Confissões de uma ex-atriz pornô
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Confissões de uma ex-atriz pornô

Isabella Marzolla

14 de julho de 2020 | 12h47

Assista à entrevista: https://youtu.be/stSig-0RO5g

“Saía sempre cansada, destruída, acabada. Me perguntando, quando isso vai acabar? Quando eu morrer. Não vejo a hora de morrer”

“O fetiche mais consumido no Brasil é a pedofilia. Os vídeos mais consumidos são os misóginos, de abuso e exploração hard, e a pedofilia”

“Eu preferia mil vezes gravar “lesbo”.(…) Se eu pudesse não teria gravado nenhuma vez hétero, teria recusado. A cena hétero é muito focada no homem. É um homem gravando um manual para outro homem, de como homens devem ensinar mulheres a servir- los”

“A sociedade é patriarcal, o mundo é misógino, e as engrenagens da indústria do sexo existem há milênios. Enfiar uma barrra de ferro para tentar quebrar, vai quebrar a barra de ferro e não as engrenagens.(…) Se você conscientizar as gerações, elas vão parar de alimentar essas engrenagens e um dia vão enferrujar e quebrar”

“E o pornô feminista? Vamos parar de fazer para os homens, vamos fazer para as mulheres. Mas de onde o pornô feminista vai tirar referências?”

“Nunca é por prazer. É para isso que serve o KY [lubrificante]. Como é que a menina vai sentir prazer se ela nem se sente confortável quando está gravando? O produtor quer que você grave no ângulo da câmera, não pode fazer cara de dor, não pode sorrir, tem que fazer cara de prazer. Aonde está o foco no prazer? No homem”

“Teve uma cena em que tomei um tapa na cara. E a culpa é sempre da vítima ou seja, da mulher. Fazer fetiche deixou muitos traumas. É dominação e submissão. Você precisa xingar. Mas eu não conseguia”

“A noite é um inferno. É como se quando você pisasse no chão, seus pés sangrassem, mas não é o seu sangue, é o sangue de outras pessoas. Você tem que desviar de facadas. Se você vai trabalhar à noite, você não sabe se vai voltar vivo para casa”.

“Eu fiquei marcada, já era. Se eu sumir, beleza. Mas ainda vai ter gente que vai falar, como falam da Leila Lopes que se suicidou. Poxa, a mulher está morta e ainda falam dela”

“Existe um mito de que a atriz pornô é rica. É a mentira mais deslavada que conheço”

Vanessa Danieli, conhecida também como Bárbara Costa, trabalhou como atriz pornô durante 6 anos, tendo no período vencido por 3 vezes o prêmio Sexy Hot, o equivalente ao Oscar da categoria.

Filha de doméstica, conta que sofreu abuso e estupro na adolescência. Começou fazendo programa à noite, e aos 22 anos gravou suas primeiras cenas.

A indústria do sexo lhe deixou várias marcas. Conseguiu se desvencilhar há 4 anos. Casou-se, formou-se em marketing, tornou-se youtuber e gamer, e agora se prepara para lançar um livro sobre sua experiência. O plano b caso nada disso desse certo, era o suicídio.

A história de Vanessa guarda alguma semelhança com a da ex-atriz Mia Khalifa, que ganhou visibilidade mundialmente pelo estrelato e depois pelo arrependimento de ter protagonizado filmes pornôs. Hoje, tanto os vídeos de Mia Khalifa como os de Vanessa, continuam no ar, assim como o cyberbullying, para desgosto de ambas.

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