Bruno Carazza: Frustração, incertezas e ansiedade da classe empresarial
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Bruno Carazza: Frustração, incertezas e ansiedade da classe empresarial

Isabella Marzolla

27 de setembro de 2021 | 09h34

Uma análise sobre como o momento econômico está sendo encarado pelo segmento cujo apoio a Bolsonaro bate 51% em eventual disputa com Lula, que contaria com 19%

“O que era esperança e boa vontade com Bolsonaro está se convertendo, para uma parcela cada vez mais expressiva do mercado e do eleitorado, primeiro em decepção e agora em impaciência”

“De camisa dez da economia, teve que recuar e agora virou zagueiro. A frustração do mercado com Bolsonaro e Guedes é grande. Acredito que Paulo Guedes esteja sofrendo o derretimento de um mito que ele próprio criou para si e no qual o mercado embarcou de forma acrítica. Concentrou poder demais, subestimou as dificuldades de aprovação de sua agenda no Congresso e, sobretudo, foi ingênuo em acreditar que converteria Bolsonaro a uma agenda liberal”

“Se essa deterioração nas expectativas vai se converter em perda de apoio do Presidente junto à elite econômica nas eleições de 2022, vai depender da evolução do quadro político, mais especificamente em relação à postura que será assumida por Lula e a viabilidade eleitoral de uma alterativa mais ao centro que fale o que o mercado quer ouvir”

“Na maioria dos países em desenvolvimento, ao longo do tempo o câmbio e as medidas de risco-país foram retornando a patamares próximos ao vigente antes da disseminação global do coronavírus. (…) O Brasil foi um dos poucos países emergentes em que esse movimento não foi observado”

“As reservas do mercado em relação a Lula começam, portanto, pelas dúvidas em relação à sua postura num eventual terceiro mandato, pois as circunstâncias agora são muito diferentes daquelas de 2002, com contas fiscais fora de controle, inflação em alta e uma economia internacional ainda fragilizada pela pandemia.

Para completar, as manifestações públicas de Lula desde o discurso no sindicato em São Bernardo do Campo apontam para uma intenção de maior intervencionismo na economia, com o uso de estatais e bancos públicos para estimular a retomada do crescimento, assim como críticas ao teto de gastos – temas que atemorizam o mercado”

Alvo de protesto dentro de sua própria casa – o prédio da B3 –, na quinta-feira (23), por um grupo do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e a frente Brasil Sem Medo, o mercado financeiro e a classe empresarial, não em coesão, têm demonstrado sinais de frustração e impaciência em relação ao governo Bolsonaro, em parte, oriundos da economia e da instabilidade institucional e emocional do governo.

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) subiu 1,14% em setembro, maior para o mês desde 1994; alta em 12 meses supera os 10%. O ano de 2020 fechou a inflação oficial em 4,52%, a maior alta desde 2016, e após quase 6 anos a taxa Selic voltou a subir em 2021, em sua quinta elevação consecutiva no ano, a taxa de juros básicos foi para 6,25%, maior nível desde julho de 2019.

Em reflexo a esse cenário comprometedor na economia, no final do mês passado foi divulgada uma carta da Febraban intitulada “A Praça é dos Três Poderes” e em março houve a “carta dos economistas”, ambas criticando sutilmente a gestão do governo.

Apesar das cartas e acenos a um descontentamento, até março deste ano, cerca de 55% dos empresários aprovavam o governo Bolsonaro, segundo Datafolha. Recentemente, em pesquisa do mesmo instituto do dia 13 a 15 de setembro, 51% dos empresários votariam no atual Presidente contra 19%, que dariam seu voto para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.

Para tentar entender o “humor” e os receios do empresariado e da classe financeira frente ao governo atualmente, conversamos com Bruno Carazza, doutor em direito (UFMG), mestre em economia (UnB), colunista do Valor Econômico, professor da Ibmec e da Fundação Dom Cabral e autor do livro “Dinheiro, Eleições e Poder: as engrenagens do sistema político brasileiro”.

