Jorge Forbes: estamos vivendo a maior revolução dos laços sociais dos últimos 2.800 anos
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Jorge Forbes: estamos vivendo a maior revolução dos laços sociais dos últimos 2.800 anos

Morris Kachani

28 de julho de 2020 | 17h43

Para psicanalista, presidente do Instituto da Psicanálise Lacaniana, apresentador do programa Terradois na TV Cultura e professor de curso sobre liderança empresarial da escola Saint Paul de Negócios, chegada da internet representa uma ruptura sem precedentes na história humana, e a pandemia só vem a exacerbá-la.

Bem-vindo ao ‘novo anormal’.

Assista à entrevista: https://youtu.be/N6DpINeNWwA

“O mundo de hoje é parecido com o de ontem só na fotografia. Do nascimento à morte, passando por todos os momentos da vida – procriar, educar, amar, relacionar, trabalhar, envelhecer, morrer – nada mais fazemos como antes”.

“É uma revolução monumental, a chance de deixar de viver verticalmente para viver horizontalmente. Quando sairmos da pandemia, será interessante guardarmos esta relação do homem com o intangível que está se construindo. O vírus pode ir embora, mas espero que a gente possa manter um saber fazer em uma relação de harmonia do homem não mais com a natureza, com os deuses ou com a razão, mas com o intangível”.

“A grande chance é que possamos ter a ética da invenção e não da conformidade. O que acho preocupante é que a gente saia de uma maneira padronizada de ser e construa uma nova maneira padronizada de ser, com o ‘novo normal’ aparecendo como um prato feito, um piloto automático da vida, quando seria preferível que fôssemos uma espécie de GPS ambulante, sem estabelecer uma maneira fixa de ser”.

“Estamos vivendo a maior revolução dos laços sociais dos últimos 2.800 anos. É a web que inicia o século 21, quando você tem uma nova transcendência com uma arquitetura horizontal; e nós não sabemos lidar com arquitetura horizontal, então criamos novas verticalidades. As pessoas estão querendo voltar o mais rápido possível ao que era antes, mas não vai dar certo. O avanço é inexorável”.

“Existe uma distância muito grande entre os projetos políticos nesse momento e o avanço do mundo. Uma coisa não está acompanhando a outra. A psicanálise mudou, o direito tem que mudar, a pedagogia está totalmente desatualizada – e eu poderia continuar e dizer que nada escapa desse momento. Todo mundo vai ter que repensar”.

“Acho que as empresas também não sabem fazer esta passagem. Existem impasses grandes. Aquilo que elas fazem destrói o que elas fizeram. Terão que se haver com o fato de que vivemos em um mundo que a gente pode mais do que quer. A tecnologia nos levou a essa posição”.

“As empresas estão saindo da crise da Lava Jato dentro de um ponto de vista superegóico. Estudei as regras de comppliance da Odebrecht. O que seria esse novo código de conduta da empresa mais corruptora quiçá do mundo. E eu achei graça, comparei a um novo confessionário. O confessionário é quando é menino vai, diz que pecou, recebe a penitência e sai da igreja feliz da vida pra que? Pra pecar de novo”.

“Eu acho que nenhuma empresa sobreviverá se ela não for uma editora de cultura, se não for uma curadora de cultura. A liderança do CEO também não tem nada a ver com a forma como ela era”.

“A Petrobras ficou conhecida como uma grande patrocinadora no passado. Só que patrocínio não traduz a cultura da empresa. No mundo atual, acredito que essa forma de consumo não existirá. Ela não vai existir porque as pessoas terão menos voracidade inútil como a gente via há pouco tempo”.

“Todo dia estou ouvindo isso, que as pessoas podem viver melhor hoje em dia com muito menos. Você não precisa de 10 milhões de amigos; 10 já bastam”.

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