Fascistas, negacionistas e pseudoreligiosos: o apocalipse segundo João Gordo
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Fascistas, negacionistas e pseudoreligiosos: o apocalipse segundo João Gordo

Morris Kachani

15 de janeiro de 2021 | 15h04

“Era mais legal o apocalipse com bomba atômica, guerra, zumbi. Mas apocalipse de bolsominion, de crente, de ignorância? 2018, 2019… A pandemia foi a cereja do bolo de merda”.

Assista à entrevista: https://youtu.be/XLwg8ep-wMM

“Não é que o mundo mudou. Ele ficou pior. Antigamente os fascistas, nazistas e racistas tinham medo de sair do armário, agora é legal ser assim”.

“Vou achar o que de um verme desse (sobre Bolsonaro)? Você vai falar que o cara merece levar um tiro na cabeça? Merecer, merece mesmo. Mas ninguém vai fazer isso, porque estamos no Brasil. Se a gente morasse no país basco, alguém já tinha feito alguma coisa, carro-bomba, sei lá. Mas aqui no Brasil ninguém faz nada. O pessoal só fica quebrando o pau nas redes sociais e mais nada. Vai demorar 10 ou 20 anos pra gente sair desse buraco que ele está nos colocando”.

“A proposta é eugenista. Um genocídio consciente, uma proposta de ‘vamos deixar a doença se espalhar’. Tudo isso cheio de mentira, sabotando a parada, querendo enfiar remédio que não funciona”.

“A família cristã tradicional é o ápice da ignorância. Pessoal fascista, racista, burro e ignorante. Cara, acreditam ainda em Adão e Eva… É foda levar tudo ao pé da letra. Eles não agem de acordo com os preceitos de Jesus Cristo. Tudo ao contrário. Todas as merdas que eles fazem são em nome de Jesus.
Eu uso símbolos satânicos, como pentagrama, culote preto, pra confrontar esse bando de fanáticos. O grande padrão desses pastores dessa dinheirama toda, é mais satânico que meus símbolos satânicos”.

“Os milicos não estão com nada. Como é que tem um bando de general bando de filho da puta, apoiando essa aventura bolsonarista? Com apoio da polícia, do exército, fodeu, ele não sai mais daqui”.

“A cultura militar é fascista; hierarquia é fascista. A polícia tinha que acabar, e começar com outro tipo de polícia. Tinha que fazer faculdade pra virar polícia; não pegar qualquer zé mané e fazer um cursinho. Os caras viram tudo louco, preto racista”.

“O que eu ando gostando de ver é esses negacionistas morrendo de covid. É bem refrescante a parada”.

*

Não por acaso, Inconsciente Coletivo inicia a temporada 2021 com espírito punk hardcore. João Gordo é o convidado da vez. Ele, que já cantou Crucificados pelo sistema, Tente mudar o amanhã, Cada dia mais sujo e agressivo.

Que hoje aos 56 anos, casado há 20, vegetariano há 16, vegano há 6, está mais… para Buda.

“Fui viciado em cocaína, fumei crack, tive overdose de heroína, maços e maços de cigarro. Acabou balada completamente. Há 16 anos sou vegetariano. Há 6, vegano. Fico imaginando que se estivesse consumindo linguiça, salame, bacon, carne de porco, eu já estaria morto porque meu colesterol estaria batendo lá no teto. E o veganismo não usufrui do sistema carnívoro, um sistema que destrói tudo, queima a Amazônia, dá câncer, tem exploração animal”.

Enquanto você assiste este vídeo, ou lê esta entrevista, Gordo muito possivelmente poderá estar na linha de montagem das 400 ou 500 marmitas veganas que ajuda a produzir diariamente, e distribuir entre a massa de necessitados que só aumenta pela cidade – já foram mais de 400 mil nos últimos meses, além de roupas e kits de higiene. No melhor estilo da ação direta e do ‘do it yourself’, ser punk para ele hoje em dia é combater o sistema fazendo solidariedade e ajudando as pessoas que o governo não ajuda.

Ouçamos pois, o que ele tem a dizer sobre este roteiro do apocalipse que nem o mais satânico dos profetas poderia conceber.

“O grande mal do Brasil é o próprio brasileiro. A corrupção é muito gigante, está no sangue de qualquer um. Tem que matar todo mundo, e nascer de novo”.

“Sempre fui desiludido, nunca curti muito ser brasileiro e morar no Brasil. Sempre achei uma bosta. O ruim daqui é o brasileiro, porque a terra é completamente abençoada”.

“A pandemia aumentou muito a quantidade de família passando fome, não tinha isso antes, realmente a miséria chegou”.

“A classe média já é pobre. O cara acha que é elite porque é idiota”.

“Tenho certeza que em 2022 vai ter essas palhaçadas como aconteceu na invasão do Capitólio, nos Estados Unidos”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.