Marina Silva: “O rei está literalmente nu”
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Marina Silva: “O rei está literalmente nu”

Morris Kachani

24 de abril de 2020 | 19h43

“Se antes Bolsonaro tinha a falsa vestimenta do moralismo e do combate à corrupção, agora se encontra desprovido de qualquer vestimenta republicana. O governo se revela finalmente o que ele é”.

“Bolsonaro não tem qualquer tipo de bom senso, principalmente para renunciar em benefício de qualquer coisa”.

“Estou ainda no debate sobre essa questão de impeachment. Bolsonaro comete crime de responsabilidade o tempo todo. Mas estamos no meio de uma pandemia, é algo muito mais grave. Para o Bolsonaro, é fácil mobilizar seu exército fundamentalista. Eles estão dispostos a ser imolados em nome do Messias deles. Para quem tem responsabilidade com a vida das pessoas, o mesmo não é verdadeiro”.

Assista à entrevista completa: https://youtu.be/90AJQomspRU

“A crise sanitária é uma parte do iceberg. Do mesmo jeito que existe o coronavírus, existe o “coronaclima” ”.

“Tem muita gente dizendo ‘vamos voltar ao normal’. Esse mundo já não era normal. Nós temos que ter uma clareza. Existem aqueles que querem voltar ao antigo normal, e aqueles dispostos a uma transição, se desidentificar do modelo predatório. Um modelo em que a economia é mais importante que a vida. Mais importante que a ecologia”.

“São várias crises. Muito mais que uma crise pontual na economia, social ou nas questões até mesmo de saúde. A gente vive principalmente uma crise de valores, uma crise civilizatória”.

“O maior risco que temos na Amazônia é com as populações originárias. Tanto os ribeirinhos como principalmente os indígenas. São as pessoas mais vulneráveis, em termos de diagnóstico, atendimento de saúde ou remoção. É uma gente que já vive uma situação de fragilidade e violência, com as invasões. E o governo federal está sendo negligente deliberadamente. O ministro do meio ambiente foi conivente com o crime organizado do garimpo e da exploração de madeira”.

“A gente já sabe o que não é o melhor para o Brasil. São os grupos que se focam no poder. Do poder pelo poder. O melhor é ter visão de país, visão de humanidade. A liderança política não é mais aquela do poder pelo poder. Agora é a hora de servir, é o serviço que está em questão hoje”. 

 

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