Ivaldo Bertazzo, que testou positivo para o covid-19: “o grande problema do corpo é o medo”
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Ivaldo Bertazzo, que testou positivo para o covid-19: “o grande problema do corpo é o medo”

Morris Kachani

12 de agosto de 2020 | 16h13

Movimentos físicos, estímulos sensoriais e capacidade de cognição são funções primordiais do corpo humano que precisaram se ressignificar neste tempo de quarentena e confinamento.

Assista à entrevista: https://youtu.be/iZ2MdB1D1eE

E há um outro elemento, que é o medo e ansiedade, e a maneira como eles podem se projetar sobre nossa estrutura corporal, como por exemplo através de respirações bloqueadas.

“O medo é uma manipulação. Nós temos que tomar esse cuidado. O vírus provoca um medo subjetivo que é uma manipulação. Então eu tenho que me fortalecer. Só resta isso”.

A boa surpresa de se conversar com mestre Ivaldo Bertazzo, coreógrafo e professor de dança, cientista do corpo, é que ele não deixa cair a peteca e mantém o astral de sempre, por mais que tenha atravessado recentemente a zona obscura de quem testou positivo para o covid-19 – à parte a perda do paladar, os sintomas mais graves não apareceram.

“Foi como uma montanha-russa, com dias melhores e dias piores”.

Com homeopatia e exames, mas sem medicações alopáticas, e comendo pouco, doces e álcool cortados, ele enfrentou a situação, deu aulas online durante o período, e apareceu de ótimo humor e disposição no décimo quarto dia de retiro, quando conversamos por zoom.

E a surpresa é que para Ivaldo, a pandemia acabou empoderando as pessoas, que passaram a cuidar de seu próprio corpo mais e melhor, em um paralelo possível com a qualidade da comida feita em casa.

“As pessoas estão cuidando mais do corpo agora, estão começando a cozinhar, e se atentando que ficar cheio de alimento processado vai dar merda. Ninguém fala disso. O nível de hortifrútis e venda de cereais ampliou muito”.

Não apenas o número de alunos de Ivaldo quadruplicou, como também a performance e concentração dos mais antigos melhorou.

“Não sei se as pessoas estão se mexendo menos. Elas estão trabalhando mais na higiene de casa, e também na cozinha. Esfregar o chão, picar um alho – a ginástica acaba acontecendo algumas vezes por dia”.

“Eu acho home office o máximo. Você está vendo melhor seu filho. As relações criaram elos mais afetivos”, ele diz.

“Não estou falando que o vírus é bom, mas a gente tem que ver os aspectos positivos”, acrescenta.

“Só quem não tem um universo simbólico e poético, se ferrou. É um momento de ir para dentro. Não sustenta ficar só nos aplicativos, com os dedinhos”.

“Que sociedades se saíram melhor? A japonesa por exemplo, em que as pessoas vivem em espaços pequenos onde ninguém invade o outro”.

Algumas dicas de Ivaldo para uma vida melhor:
– Nunca coma muito. Sempre sinta um pouco de fome;
– Tem que saber tomar banhos quentes e frios, todos os dias;
– Criar o hábito de fazer fricções e esfregar a pele.

“O templo não é o seu corpo. O templo se processa na sua mente, no como você pensa e como você esvazia sua mente. O corpo tem que estar em função para não te atrapalhar”.

Ivaldo é autor de nada menos que 36 espetáculos artísticos, mentor de alguns projetos sociais relevantes sobre a democratização da dança, e eterno viajante e aprendiz, tendo visitado e estudado manifestações culturais e artísticos entre diversos países do oriente, como o Butão, Tailândia, Índia, Indonésia ou Irã.

A esse respeito, em um contexto de pandemia, ele diz: “a geometria do seu corpo é muito importante. A medida como ele ocupa o espaço. Quando você vê uma pessoa sentada no templo, percebe que primeiro ela organiza a postura. Ou seja, para eu chegar no Todo Poderoso, tenho que estar bem organizado fisicamente. Existem ditados que dizem, não é Ele que te escuta, é você que vai se escutar para melhorar sua saúde”.

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