“Às vezes é preciso de um grande trauma para mudar. E talvez os traumas estejam chegando”
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“Às vezes é preciso de um grande trauma para mudar. E talvez os traumas estejam chegando”

Morris Kachani

11 de março de 2020 | 13h16

O que o coronavírus, o colapso da Bolsa e os fascismos têm a nos ensinar? Com a palavra, o monge Satyanatha

“Parte da consciência de monge é você perceber que tem controle do fluir da consciência e da própria mente. É natural do ser humano deixar tudo no piloto automático. E esse piloto automático, está em paz quando tudo está em paz. E desesperado quando está tudo desesperador. Isso não ajuda. Esse ir com a corrente, não causa o equilíbrio necessário. É justamente porque a casa está caindo, que eu preciso ter tranquilidade. No momento do mundo em caos, eu tenho que encontrar minha paz. É aí que ela é mais necessária. Serei eu a tranquilidade no meio do furacão”.

“Os medos das pessoas são todos baseados em hipóteses, expectativas e conjecturas. Se o momento é gravíssimo, então deixa eu utilizar este momento. As pessoas talvez precisem de interiorização e recolhimento. É no inverno que a natureza se prepara para a primavera. Aceite o presente para mudar o futuro. Se você não aceita a realidade, você só se reprime”.

“O coronavírus é um vírus que resulta do maltrato dos animais. Assim como o HIV. O sarampo tem origem bovina, o H1N1 também tem origem animal. Se as pessoas tratassem diferentemente os animais, com mais compaixão e mais carinho, não haveria nenhuma dessas doenças. A humanidade tem muito pouca noção de interação positiva com animais e meio ambiente. Inclusive na alimentação”.

“A Bolsa de Valores deveria funcionar como o sangue funciona no corpo. Pessoas coerentes e bem informadas deveriam decidir para onde vai o fluido vital. O dinheiro deveria ir para onde isso faz sentido. Com o capitalismo de curto prazo, isso se corrompeu. Eram fortunas ilusórias, baseadas no consenso do que as pessoas haviam decidido que alguma ação valia”.

“A gente pode se proteger, investir com menos risco… mas em última instância, tudo é perigoso. Viver é perigoso. Nosso esforço está sob nosso controle, mas o resultado não. Então faça o melhor e se acontecer o que aconteceu, aceite o presente para mudar o futuro”.

“O mundo já produz riqueza e insumos para que todos possam ter uma existência digna. O sistema de recompensas é que foi se tornando distorcido. Então o capitalismo, da maneira como está, ele precisa se tornar consciente e coerente. Às vezes é preciso um grande trauma para mudar. E talvez os traumas estejam chegando. Às vezes uma grande ruptura é boa”.

“Nosso presidente de hoje é uma expressão da fúria de uma parte da sociedade brasileira. Mesmo pessoas com lados bons, têm lados horrorosos. E quando estes lados são atiçados, estimulados, vai faltando o bom senso. A solução é a consciência. Como conscientizar? A gente está indo pelo caminho contrário”.

Por esses dias li uma entrevista do monge Satyanatha, na qual ele dizia, “ser monge é um estado em que você coloca a paz acima do conflito, prioriza o amor acima da inveja ou da raiva….”.

Achei bonito.

Estes não têm sido dias fáceis para a humanidade. As fronteiras da Itália foram fechadas, o sistema financeiro colapsou, e temos um presidente, que não exerce o papel de líder e conciliador.

Decidi me perguntar, ou melhor, lhe perguntar, que ensinamentos podemos tirar de cada uma dessas situações. Da epidemia que está virando pandemia, do pânico nas economias, e finalmente na cultura de ódio que se alastrou por aí.

 Satyanatha, que em tradução do sânscrito, significa “aquele que busca a verdade” é o nome monástico de Davi Murbach, engenheiro da computação que estudou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e decidiu largar a carreira como consultor estratégico por uma vivência de 7 anos no monastério de Kauai Aasheenam, no Havaí.

Monge treinado no shivaísmo, chegou a passar 33 dias meditando na frente de um muro de pedra, desde o nascer do sol até o cair da noite. 

Satyanatha já deu aulas de meditação para jovens universitários de Stanford e executivos do Vale do Silício. 

Há quatro anos, estabeleceu-se definitivamente em São Paulo, onde dá aulas de meditação. Autor do livro “Seja monge”, há dois anos, ele propôs à Vivo um aplicativo ensinando 907 meditações diárias. É o app Vivo Meditação, no ar há três anos, que já teve 1,2 milhão de downloads…

Segue o áudio da entrevista completa. Vale a pena escutar!

 

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