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No final do mês passado foi divulgada uma carta da Febraban intitulada “A Praça é dos Três Poderes” – que contava com a assinatura de cerca de 200 entidades da classe – pedindo a necessidade de respeito entre os três Poderes e à democracia. Também foi divulgada uma nota de representantes do agronegócio, expressando preocupação a instabilidade e turbulência político-institucional, econômica e social do País.

E ainda houve outra carta, a “O país exige respeito; a vida necessita da ciência e do bom governo”, do dia 21 de março, que contou com mais de mais de 1.500 signatários do mercado financeiro e de empresas, insinuando que o governo faz uma má gestão na pandemia.

Como está o “humor” do mercado, do empresariado e agora do agronegócio em relação ao governo? Por que o “dinheiro” está se descolando de Bolsonaro?

Empresários e investidores anseiam por estabilidade e oportunidades de negócios, que vêm com um bom ambiente institucional e crescimento econômico. Nos últimos meses, o governo Bolsonaro tem se notabilizado pela geração de sucessivas crises políticas, com repercussões sobre o Congresso e o Judiciário, o que dificulta o avanço das reformas desejadas pelo mercado e o encaminhamento de soluções para superar o quadro econômico desfavorável, com inflação em alta, contas públicas fora de controle e crescimento claudicante.

Ao longo dos quase três anos de governo, o que era esperança e boa vontade com Bolsonaro está se convertendo, para uma parcela cada vez mais expressiva do mercado e do eleitorado, primeiro em decepção e agora em impaciência.

O mercado e o empresariado apostam em uma “terceira via”? Em um candidato de centro-direita?

Embora o governo atual não tenha entregado a maior parte das promessas de campanha na área econômica – privatizações, reforma administrativa e tributária significativas – as pesquisas indicam que Bolsonaro ainda tem um apoio significativo entre os empresários.

Isso não quer dizer, porém, que essa situação se manterá até as eleições de 2022. Nada impede que a opção preferencial do mercado se desloque para outro candidato mais ao centro, ou até mesmo ocorra uma divisão das lideranças empresariais, a depender da sinalização que Lula venha a fazer na área econômica. Em resumo, o caminho até outubro do ano que vem está totalmente indefinido ainda.

Quais são os “efeitos” do Presidente Bolsonaro na economia? Já existe um “risco-Bolsonaro”?

Desde que ficou evidente que o governo brasileiro havia abandonado a política de geração de superávits fiscais e, logo em seguida, perdeu o grau de investimento, na virada de 2014 para 2015, nossa economia vem sofrendo com uma avaliação mais negativa do mercado, em relação aos outros países emergentes.

A situação se agravou com a pandemia, com a significativa elevação das despesas capitaneadas pelo auxílio-emergencial e outros pacotes de resgate da economia. Na maioria dos países em desenvolvimento, ao longo do tempo o câmbio e as medidas de risco-país foram retornando a patamares próximos ao vigente antes da disseminação global do coronavírus.

O Brasil foi um dos poucos países emergentes em que esse movimento não foi observado – o que revela que o mercado precificou que o governo Bolsonaro não está conseguindo tomar as rédeas da situação e encontrar soluções para a crise e aprová-las no Congresso.

Durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bancos lucraram 8 vezes mais que no de FHC, segundo levantamento do jornal Valor Econômico. Por que existe então preconceito com o Lula?

O governo Lula foi realmente muito positivo para o mercado, mas além de seus méritos, sua gestão se beneficiou do ambiente institucional herdado de FHC (o famoso tripé macroeconômico) e de um cenário internacional muito positivo, com elevado crescimento mundial e o boom das commodities.

Apesar da valorização da bolsa e dos lucros das empresas, a política econômica do segundo mandato de Lula semeou ventos que viriam a se tornar tempestade no governo Dilma, como a concessão indiscriminada de aumentos para o funcionalismo, a distribuição generalizada de subsídios e benefícios tributários e uma política industrial capitaneada pelas estatais que geraram déficits e elevação da dívida pública.

As reservas do mercado em relação a Lula começam, portanto, pelas dúvidas em relação à sua postura num eventual terceiro mandato, pois as circunstâncias agora são muito diferentes daquelas de 2002, com contas fiscais fora de controle, inflação em alta e uma economia internacional ainda fragilizada pela pandemia.

