Como educar xs filhxs em tempo de pandemia e pandemônio – com Vera Iaconelli
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Como educar xs filhxs em tempo de pandemia e pandemônio – com Vera Iaconelli

Morris Kachani

22 de junho de 2020 | 13h30

Problematizar, e não naturalizar, as desigualdades e contradições

Assista à entrevista:

 

Vera Iaconelli é psicanalista, mestre e doutora em psicologia pela USP, e atende em consultório jovens e adultos.

Diretora do Instituto Gerar, em proposta de permanente articulação com as questões do mal-estar contemporâneo – entrando em pauta os atendimentos públicos, os estudos de gênero, os estudos sobre a parentalidade / perinatalidade, o diálogo com o feminismo e discussões sobre representatividade negra. A transmissão da psicanálise em nosso tempo e nosso país, em suma.

“Importante é que os filhos possam trazer nossas contradições, e que a gente possa escutar sem ficar muito ofendido”.

“Mesmo que as crianças não consigam – o que é pior -, nomear de onde está vindo esse estresse, elas estão sob esse efeito. Nos pequenos detalhes, elas captam as coisas”.

“A gente não é pedagogo, mas vai questionando o mundo junto com a criança”.

“A mulher, além de fazer um trabalho não remunerado, tem que se sustentar e sustentar a família. Não é à toa que o número de divórcios explodiu, assim como a violência doméstica. Algumas famílias vão se renovando, outras se deteriorando”.

“Mais do que a abertura das escolas no segundo semestre, me preocupo com o grau de estresse que os
pais estão. Se estivessem em casa com a vida ganha seria diferente… A insegurança cria uma insatisfação muito grande. Me preocupo com a extensão desse processo no qual as pessoas ficam confinadas sem escapes e risco das relações se deteriorarem. Quanto ao aprendizado nas escolas, não se pode exigir demais. Do ponto de vista de aprendizado, 2020 será um ano atípico”.

“Não acho que a quarentena será determinante, um trauma para a humanidade. Ela vai deixar marcas não necessariamente ruins. Nem sempre são prejuízos. Ela pode se transformar em fonte de crescimento e virada”.

“Os pais sofrem mais porque têm dimensão da encrenca; eles são uma bucha de canhão entre a criança e o mundo”.

“A graça da educação não é propor apenas momentos felizes. Mas também mostrar como se virar quando as coisas não saem do jeito que estávamos esperando. Hoje os pais estão muito preocupados em retirar as arestas, passando a imagem do problema insolúvel, que precisa ser retirado, que não pode ser enfrentado, para que a criança possa supostamente fluir na felicidade. O que acaba criando adultos fragilizados”.

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