegante. Primeiro que com a envergadura física dele, já não dá.

Eu nunca entendi essa gente da política que junta milhões de dólares e continua aqui no Brasil. Vai morar em Paris, em Milão, em Nova York, porque aqui, meu bem, não dá nem pra se vestir com o calor que faz.

Antes de mais nada, é bom esclarecer a escola política à qual o estilista Ronaldo Esper, 74 anos, se filia: a monarquia constitucional parlamentarista.

Coube à minha parceira de trabalho Thaís Roque, a brilhante e divertida sacada de entrevistá-lo, para este blog. Um respiro enfim, nestes tempos duros de campanha.

A ideia era replicar os comentários jocosos que ele fazia no quadro Alfinetadas, quando colaborava com o SuperPop de Luciana Gimenez.

Só que ao invés de comentar o visual de celebridades B, Esper, que nos recebeu em seu sobrado rococó na Bela Vista, cheio de quadros, abajures, esculturas e bustos, foi convidado a comentar sobre o estilo de nossos candidatos, à medida que lhe apresentávamos retratos feitos pelo time de fotógrafos do Estadão.

Esper sempre desenhou, desde criança. Estudou no Liceu Pasteur. Fez três anos de filosofia na USP. Foi aluno de Bento Prado Jr e José Arthur Gianotti.

Começou trabalhando na Casa Vogue. Foi editor de um caderno de estilo no Diário de São Paulo, de Assis Chateaubriand. Depois abriu o próprio ateliê, fazendo concorrência com Clodovil e Dener, nos anos 70. Os tempos são outros, mas o ateliê continua. Atualmente, apresenta o quadro Agulhadas, no programa Hoje em Dia, da Record.

Esper foi notícia ano passado, quando passou a frequentar os templos da Igreja Universal. E também em 2007, acusado de furtar vasos em um cemitério (foi absolvido).

Antes da apresentação das fotos com os candidatos, ele pediu que postássemos estas palavras introdutórias:

Ninguém é o que veste. Na verdade a vestimenta é uma máscara, é o contrário do que todo mundo fala, de que a roupa faz a pessoa. Pra mim, não: eu tô acostumado a vestir as pessoas e sei que é uma máscara.

Eu acho que o povo gosta do que não pode ser, esse é o grande lance da construção da figura do poder, era o que os reis e as rainhas faziam. Era a política da Evita Perón, se cobria de jóias para mostrar que a Argentina era rica enquanto o povo achava que tudo bem, achava até que ela era santa.

Mais ou menos como a política da Hebe Camargo, que nunca foi candidata a nada, mas fazia o gênero do povo. Ela era popular mas se cobria de coisas. Será que eles não estão errados?

Então será que essa gente mais bem vestida, sem barriga, sem nada, não daria um outro ‘tchan’ no povo?

Depois que eu comecei a fazer mais televisão, vejo que as pessoas muito simples são as que mais me admiram, o lixeiro aqui da rua grita meu nome quando passa.

Então será que as pessoas não estão procurando o contrário do que esses políticos fazem? Que é essa coisa popularesca.

Nos anos 50, eu me lembro até do Getúlio Vargas, havia uma certa compostura, porque todo mundo usava paletó e até chapéu. Depois que foi avacalhando. A postura dos candidatos aqui no Brasil, é aquele negócio, eles querem parecer pobre, eles acham que assim serão eleitos.

Meu interesse é o mínimo de elegância e de postura. Eu vou fazer como a rainha Elizabeth, que tem o poder mas não tem o partido.

Foto: PAULO GIANDALIA

Eu acho que o João Doria é mezzo mezzo, mas lindo não, tem gente mais bonita que ele.

É uma pessoa que me dá a impressão de que quer sempre fazer o garotão, e quando se arruma, se arruma demais. Se fosse uma mulher, seria como um ‘over dress’, teria muito balangandã, brinco e tudo mais. Na verdade, o João que me desculpe, eu adoro ele, a gente se conhece pessoalmente, mas ele é meio pó de arroz, né?

Um homem que se arruma muito (risos).