Para completar, as manifestações públicas de Lula desde o discurso no sindicato em São Bernardo do Campo apontam para uma intenção de maior intervencionismo na economia, com o uso de estatais e bancos públicos para estimular a retomada do crescimento, assim como críticas ao teto de gastos – temas que atemorizam o mercado.

O quão propenso é o governo Bolsonaro à prática do rent seeking ou lobbying? É possível estabelecer uma relação entre o setor armamentista e o executivo?

Apesar de, no discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, Bolsonaro ter declarado que desde que assumiu o poder não se observou nenhum caso de corrupção no Brasil – o que obviamente não é verdade, pois houve várias denúncias envolvendo sua família e integrantes do ministério –, seu governo não adotou nenhuma medida concreta para reduzir a influência econômica sobre as políticas públicas, como a regulamentação do lobbying, bem como fragilizou institutos como a Lei de Acesso à Informação e tornou mais obscura a execução do orçamento, como vimos no caso do “tratoraço” revelado pelo Estadão.

Bolsonaro também fez vista grossa para a ampliação do uso de dinheiro público nas campanhas, com o fundão eleitoral, e permitiu uma piora nos controles das prestações de contas dos partidos. Ao longo de seu mandato, podemos identificar também vários setores econômicos que foram beneficiados com suas medidas, como o agronegócio, a indústria das armas, as igrejas, a mineração e o extrativismo mineral, entre outros.

Em seu livro, “Dinheiro, Eleições e Poder”, você escreve: “(…) o empresariado se move em função das chances de vitória de cada agremiação e, mais do que isso, o que elas têm a oferecer em termos de oportunidade de negócio atrelados ao Estado”. O que o empresariado via em Bolsonaro que já não vê mais agora? Como avalia a agenda liberal de Paulo Guedes no governo?

Bolsonaro chegou ao Palácio do Planalto impulsionado não apenas pelo sentimento antipetista, mas também pelas promessas de uma guinada liberal na política econômica, capitaneada por Paulo Guedes.

O plano anunciado na campanha era resgatar a confiança dos investidores brasileiros e estrangeiros com um programa ambicioso de privatizações, redução da dívida pública, capitalização da previdência, abertura comercial, diminuição do Estado e simplificação tributária.

Passados quase três anos de mandato, nada disso foi entregue. É verdade que a pandemia atrapalhou bastante as intenções de Guedes, mas mesmo antes dela já havia um sentimento de que o governo não soube aproveitar o capital político angariado com as eleições e um Congresso bastante identificado com suas visões. A frustração do mercado com Bolsonaro e Guedes é grande.

Como o atual líder nas pesquisas para o Planalto, Lula, é visto pelos grandes empresários, banqueiros e pelo mercado?

Aproveitando-se da ampla margem nas pesquisas atuais, Lula tem optado por fugir dos holofotes neste momento em que Bolsonaro está nas cordas pela situação social, econômica e política do País. Ao escolher falar apenas a canais da imprensa e das redes sociais que o apoiam, Lula evita um desgaste precipitado à sua imagem.

Em função disso, não é possível ainda dizer se o Lula que vai se apresentar na campanha em 2022 será mais próximo do Lula da “Carta ao Povo Brasileiro”, de vinte anos atrás – com o empresário José Alencar de vice, Henrique Meirelles como Presidente do Banco Central e o moderado Palocci na Fazenda – ou o Lula do segundo mandato, com Dilma Rousseff na Casa Civil e Guido Mantega na Fazenda valendo-se do BNDES, Caixa, Banco do Brasil e Petrobrás, para impulsionar o crescimento e implementando um generoso programa de subsídios e benefícios fiscais, que foram a origem da crise que explodiria no colo de Dilma logo em seguida.

A posição que os grandes empresários e banqueiros vão assumir em relação à sua campanha depende, então, do esclarecimento desse mistério e também da viabilidade dos outros candidatos que vão se apresentar ao pleito até o ano que vem.