Ele faz essas poses, eu acho ele muito composto, uma figura muito composta.

Foto: SERGIO CASTRO

As roupas são boas, são bem cortadas. Ele tem a elegância da pessoa bem vestida. É que com dinheiro, qualquer um compra um bom terno, fica bem vestido. Mas não é uma elegância solta.

E o cabelo dele?

Bom, tem pouco (risos), tem bem pouco, deve estar sendo um drama. Você vê que a pele dele é bem hidratada, na base do hidratante mesmo, isso me irrita muito em homem, passar um creme tudo bem, mas ficar parecendo essa coisa embonecada, não.

E as roupas esportivas?

Com as roupas esportivas ele fica um pouco melhor. O problema é que ele fica querendo parecer jovem, mas os jovens não se vestem dessa forma, já acabou essa moda. Quando ele veste isso, fica parecendo aposentado que usa camiseta Lacoste. Esse jeito de usar a malha amarrada, dos anos 60 ou 70, nenhum jovem usa isso. Ele também não tem braço pra mostrar, deveria sempre usar uma manga mais comprida, não tem músculo nenhum.

Mas de rosto ele está bem, está melhor que a mulher dele.

Por que você acha isso?

Acho que ela não acompanha o gosto que ele tem. O gosto dela é muito discutível.

É uma pena que nós nunca mais tivemos uma primeira-dama elegante. Por exemplo, a Sarah Kubitschek foi uma mulher feia mas muito elegante, tinha uma certa postura. A Maria Tereza Goulart também, mas ela foi a última. O Jango, marido dela era uma tragédia, aquilo era pura figura do personagem que ele fazia. E ele era um populista mas a mulher não, a mulher queria ser a Jacqueline Kennedy da América do Sul. Esses são os contrastes do Brasil: a esposa que quer ser Kennedy e o marido que quer ser Lênin (risos).

Eu tenho muita saudades de uma primeira dama bem vestida. Aliás eu acho que com a mulher do Temer, nós estamos perdendo um grande “filão”. Essa senhora, se fosse livre, me disseram que ela não gosta de estar nos refletores, ela seria um cartão de visita de primeira-dama para o Brasil, mas ela não aparece. É uma mulher bonita, tem uma certa vulgaridade na beleza dela que precisaria ser polida.

Foto: DIDA SAMPAIO

O Ciro Gomes é a esquerda ainda antiga. Porque se você olhar por exemplo, o Putin, é um homem extremamente bem vestido, com roupas muito bem cortadas. Agora, esses comunistas do Brasil, que só existem aqui na América do Sul, se apresentam como caudilhos.

Eu sempre tenho a impressão que o Ciro está suado, eu não gostaria de estar perto dele (risos). E isso faz parte da suposta elegância dele.

Foto: DIDA SAMPAIO

Olha só esse terno, parece um saco de batata. Até o Lula está melhor que ele, mesmo tendo um corpo difícil de vestir, porque ele é gordo. Mas o Ciro está ficando gordo também. Esse terno é dois número maior e isso é feito de propósito, para mostrar que ele está de terno mas que o terno não cabe nele, não custou R$ 24 mil reais como seria um Ermenegildo Zegna, é um terno qualquer.

Ele tem um charme, foi marido da Patrícia Pillar.

Ela se livrou de uma boa (risos). Eu não vejo charme nele. Mulher é um bicho esquisito também, se elas acham que ele tem charme, eu não entendo mesmo. Quem tem muito charme é o Moro, muito bem vestido.

E o cabelo? 

O cabelo ele devia tomar uma decisão, ou ele tira esse ninho ou põe uma peruca. Ele devia raspar esse coisinho que sobrou aqui.

Foto: JOSÉ PATRICIO

Eu acho que a Marina é uma coisa brejeira demais pra ser política. No mundo que a gente vive vale tudo. Mas eu acho que é um pouco de coisa estudada isso, porque ela tem o corpo muito bom pra vestir, ela é magra, não é bela, mas poderia dar um jeito.