Bolsa caindo, dólar subindo e poucos investidores estrangeiros interessados. O efeito no mercado, depois das contundentes ameaças aos Poderes Judiciais e a democracia do País, deve pairar até quando?

O desempenho ruim da bolsa, do dólar e da entrada de investimentos estrangeiros tem raízes estruturais, cuja origem reside em nossa crônica fragilidade fiscal e foram agravados pela pandemia, mas que são potencializados sem dúvida alguma pela instabilidade política.

O Brasil vem perdendo competitividade externa há pelo menos uma década, e quando os agentes econômicos identificam que, em vez de se engajar na concepção e aprovação de reformas, o Presidente da República agride os demais Poderes e ameaça a estabilidade democrática, eles se retraem. Isso vale para o empresário brasileiro, que posterga novos investimentos à espera de uma definição do quadro político, e também para o investidor estrangeiro, que procura outros destinos mais seguros ou rentáveis para suas aplicações.

O governo anunciou no primeiro semestre deste ano a criação do programa Auxílio Brasil, um novo programa social para substituir o atual Bolsa Família, prometendo aumentar os valores de auxílio. Isso seria suficiente para angariar uma parte das classes mais baixas do eleitorado de Lula?

O auxílio emergencial indicou a Bolsonaro que era possível ampliar sua aprovação em camadas do eleitorado em que ele não ia bem. As pesquisas conduzidas ao longo do segundo semestre do ano passado mostraram um crescimento da sua avaliação no Nordeste e junto à população de renda mais baixa – dois pontos fracos na sua campanha de 2018 e dois segmentos em que Lula tem ampla vantagem sobre ele.

O grande problema é que o ganho de popularidade com o auxílio emergencial foi efêmero, tendo sido em boa parte revertido com a redução do valor do benefício e de sua cobertura neste ano.

A ideia de se turbinar o Bolsa Família, inclusive rebatizando-o como Auxílio Brasil, revela uma tentativa de Bolsonaro de criar um programa de transferência de renda permanente com a sua própria marca, em busca de colher dividendos durante a campanha de reeleição. O grande desafio, porém, é superar as restrições fiscais.

Sobre essas restrições fiscais, muitos especialistas argumentam que o Auxílio Brasil não se sustentaria com valores superiores ao do Bolsa Família e que o governo poderia correr o risco de irresponsabilidade fiscal. O próprio Ministro da Economia pediu ajuda ao STF para encontrar uma forma de financiar o programa. O “novo Bolsa Família” seria possível? 

Bolsonaro e Paulo Guedes precisam encontrar espaço no orçamento e no teto de gastos para ampliar os valores e a cobertura do Bolsa Família e, assim, tirar do papel o Auxílio Brasil.

Além das tradicionais restrições que nosso quadro fiscal impõe, com o Orçamento quase todo comprometido com vinculações e despesas obrigatórias, para o ano que vem temos uma pressão adicional proveniente de um volume excepcionalmente alto de pagamento de dívidas judiciais – os famosos precatórios – e de uma inflação crescente, que elevará o pagamento de inúmeros benefícios assistenciais.

Contornar essas restrições será um grande desafio de articulação política, principalmente em função do ano eleitoral – e entrar em atrito com os Poderes definitivamente não parece ser uma atitude sensata neste momento.

Como a crise energética pode impactar os setores financeiros, empresariais e do agronegócio?

A possibilidade real de apagões já impactou as previsões do mercado e tem levado a uma revisão dos planos de negócios de grandes empresas para 2022 diante do risco de instabilidades na oferta ou uma eventual determinação de contingenciamento do consumo pelo governo.

Como a energia é um insumo essencial para a maioria dos setores econômicos, a elevação das sobretaxas das tarifas eleva os custos das empresas, já pressionados com os preços dos combustíveis, o dólar elevado e a escassez de matérias-primas.

A Faria Lima acordou no dia 29 de agosto, com cartazes, lambe-lambes e adesivos debochando da figura de Paulo Guedes. Em geral qual a percepção atual dos “faria limers” em relação ao Ministro?