Olha, a minha preocupação é essa, como essa pessoa vai nos representar mundialmente. Era o caso da Dilma, que parecia que estava sempre com a mesmo roupa, o mesmo molde, tipo esses moldes que saem em revista e você corta, e ela só mudava a cor. Eu tinha vergonha de ver as fotos dela, isso não tem nada a ver com o país ser pobre ou rico, significa se tem ou não tem cultura.

Elegância não é o contrário de pobreza, é o contrário de vulgaridade. O político pode ser do partido que quiser, mas tem que ter uma compostura.

Mas as estampas e acessórios da Marina são bonitos…

Não é nenhuma Chanel, mas enfim (risos), eu sou brasileiro e acho que sou mais brasileiro que todos os brasileiros porque eu não gosto dessas coisas, nós temos que perder essa crença de que nós somos um país exótico. Por isso que o mundo inteiro só fala de nós sobre banana e Carmen Miranda. Já passou esse negócio do país exótico.

Foto: DIDA SAMPAIO

O Bolsonaro, por ser descendente de italiano, o que tá na cara dele, no nome também, tem um certo charme itálico. Mas as roupas são médias. Quem se veste bem, com roupas bonitas e de qualidade, é o Aécio. O Bolsonaro faz essa coisa meio estranha de ser uma direita populista , ou querer ser. Eu não conheço a esposa do Bolsonaro, você já viu?

Eu adoraria que fosse bonita, porque se ele ganhar pelo menos nós vamos ter uma primeira-dama decente. Eu acho que a primeira-dama é muito mais influente que o presidente. A Jacqueline Kennedy foi muito usada por aquele homem (John F. Kennedy), ela era a porta-bandeira dele e resolveu muitos assuntos com o charme dela, é outra história se depois ela desandou. Mas de charme eu acho o Bolsonaro muito mais atraente que o Ciro.

E o cabelo do Bolsonaro?

É, essa franjinha deixa a impressão de que é uma peruca, porque todas as perucas de quem é calvo, precisa ser jogada pra frente por causa do jeito que vai ser colada. Isso sempre me intrigou, eu acho que ele usa peruca, e eu acho melhor ele tirar a peruca. O Trump por exemplo usa peruca e é um horror.

Foto: FELIPE RAU

O Alckmin é de Pindamonhangaba, eu sou de Jacareí, cidade vizinha. Ele se veste exatamente como uma pessoa chique de Jacareí e de Pindamonhangaba (risos), nós somos de lá, eu conheço esse “Chique Caboclo”.

Foto: RUBENS CARDIA

Quando ele tá sem gravata, a impressão é de que a camisa que tá embaixo é dois números maior do que o que ele deveria usar.

Ele tem um corpo bom, é uma pessoa extremamente simpática, gosto dele com pessoa, a mulher dele é também uma figura bastante interessante que poderia se destacar mais. Só que vive às sombras atuando mais como eminência parda.

E o cabelo e os óculos dele?

É aqui que eu te falei, é um chique do Vale da Paraíba, mas eu também vim de lá (risos). É o caipira que deu certo.

Foto: DIDA SAMPAIO

O Lula não tem jeito. Até que quando ele era moço, eu me lembro das greves do ABC na época do regime militar, eu tinha muito medo do Lula, eu tinha muito medo que o Brasil se transformasse num país comunista.

Nunca foi elegante, não tem jeito de ser elegante. Primeiro que com a envergadura física dele, já não dá.

Foto: Luiz Claudio Barbosa

O Haddad, pra mim, é tão misterioso como a Nefertiti, você sabe que Nefetiti quer dizer “A mulher que veio de longe”, porque ela não era egípcia. Da onde surgiu essa figura?

Ele não tem nada de elegante. É jovem mas está barrigudo, tá largadão. Ele é feio. Em matéria de turco existe muito mais bonito que ele por aí (risos).

Ele é outro que faz sucesso com as mulheres…

Engraçado, né? Esses caras são daquele gênero feio que as mulheres acham fascinantes. Elas ‘dão pra ele’, aí vão pra casa e ficam se questionando, ‘Nossa, mas porque eu dei pra esse cara? Nem faz meu gênero nem nada, mas na hora eu achei isso’.