Acredito que Paulo Guedes esteja sofrendo o derretimento de um mito que ele próprio criou para si e no qual o mercado embarcou de forma acrítica. Ao anunciar que iria fazer e acontecer, apresentando números fantasiosos para os programas de privatizações e de venda de imóveis da União, e prometendo apresentar reformas em prazos irrealistas, Guedes criou uma expectativa que estava longe de se mostrar viável.

Ao exigir a criação do superministério da Economia, Guedes concentrou poder demais, subestimou as dificuldades de aprovação de sua agenda no Congresso e, sobretudo, foi ingênuo em acreditar que converteria Bolsonaro a uma agenda liberal. De camisa dez da economia, teve que recuar e agora virou zagueiro.

Apegado ao cargo, procura desesperadamente passar qualquer medida no Congresso para poder se vangloriar de ter sido um bom ministro. Vimos isso nos arranjos para aprovar a “privatização” da Eletrobrás, ao custo de bilionárias concessões fiscais ao Centrão, com esse arremedo de medidas que nunca poderia ser chamado de reforma tributária ou com uma reforma administrativa que, além de inócua do ponto de vista fiscal, vai tornar a gestão pública ainda mais ineficiente e suscetível a pressões políticas e clientelismo.

Quais as consequências a curto, médio e longo prazo da intervenção de Bolsonaro na presidência da Petrobrás?

Desde o fim dos governos petistas, a Petrobrás vinha passando por um processo de resgate de sua credibilidade no mercado, com a adoção de uma nova governança corporativa. Essa estratégia tinha como base a tentativa de blindar a empresa contra novas interferências do Estado, seu principal acionista, tanto em termos de ser usada como um braço do governo para promover o desenvolvimento do País, quanto de se evitar medidas de populismo tarifário, como atrasos nos reajustes de preços para conter a inflação ou para fins eleitorais.

As frequentes críticas de Bolsonaro contra a política de preços da companhia e a tumultuada troca de comando na empresa lançam dúvidas sobre o comprometimento do governo com essa agenda de governança, e tem repercussões sobre a avaliação da empresa no mercado acionário.

Uma parte do empresariado ainda apoiava o Presidente até meados de março deste ano, de acordo com o Datafolha dos dias 15 e 16 de março, 55% dos empresários apoiavam Bolsonaro. Supondo que este percentual tenha mudado, como sentido nesses últimos dias, por que a classe manteve seu apoio por tanto tempo?

É preciso observar que a categoria “empresários” engloba desde donos de pequenos negócios até a elite financeira da Faria Lima. Então é necessário mergulhar nesses dados para mensurar como Bolsonaro é avaliado em cada segmento desse grande grupo social.

Não há dúvidas que houve uma debandada forte de pessoas que votaram em Bolsonaro em 2018 em função da sua forma de conduzir o País, principalmente após a pandemia. Mas é inegável também que o Presidente ainda possui um apoio expressivo entre aqueles que comungam seus valores e sua visão de mundo conservadora. E a depender da evolução das pesquisas em 2018, pode ser que Bolsonaro reconquiste parte do eleitorado perdido, pois a aversão a uma volta de Lula ao poder ainda é muito grande nesse segmento mais conservador da sociedade.

A MB Associados revisou as estimativas para o PIB de 2022 de 1,4% para 0,4%. O governo Bolsonaro conseguiria “reconquistar” a classe empresarial até as eleições? Qual a perspectiva dos empresários e do mercado para 2022?

De acordo com o boletim Focus do Banco Central, as previsões do mercado para as principais variáveis econômicas – PIB, inflação, taxa Selic, câmbio, etc. – têm sido revistas para pior nas últimas semanas. Isso representa não necessariamente uma perda de apoio de Bolsonaro junto aos executivos e investidores, mas um pessimismo do mercado quanto ao cenário econômico no ano que vem.

Se essa deterioração nas expectativas vai se converter em perda de apoio do Presidente junto à elite econômica nas eleições de 2022, vai depender da evolução do quadro político, mais especificamente em relação à postura que será assumida por Lula e a viabilidade eleitoral de uma alterativa mais ao centro que fale o que o mercado quer ouvir.

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